Caso Décio: Açodamento de Aluísio fragilizou inquérito…

http://www.portalhoje.com/wp-content/uploads/2012/04/aluisio.jpg

Aluísio Mendes: açodamento levou a falhas, que levou ao esfarelamento

A reviravolta que o caso Décio Sá tomou na Justiça é resultado direto de uma única causa: o açodamento do secretário de Segurança Aluísio Mendes em dar respostas imediatas à sociedade, sem se preocupar com os eventuais “furos” do inquérito.

A pressa de responder à governadora Roseana Sarney (PMDB), à imprensa e à sociedade, que, à época do crime, cobravam respostas imediatas para o hediondo assassinato do jornalista, levou Aluísio a apresentar culpados às pressas, nexos causais que se uniam apenas superficialmente e provas quase que arranjadas de última hora.

É claro que a linha adotada pela equipe comandada por Aluísio Mendes tem a sua lógica. Mas há lógica ainda mais contundente em outras linhas, desprezadas na investigação sem explicação plausível.

E o resultado é o esfarelamento de toda a peça, diante de dados concretos, declarações pessoais e argumentos inquestionáveis apresentados ao juiz Márcio Brandão, na 1ª Vara do Tribunal do Juri.

Jhonatan: ele criou; ele descriou

Não cabe nem à polícia, nem à parte da imprensa que defende a tese apresentada por Aluísio Mendes, argumentar que o pistoleiro Jhonatan de Souza tenha sido instrumentalizado pela defesa de Gláucio Alencar.

Se ele foi manipulado pelos advogados, por que não poderia ter sido manipulado, antes, pela equipe de Aluísio?

Afinal, como diz o ditado, “o que dá pra rir, dá pra chorar”.

Esta argumentação de manipulação pode até fazer sentido nas instâncias judiciais do Maranhão, ainda influenciadas pela comoção do assassinato. Mas nas instâncias superiores, onde pesam as provas e os testemunhos, elas não têm a menor importância.

O que pesa mesmo, nas instâncias superiores, é a correta apuração do caso, as provas incontestáveis e os depoimentos incorrigíveis. E, em caso de qualquer dúvida, o chamado “pro-réu”.

Nada disso quer dizer – é bom que fique claro – que Gláucio Alencar e os outros presos sejam inocentes. Não! Há fortes indícios contra ele.

Mas o rigor da investigação, checando todos os furos antes de se apressar em mostrar autores de crime, evitaria exatamente isto que está acontecendo agora.

Aluísio Mendes tinha obrigação, na época do crime, de esgotar todas as linhas de investigação antes de apresentar seu resultado. Mas não o fez.

Se existia uma chamada linha “Barra do Corda”, com conversas pessoais dos envolvidos, troca de telefonemas antes e depois do crime, o secretário teria que, no mínimo, chamar estes envolvidos para depor, ainda que só para esclarecer os fatos.

Mas não o fez; apenas descartou a tese sem maiores argumentações.

Se existia também uma chamada linha “empresários da Construção Civil”, caberia ouvir estas pessoas, saber o que elas pensam, qual o grau de relacionamento com Décio, e o que o jornalista escreveu sobre elas.

Também não há no relatório nenhuma indicação de que isso foi feito.

Aluísio Mendes parece ter optado pela lei do menor esforço, escolhido a possibilidade menos incômoda e decidido se fixar nela – com a ajuda “inocente” de parte dos jornalistas, que se influenciaram por esta linha.

Poderia ter investigado tudo, esgotado todas as dúvidas – até para ter a certeza absoluta da tese que apresentaram.

A negligência levou ao que se vê hoje na fase judicial, um desmonte da frágil peça policial apresentada.

Só se tem uma certeza no caso: Décio Sá está morto.

E Aluísio Mendes continuará comandando a segurança pública do Maranhão, à frente de muitos outros casos.

Este foi apenas mais um…

Décio Sá

Matéria sobre investigação de Pedro Teles repercute entre leitores do blog

Escutas telefônicas e um suposto encontro entre Júnior Bolinha e Pedro Teles causaram furor entre a audiência do blog.

Repercutiu de forma intensa a matéria deste blog sobre a investigação do empresário Pedro Teles no Caso Décio Sá.

O pedido de investigação foi feito pelo advogado Adriano Cunha ao  juiz da 1ª Vara do Tribunal do Juri, Márcio Brandão, ainda no início das investigações do caso.

Uma investigação cobrada incessantemente pela maioria dos leitores do blog, já que Pedro Teles aparece em escutas telefônicas com o também empresário Júnior Bolinha, acusado de intermediar a contratação do pistoleiro Jhonatan de Souza, executor de Décio.

Além de um suposto encontro revelado por Bolinha um dia antes da morte de Décio.

Envolvimento considerado muito suspeito para todos que acompanham o caso por este blog, já que a família Teles vinha sendo constantemente pauta de acusações do jornalista assassinado no ano passado.

E todos estes leitores também querem as mais sinceras explicações…

Com redação de Aline Alencar

Décio Sá

Seria Jhonatan Souza o segundo Jorge Meres???

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ib221101.jpg

Jorge Meres, o suposto quadrilheiro de José Gerardo

Durante muitos anos, especulou-se nos meios políticos e policiais do Maranhão, a hipótese de que o motorista Jorge Meres – apresentado pela polícia maranhense, em 1999, como membro de uma quadrilha internacional que tinha entre seus chefões o ex-deputado maranhense José Gerardo – seria, na verdade, uma espécie de ator, fabricado nos porões da Secretaria de Segurança e manipulado pelo então secretário, Raimundo Cutrim.

Esta suspeita ganhou força ainda durante as audiências da CPI do Crime Organizado – montada à época, pela Assembleia Legislativa, para investigar os supostos crimes de José Gerardo apontados por Meres.  Ficou evidente a fraqueza argumentativa de Meres nas audiências públicas.

Por várias vezes, o suposto quadrilheiro trocou nomes, locais e datas de fatos que ele havia dito antes. Errou, muitas vezes, ao descrever cenas que ele já havia descrito com riqueza de detalhes inúmeras vezes.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/rc1911012000.jpg

Wllian Sozza, condenado sem provas

Dentre os supostos bandidos delatados por Meres, pelo menos um – William Sozza – teve a vida destruída sem que ninguém provasse, ao longo de quase 15 anos, qualquer indício de que pelo menos conhecia Gerardo ou outro envolvido.

Meres morreu há cerca de cinco anos, vítima de complicações decorrentes do alcóol, quando vivia perambulando, bêbado e largado pela periferia de São Luís..

Nem parecia o operador de quadrilha que desbaratou seus supostos comparsas e tinha pouca ou nenhuma preocupação para alguém que supostamente foi incluído no Programa de Proteção à Testemunha.

Apenas o titular deste blog e o falecido jornalista Walter Rodrigues – um dos mais brilhantes da história maranhense – sempre viram como farsa a história de Jorge Meres. Tanto que, muitos dos citados como criminosos ganharam indenizações do estado.

Rodrigues publicou certa vez em seu blog, documentos e depoimentos que mostravam que a inclusão de Willian Sozza por Meres na suposta quadrilha se deu por mágoa do motorista, que perdeu um emprego em uma das firmas do empresário, em Campinas (SP).

José Gerardo também não era nem um santo – mas daí a ser apontado como traficante internacional…

Agora surge Jhoanatan de Souza, suposto assassino confesso do jornalista Décio Sá.

O “matador” Jhonatan de Souza negou tudo à Justiça

Desde o início, pareceu um tanto fantasiosa a história do assassino paraense que começou a matar aos 14 anos e trazia nas costas uma lista infindável de crimes – sem que se tenha notícias dos tantos inquéritos que deveria responder ou de famílias que reclamassem supostas mortes.

Até a história para a morte de Décio Sá, admitida por Jhonatan, sempre pareceu meio que fantasiosa.

É pouco verossímil um matador de aluguel participar de rodas de reunião justamente com aqueles que estão contratando seus serviços (a praxe deste tipo de crime ensina nunca se mostrar ao matador).

Fica pouco consistente que um matador profissional resolva se desfazer de uma arma usada em assassinato enterrando-a a poucos metros do local do crime, assim, sem mais nem menos.

Hoje, Jhonatan Souza decidiu desdizer tudo o que supostamente havia dito à Polícia. Em depoimento ao juiz da 1ª Vara do tribunal do Juri disse que fora induzido por delegados a dizer tudo o que disse.

Fez exatamente o que já se sabia que iria fazer.

images1

José Gerardo: hoje solto e milionário por indenizações

O assassino confesso negou, inclusive, as mortes que supostamente teria nas costas – e disse que fez isso a pedido dos delegados, como um papagaio ensaiado.

Exatamente como Jorge Meres há quase 15 anos.

Curiosamente, foi exatamente o ex-secretário Raimundo Cutrim, hoje deputado estadual, o primeiro a dizer que o assassino paraense  havia sido ensaiado pela polícia.

Como já se viu nas primeiras linhas deste blog, Cutrim pode ter experiência para saber o que diz.

Farsas de elucidações de crime são comuns na história policial. Sobretudo quando o caso é de grande comoção e a sociedade cobra solução iminente.

O problema dessas montagens é que, fatalmente, elas viram bolhas de sabão quando chegam à fase processual.

E se desmancham ao menor toque…

Décio Sá

Polícia deverá investigar Pedro Teles no caso Décio Sá…

Pedro Teles: polícia fará reinvestigação contra ele

O juiz da 1ª Vara do Tribunal do Juri, Márcio Brandão, acatou ontem pedido do advogado Adriano Cunha, para que a polícia investigue o envolvimento do empresário Pedro Teles no assassinato do jornalista Décio Sá.

A informação é parte de ampla reportagem, do jornal O EstadoMaranhão sobre os depoimentos de ontem.

O pedido ao juiz se deu após o depoimento do empresário Júnior Bolinha, preso como intermediador da contratação do pistoleiro Jhonatan de Souza, executor de Décio. Bolinha revelou que teve um encontro com Pedro Teles dias antes da morte do jornalista.

O advogado Adriano Cunha defende o agiota Gláucio Alencar, também preso, acusado de ser o mandante da morte de Décio Sá.

Desde o início das investigações, Alencar acusa a polícia de ter desprezado a linha de investigação que apontaria razões para Teles matar Décio Sá. No decorrer das investigações, a Secretaria de Segurança Pública se limitou a dizer que os indícios contra Alencar eram mais fortes do que os que haviam contra Teles.

De acordo com os advogados de Gláucio Alencar, Décio Sá publicou cerca de 40 posts contra a família Teles – além de Pedro, o deputado estadual Rigo Teles (PV) e o ex-prefeito de Barra do Corda, Manoel Mariano de Souza, o Nenzin – apenas no período entre janeiro e abril de 2012. Ainda segundo os advogados, não há, em toda a história do blog do jornalista, nenhuma postagem que cite o nome de Gláucio Alencar – positiva ou negativamente.

Quadro com dia e hora das ligações de Bolinha para Teles

Além do encontro agora confirmado por Júnior Bolinha, os advogados argumentaram ao juiz que Pedro Teles aparece em escutas telefônicas “que necessitam de uma investigação mais específica”.

O blog de Gilberto Léda publicou em 28 de janeiro o post “Caso Décio: Júnior Bolinha ligou para Pedro Teles no dia do crime”. Apesar de afirmar que “uma coisa pode não ter nada a ver com a outra”, o jornalista revelou, com base nos depoimentos dos acusados, que a  “polícia sabia” desta ligação. (Releia aqui)

Duas dessas ligações ocorreram no dia da morte de Décio Sá. Outra, às 9h22 do dia seguinte.

Durante o depoimento de ontem de Júnior Bolinha, os advogados de Gláucio argumentaram ao juiz que é preciso esclarecer por que a polícia não aprofundou esta investigação, mesmo sabendo da existência das ligações.

O juiz Márcio Brandão disse que esta investigação contra Pedro Teles pode ser considerada na 3ª fase do processo.

O juiz argumenta que a nova investigação da polícia não trará prejuízos à atual instrução…

Texto alterado às 12h20 para maior precisão da informação

Décio Sá

Assassino de Décio Sá vai falar à Justiça…

O assassino Jhonatan: o que mais ele sabe?

O juiz da 1ª Vara do Tribunal do Juri, Márcio Brnadão, retoma hoje as audiências do processo que investiga o assassinato do jornalista Décio Sá. Desta vez serão ouvidos os acusados, incluindo o assassino confesso, Jhonatan de Souza.

É justamente o depoimento do assassino o mais esperado, sobretudo pelo que declarou seu advogado logo no início da fase judicial do caso, no início de maio.

- Tem coisas que ele ainda precisa revelar - declarou o defensor Pedro Jarbas.

A princípio, a declaração foi vista como uma possibilidade de o assassino revelar novos envolvidos na trama, mas a história perdeu força quando se descobriu uma relação muito próxima entre os advogados de Gláucio Alencar e os de Jhonatan de Souza.

Mesmo assim, as declarações do assassino são esperadas como um dos momentos mais importantes do julgamento.

O assassino vai manter o que disse à polícia? Vai desmentir o relatório do Ministério Público? Vai acrescentar mais dados e nomes ao caso?

É aguardar e conferir…

Décio Sá

Laudo de Ricardo Molina questiona degravação da polícia na conversa de Gláucio Alencar e Júnior Bolinha…

Perito contratado por agiota aponta falhas na transcrição do Icrim e afirma que a polícia interpretou de forma errada trechos da conversa, levando à incriminação de Gláucio Alencar

 

Gláucio e Bolinha: conversa questionada

Contratado por Gláucio Alencar para transcrever, na íntegra, o áudio de uma gravação que o agiota fez de uma conversa com Júnior Bolinha, o perito criminal aposentado Ricardo Molina – considerado um dos mais importantes do país – afirmou em seu relatório que a degravação do mesmo áudio, feita pela polícia, apontou sentido oposto do real em alguns trechos da gravação.

- Há algumas palavras e expressões que foram incorretamente transcritas [no laudo da polícia]. A transcrição aqui apresentada corrige alguns desses erros – afirmou Molina.

Um dos trechos destacados no laudo do perito, a que este blog teve acesso, questiona exatamente a parte da transcrição que a polícia tem como uma espécie de confirmação de Gláucio para Bolinha de sua participação no assassinato do empresário Fábio Brasil.

Na transcrição da polícia, a que esse blog também teve acesso, a afirmação do agiota ficou assim:

- Isso aqui, só que vai ter que acontecer, eu já tô me movimentando com o advogado [ininteligível] na delegacia que fui eu que fiz isso aqui, porra. 

Em sua transcrição, além de corrigir os trechos que considerou mal transcritos, Molina afirma ter conseguido decifrar a parte considerada ininteligível pela polícia maranhense.

Todo o trecho, segundo o seu laudo, ficou assim:

- isso aqui, sabe o quê que vai acontecer?…já tou me movimentando com o advogado, por que essa mulher, com certeza, vai falar na delegacia que fui eu que fiz isso aqui, porra…

Molina: áudios contestados

Para Ricardo Molina, o erro da polícia pode levar a uma interpretação equivocada sobre a participação de Gláucio Alencar no assassinato.

- A interpretação pode, na verdade, ser a oposta ao sentido intencionado pelo falante, o qual não afirma algo como “fui eu que fiz”, mas sim que “a mulher vai dizer na delegacia que fui eu que fiz”.

O perito chega a questionar o fato de a polícia ter transcrito trechos mais difíceis e não ter se atentado justamente neste. E completa:

- Sob esta ótica, é lícito afirmar que o contexto da conversação não permite inferir, em nenhum momento, que o interlocutor citado no quesito afirma ou admita ter ordenado alguma execução. Seus comentários, na verdade, vão na direção oposta, significando uma crítica ao ato supostamente praticado e frisando que teria dito por ele para que não se fizesse o que foi feito. (Grifo do documento).

É preciso dizer que o laudo de Ricardo Molina foi contratado pelo próprio Gláucio.

Que não se conformou com o laudo da polícia maranhense…

AgiotagemDécio Sá

TJ decide hoje se Cutrim deve ou não ser investigado no caso Décio…

http://www.marrapa.com/wp-content/uploads/2013/04/cutrim-350x225.jpg

Cutrim e Aluísio: caso será decidido no TJ

O Tribunal de Justiça analisa hoje o pedido de autorização da Polícia Civil maranhense para investigar o suposto envolvimento do deputado estadual Raimundo Cutrim (PSD) no assassinato do jornalista Décio Sá.

O nome de Cutrim surgiu no bojo das investigações do caso Décio, mas, como ele tem foro privilegiado, a polícia necessitaria de uma autorização da Justiça.

O pedido da polícia já tem parecer favorável do ministério público.

Caso o TJ entenda que o deputado precisa ser investigado – até para que a polícia esclareça se há ou não participação dele no crime – a investigação será reaberta nos aspectos que envolvem o parlamentar.

E correrá desmembrado da ação principal, da mesma forma que o de Ronaldo Ribeiro.

A sessão do pleno do TJ começa as 10h…

Décio Sá

Imagem do dia: CNJ no caso Décio…

cnj

Juiz Márcio Brandão conversa com representantes do Conselho Nacional de Justiça, que vai acompanhar o processo do assassinato do jornalsita Décio Sá. O pedido para que o CNJ acompanhe o caso foi feito pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Antonio Guerreiro Júnior. A presença do CNJ pode inibir, entre outras coisas, decisões estranhas, beneficiando envolvidos no caso. (Imagem: Flora Dolores/O EstadoMaranhão)

Décio Sá

Flanelinha que identificou assassino de Décio continua desaparecido…

Depoimento de Qualhada: fundamental na elucidação do crime

A polícia maranhense não confirma a morte do flanelinha João Batista Martins Cardoso, o Qualhada, que foi o responsável pela identificação do assassino do jornalista Décio Sá.

No início da tarde, surgiu a informação de que Qualhada havia sido assassinado na porta de sua casa, em Pindaré-Mirim. De acordo com a polícia, houve duas mortes  ontem na cidade, mas nenhuma das vítimas foi Qualhada.

O flanelinha vigiava carros na avenida em frente ao Sistema Mirante, quando, em 23 de abril do ano passado, viu um motoqueiro parado e perguntando por Décio Sá. Chamado à polícia, ele deu as características principais que levaram a polícia ao assassino Jhonatan de Souza.

Semanas depois de depor à polícia, Qualhada sumiu da frente da Mirante.

Seus colegas informaram ter ele sido vítima de algumas facadas em uma das vilas nos arredores da empresa.

A polícia, a princípio, negou ter havido o atentado contra o flanelinha.

Depois de vários desencontros de informações, o sub-delegado-geral Marcos Afonso acabou admitindo: Qualhada havia sido ferido a faca. Internado no Socorrão, fugira de lá, sem deixar vestígios. (Releia aqui)

Desde então não se tem notícias do homem que ajudou a polícia a elucidar o caso Décio…

Décio Sá

Gravação de Gláucio Alencar com Júnior Bolinha sugere que mulher de Fábio Brasil também iria morrer…

Conversa foi gravada por Iphone, no escritório de Ronaldo Ribeiro, com a intenção de eximir o agiota do crime de Teresina. Este blog teve acesso aos laudos do Icrim e do perito Ricardo Molina – encomendado por Gláucio. Ambos confirmam a existência de um assassinato. O agiota quer usar trechos não transcritos pela polícia para tentar provar sua inocência.

 

http://2.bp.blogspot.com/-DxwinB2Afrs/UNB7m1pEeqI/AAAAAAAABDA/PmcEUWRotEI/s1600/%C3%8Dndice.jpg

Fábio Brasil foi assassinato em Teresina: sua mulher escapou

exclusivoA gravação de uma conversa entre Júnior Bolinha e Gláucio Alencar – feita pelo próprio Gláucio, no escritório do advogado Ronaldo Ribeiro –  sugere que a mulher de Fábio Brasil, Patrícia Gracielle, também deveria ter sido morta, assim como o marido, assassinado em março de 2012.

A gravação foi feita dias depois da morte de Brasil. Gláucio usou seu Iphone para gravar a conversa com Bolinha – provavelmente na tentativa de se eximir de participação no caso. A polícia tomou conhecimento da gravação quando apreendeu o aparelho, durante a prisão dos envolvidos na morte do jornalista Décio Sá, em junho do ano passado.

As transcrições do áudio da conversa a que este blog teve acesso com exclusividade – feita pelos peritos criminais Araney Rabelo da Costa e Lúcio Flávio Cavalcante – sugere que, na ocasião da morte de Fábio Brasil, sua mulher, Patrícia Gracieli, também deveria ter sido morta – e só não foi por que não estava com o marido em Teresina (PI).

Os áudios indicam também que Gláucio Alencar, no mínimo, sabia que Fábio Brasil seria assassinato. E nada fez para deter Júnior Bolinha.

Bolinha mostrou conhecimento com “os meninos…”

A transcrição dos áudios

Na verdade, há duas transcrições dos áudios da gravação de Gláucio.

A primeira consta do laudo pericial nº 148/2012, feito pelo Instituto de Criminalística do Maranhão (Icrim). Com a transcrição deste áudio, a polícia chegou à conclusão de que Gláucio tinha participação na morte do empresário, como cúmplice de Bolinha.

Para identificar Gláucio e Bolinha, a polícia usa os códigos H1 (Gláucio) e H2 (Bolinha). Um dos trechos traz o seguinte diálogo:

H2 – (ininteligível) os meninos mataram ela debaixo de…

H1 – Eu disse pra tu não fazer porra, tu é doido, oh o comentário aqui só pra tu ver.

H2 – o menino na… (ininteligível)

H1 – Rapaz tu é louco (ininteligível) eu te disse, cara (ininteligível) não disse, Júnior, se eu fizer esse negócio tem que fazer outro, mas eu não (ininteligível) te falei, tu é teimoso, deixa eu te falar.

Inconformado com a transcrição da polícia, que,  segundo ele, havia sido montada para incriminá-lo, Gláucio Alencar contratou o “Laboratório de Perícias Prof. Dr Ricardo Molina de Figueiredo”.

Mas a transcrição de Molina, com aparelhos mais avançados, pouca coisa se diferenciou da versão da polícia. Ao contrário, trouxe à tona dados novos, não constantes da versão da transcrição da polícia.

http://www.alemdaciencia.com/wp-content/uploads/2013/02/ricardo-molina.jpg

Molina foi contratado por Gláucio

Mulher de Fábio escapa

Um destes trechos clareados pela perícia de Molina é exatamente a parte em que os dois (H1 e H2) conversam sobre a morte da mulher (que seria Patrícia Gracielle) e do marido dela, Fábio Brasil, ao que tudo indica.

Na transcrição de Ricardo Molina (repita-se, em aparelhos mais sofisticados que os do Icrim), o diálogo ficou assim:

2 – os meninos não mataram… os meninos não mataram ela [2/3]…

1 – Eu disse pra tu não fazer, porra… tu é doido!… aqui, o comentário que tem aqui, só pra tu ver…

2 – os meninos não mataram ela porque ela não estava (doida) (…) (sic)

1 – ah, mas tu é louco, de onde você tirou isso?… porra, eu te disse…

2 – quando tem que fazer  (uma coisa)…(sic)

1 – não disse, não disse… se… se… se eu fizesse esse negócio, por que fazer ou não…mas não quero fazer, eu te falei… porra, tu é teimoso!…

Em outras partes da conversa no escritório de Ronaldo Ribeiro, Gláucio fala várias outras vezes que a “mulher tá falando o meu nome“, e diz que “tá, ela falou pra Telmo…”, o que reforça a idéia de tratar-se de Patrícia Gracielli, única que já vinha apontando Alencar como responsável pela morte de Fábio Brasil.

http://www.caldeiraopolitico.com.br/imgs/materia/3605_a_gr.png

Gláucio contesta laudo do Icrim

Conflito entre laudos

Há um conflito entre os laudos do Icrim e de Ricardo Molina que Gláucio Alencar usa como base de sua tese de não participação na morte de Fábio Brasil.

Trata-se do trecho que demonstra a preocupação do agiota com o que a tal mulher  pode falar à polícia.

Na versão da polícia maranhense, este trecho foi transcrito assim:

H1 – “isso aqui, só que vai ter que acontecer, eu já tô me movimentando com o advogado (ininteligível) na delegacia que fui eu que fiz isso aqui, porra”

Na transcrição de Ricardo Molina (que usa 1 no lugar de H1), o mesmo trecho ficou assim:

1 – isso aqui, sabe o que vai ter que acontecer?… já tou me movimentando com o advogado, por que essa mulher, com certeza, vai falar na delegacia que fui eu que fiz isso aqui, porra…

As divergências entre as duas perícias tem sido usada pela defesa de Gláucio Alencar. Mas os dados, independente de quem os transcreveu, deixam claro duas coisas:

a- Júnior Bolinha fala claramente de um assassinato que ele tinha total conhecimento e revela a Gláucio que outra vítima escapou por não estar no local.

b – Gláucio Alencar sabia que este alguém – que a polícia indica como sendo Fábio Brasil – seria executado, mas nada fez para impedir o crime.

É o que consta dos documentos…

AgiotagemDécio Sá