21

O tal preconceito na obra de Monteiro Lobato… Pura bobagem!

Capa do liv ro "Caçadas de Pedrinho"

Burocratas sem ter o que fazer acabam sempre fazendo besteira. Quando o burocrata é esquerdóide, o resultado é sempre a mordaça, a censura, a tentativa de controlar a expressão da arte, da cultura e da comunicação.

A polêmica em torno da obra de Monteiro Lobato é mais um destes “trabalhos intelectuais” de burocratas esquerdóides – por ora instalados nos escaninhos do Ministério da Educação.

É uma bobagem sem tamanho apontar preconceito na obra do criador de Narizinho e do Sítio do Pica-pau Amarelo sem levar em conta o contexto da época em que a obra foi escrita.

É como censurar o genial Lamartine Babo pela obra “O teu cabelo não nega, mulata…”, música escrita nos anos 30.

No livro “Caçadas de Pedrinho”, a personagem Tia Anastácia é chamada de “Macaca de Carvão”, o que levou um pesquisador da Universidade de Brasília a pedir ao Conselho Nacional de Educação que revisse a distribuição do livro nas escolas públicas, alegando conteúdo racista.

Tolice do pesquisador – que deve ter-se perdido no tempo e no espaço. Tolice maior ainda do CNE, que acatou o seu pedido.

Cabe ao professor, em sala de aula, explicar o contexto em que o livro foi escrito.

Patrular uma obra de quase cem anos baseado apenas em conceitos da sociedade atual, além de idiota, é também covarde.

Coisa para quem não tem o que fazer…

Marco Aurélio D'Eça

21 Comments

  1. Quem são os autores do veto à Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato?

    Antonio Gomes da Costa, este foi quem alegou que a obra Caçadas de Pedrinho era racista. Isto se deu em 2010. O Parecer do MEC n 15/2010 teve como relatora a professora doutora Nilma Lino Gomes.

    Sobre Antonio Gomes da Costa – graduado em Pedagogia e Mestrando em Educação pela UNB.

    Sobre Nilma Lino Gomes – graduada em Pedagogia, Mestra em Educação pela UFMG e Doutora em Ciências Sociais pela USP.

    Especialista Laura cavalcanti Padilha explica que o veto é uma censura a Monteiro Lobato, e que não se pode aplicar a uma obra publicada em 1933 o mesmo olhar de 2010.

    Sobre Laura Cavalcanti Padilha

    Graduada em Letras Neolatinas pela Universidade do Brasil.
    Mestra em Letras Vernáculas pela UFF.
    Doutora em Letras Neolatinas pela UFF.
    Pós-doutora em Estudos Comparados de Literatura de Língua Portugesa pela USP.

  2. Meus caros.

    Há livros e há livros pra crianças. Existem certas realidades que simplesmente não podemos dizer à elas ainda, como palavrões, sexo explícito ou até coisas engraçadas acerca de gênero, religião, cor e opção sexual. Mesmo eu tendo a absoluta certeza de que Lobato queria ser apenas engraçado e coerente do que ofensivo, sou a favor sim, de certas correções na cultura passadas à elas.

    E isso nunca foi censura, é educação. Ou vocês ainda acham que hoje, na escola moderna, se canta sem alterações “Atirei o Pau no Gato” por fazer parte do cancioneiro popular? Não é bem assim.

    A cultura pode ser, sim, passada em toda a sua plenitude, mas há época certa pra isso, assim como existe cada fase da nossa vida, e qualquer bom profissional da educação sabe disso.

  3. Na verdade, Marco, o real preconceito do Lobato não se nota no Sítio, que é uma obra fruto do tempo no que foi escrita. O preconceito de Lobato se nota na sua obra adulta e, principalmente, nas críticas que fez aos movimentos modernistas e ao avanço das artes. As declarações que fez repudiando a transformações é que são o reflexo disso.

  4. Nossa!

    Querem censurar Monteiro Lobato por preconceito não é mesmo? Acho muito legal que os esquerdistas queiram lutar por liberdade, respeito e tolerância, isso mesmo, tá certo né não, gente?

    Preconceito é coisa do passado, precisa ser eliminada. Então vamos lá acabar com a droga do funk (machista, imoral, indecente, pornográfico e homofóbico), o BBB (atentado ao pudor, pornografia e indecente), o rebolation e variações…

    Mas, nossa! Pq vcs estão fugindo, esquerda, por quê?

    Esse povo que enche a boca pra descer a lenha no grande Monteiro Lobato nunca fala mal de certas indecências de nossa sociedade, engraçado né…

  5. É bom que se perceba o perigo de banir a obra de Monteiro Lobato ou qualquer outro. Infelizmente os especialistas em literatura parece que não foram ouvidos. Dou o nome de alguns que deveriam ser consultados:
    .Anderson Pires da Silva – graduado em Letras,UFJF. Mestre em Literatura Brasileira,UERJ. Doutor em Estudos da Literatura,PUC-RJ. Pós-doutor em Literatura Brasileira,UFF.
    .André Monteiro Guimarães – graduado em Letras, UFJF. Mestre em Literatura Brasileira,PUC-RJ. Doutor em Estudos da Literatura,PUC-RJ. Pós-doutor em Literatura Brasileira,PUC-RJ.

    Duvido muito que pessoas como eles tenham sugerido ao MEC banir uma obra literária, pois eles sabem que o professor em sala de aula explica o contexto histórico, político e social das obras. Cuidado para nção trazerem de volta o Index Liber Prohibitorum de 1564, quando a Santa Inquisição bania livros “perigosos”.

  6. Acho que a discussão, seja ela qual for, deve sempre levar as pessoas a reflexões.

    Comparar Aluísio de Azevedo com Monteiro Lobato chega a ser cômico, pois só seria possível tal comparação se ambos fossem indicados para leitura por parte de crianças.

    A indicação de leituras sobre obras que marcaram tempos históricos como o Mulato, não tem correlação alguma a literatura infantil que educa e ensina crianças.

    Não temos que eliminar as evidências históricas do preconceito sofrido pelo povo negro no Brasil, mas sim tratá-las em outras esferas que não as da educação infantil.

    Educar as crianças contra o preconceito étnico deixando-as ler Lobato, intelectual eugenista da história de nosso país, tratar Tia Nastácia como uma preta beiçuda que deve se envergonhar de sua cor, que foi amaldiçoada por uma fada e por isso está preta e feia.

    Coloquem-se no lugar de uma criança negra lendo isso.

    O mau do Brasileiro é que temos os piores bandidos de nossa história como heróis.

    Acho que agora que somos adultos precisamos re-ler as obras dele para identificar traços marcantes e permanentes do “racismo” que persiste até os dias de hoje e é tratado como inexistente.

    Falo aqui enquanto Bioeticista que luto contra barreiras étnicas e práticas eugenicas, independente de minha origem étnica, pois não sou negro.

  7. Para o preconceito acabar temos que primeiro nos aceitar do jeito que somos… pretos…. da cor de macaco sim, como disse o mestre da literatura infantil Monteiro Lobato …. assim como os brancos tem cor de osga e os pardos, mexerica…. preto de alma preta… com muito orgulho…. e sem precisar de cota… não quero esmola… passei no vestibular sem precisar de cota…. o que eu precisei E USEI foi a biblioteca Benedito Leite que está em completo estado de abandono!!!! O que precisamos é de bons professores, de boas bibliotecas e, principalmente, coragem, pra jogar fora o discurso de vítimas!

  8. Aqui na Bahia tem um músico responsável pelo Axé, o Luiz Caldas, ele cantava “Nega do cabelo duro, que não gosta de pentear… quando passa na baixa do tubo, o negão começa a gritar…” vamos prende-lo então? que absurdo, sou pardo, me considero negro, brasileiro e não vi nem vejo preconceito algum ai, imagine, quantas músicas, quantas obras vamos ter de banir?

  9. Olha, acredito que as epócas onde ocorreram as duas situações são totalmente diferentes: uma retrada situação de estoria( folclore) praticamente lenda Tia Anastacia e a outra uma situação rotineira que ocorre nas escolas, faculdades e entre amigos, não acredito que seja motivo de choro, a não ser que ele seja muito mais muito sensivoooo!!!

  10. Censuraaa!! A liberdade de expressão está em risco. Daqui a pouco Nelson Gonsalves também vai ser censurado. Só falta isso.

    • Silvaninha, você errou de Nelson! Não é o GonÇalves…. é o Rodrigues!

  11. Não existe preconceito na obra citada.
    Percebe-se que aquele que levantou a polêmica nem conhece o sentimento das histórias, ou os personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo.
    Qualquer criança, lendo ou assistindo, se encanta com Tia Nastácia.
    E por que esse carinho que sente-se por ela? Porque é o autor quem deu a esse personagem o carisma e uma importância tão grandes que é impossível existir um Sítio do Pica-pau Amarelo sem Tia Nastácia!
    Portanto, não existe intenção de desmerecer Tia Nastácia por ser negra, com algumas palavras que eram usadas na época, nem sempre como pejorativo.
    Em minha opinião é um alarde fútil por algo pequeno quando existem, velada e abertamente, outras formas bem fortes de racismo e discriminação na sociedade brasileira, maus exemplos diários para as crianças.

    • Monteiro Lobato achava que a solucao par a”melhorar o Brasil era a Eugenia
      ideologia racista criada na Europa no seculo 19.

      em ma de suas cartas ele refere-se aos negros como ” essa pretalhada inextinguivel”

      acredito que vc desconheca esses “detalhes” par apdoer dizer que nao ha racismo em sua obra.

  12. Será que esse “teor racista” não está lá justamente para ser pensado?… Por acaso o racismo foi extinto?… O etnocentrismo, de que se teve prova recentemente, por via de Mayara Petruso?… O censor agiu como quem examina uma folha, desconsiderando a árvore. A árvore, no caso, é a boneca Emília, a grande personagem da literatura “inafantil” de Lobato. Sugiro que leiam “Memórias da Emília”. Ela diz lá: “…nasci do ano de…, FILHA DE GENTE DESARRANJADA…”. E foi feita de um pedaço de saia de Nastácia. Logo, Emília “descende” de negros. É uma representação de povo, do povo pobre, e age com inteligência, é independente, não se ajoelha para ninguém. Lobato esculpiu nela a imagem de povo que ele desejava ver no Brasil. Aliás, “Emília” foi objeto de minha tese de doutorado e publiquei um artigo em livro com este título: “A boneca Emília como metáfora de inclusão social”, in IMAGENS MARGINAIS. Org. Bianca Freire-Medeiros e Maria Helena Braga e Vaz da Costa. Publicado pela Editora da UFRN, 2006.
    Um abraço a todos.

  13. para o filho do deputado do grupo de roseana o preconceito vale, ou seja o fato de ser vaiado por ser maranhense é gravissimo, quanto o ser humano ser chamado de carvão não tem cabimento na atualidade ou ainda na obra de monteiro lobato na tua concepção. é preciso vc decidir puritano, malefico ou ao menos sensato, pra não dizer que é só a imprensa sulista que procede com discriminação. em outras palavras a imprensa local também destila seu veneno quando pode e diga-se de passagem só não vale para a turma da branca.

    Resp.; Claro que tem cabimento ser tratado com desrespeito por causa da cor da pele – seja branca, preta ou amarela. O que está-se discutindo é o contexto histórico. A obra foi escrita em uma peóca em que a pátrulha contra o racismo não era tão poderosa. E isso cvabe aos professores explciar aos alunos – até enriquece a formação cultural. O que não pode é banir um clássico porque se descobriu – agora – que há teor racista.

  14. O que faremos com “O Mulato”, de Aluísio Azevedo, na ótica desses intelectualóides meu caro Marco Deça? Coitado do Raimundo. “…tinha vinte e seis anos e seria um tipo acabado de brasileiro, se não foram os grandes olhos azuis, que puxara do pai”. Queimem tudo. Especialmente “O Mulato” e tudo de Monteiro Lobato, um verme preconceituoso que deve ser condenado a morte, mais uma vez.

    Resp.: Quem devem ser queimado são estes intelectualóides de botequim (exatamente como muitos em São Luís). Discussões tolas e sem-sentido, coisa de quem senta o “rabo” na cadeira do serviço público e passa o dia a iajar na maionese.

  15. Olá, Marcus, sou seu leitor diário, admiro sua forma de conduzir seus textos, mas não podia deixar de me posicionar contrário a sua postura quanto a essa matéria, visto que demonstra puro descaso e desrespeito pala posição adotada pelo pesquisador do Mec. Veja bem, compreendo que tanto você, como qualque pessoa tem o direito de contestar a posição do estudioso, aliás, eu também usufruir bastante a obra de Monteiro Lobato. No entanto o meu gostar da obra dele, por tê-la como parte de minha infância, não me impede de ver e de condenar o preconceito presente em sua obra, embora concorde com você, quando chamas a atenção para o momento histórico em que o texto foi escrito. Em minha avaliação com educador, a discussão sobre como a obra deve ser tratada nas escolas públicas carece de uma reflexão bastante comprometida com a questão do racismo sim, mas sem que essa preocupação nos conduza a destruição de nossa obras literárias, visto que cada trabalho literário, dentre outras características, revelara os valores, as ideologias, os princípios norteadores da sociedade da época em mque foi inscrito. O que não temos direito é de banalisar a preocupação com nossas obras educativas que estão recheadas de atitudes fomentadoras do racismo.

    Resp.: Bom, então pelo que li do seu coimentário, você concorda inteiramente comigo! Tudo o que você diz foi exatamente o que eu disse no texto. Fica sem sentido, então, a frase do início: “demonstra puiro descaso e desrespeito pela posição adotada pelo pesquisador do MEC”. Não é descaso nem desrespeito, é contestação pura e simples, mesmo. E você também mostra isto em seu comentário. Então, meu caro, sinceramente, precisa esclarecer: você é a favor ou contra o banimento da obra de Monteiro Lobato pelas questões levantadas pelo pesquisador?

  16. Concordo com você. O problema é que no governo da Dilma os “burocratas esquerdóides” vão aumentar muito mais.

    Resp.; É um fato a lamentar, como muitos do governo Lula. Nada que me faça lamentar o voito nela, no entanto.

  17. o tal preconceito contra o filho do deputado federal pedro fernandes há é… pura bobagem! á marcos essa tua balança, não é discriminado em mas não passa no imetro á isso é pura bobagem; sera?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *