Entre os aliados do ministro do Supremo Tribunal Federal, os deputados Othelino Neto e Rodrigo Lago criticaram a fala do governador ao jornal O Globo; outros preferiram “não se manifestar neste momento”

RISCANDO O CHÃO. Reagindo ou não ao que disse o governador, aliados do ministro Flávio Dino viram a entrevista a O Globo como declaração de guerra
Em primeira mão
Atingiu o fígado do dinismo no Maranhão a entrevista do governador Carlos Brandão (PSB) ao jornal O Globo, confirmando suas posições políticas, desqualificando o grupo de aliados do ministro Flávio Dino e revelando uma “interferência” do próprio Dino no governo; mas entre os principais aliados do ministro, apenas os deputados estaduais Othelino Neto (Solidariedade) e Rodrigo Lago (PCdoB) se manifestaram.
“O governador disse pela primeira vez publicamente o que fala na intimidade e pratica desde o início do seu governo: o distanciamento do legado político responsável pela eleição dele. O ministro Flávio Dino está obviamente fora das lides políticas. Agora, a passagem dele pela politica está registrada na história e por muito tempo será pauta, quer seja entre os políticos ou mesmo pelo povo”, disse Othelino.
“Em razão de profundas divergências programáticas, há tempos sustento que todo o grupo que defende o legado do Governo Dino deixe o governo. Não foi esse o governo que elegemos, infelizmente”, completou Lago.
- Procurados, o deputado federal Márcio Jerry e o estadual Carlos Lula disseram achar melhor evitar comentários neste momento;
- outros, como os deputados estaduais Júlio Mendonça e Leandro Bello nem responderam às mensagens até o fechamento deste post.
O ponto mais grave da entrevista de Brandão foi o envolvimento do ministro Flávio Dino no debate político estadual, diretamente ou mesmo por intermédio do que Brandão chamou de “grupinho”.
“Tem um grupinho no estado ligado ao ministro (Dino) que cria essa situação e leva a nível de Supremo. O que a gente esperava é que não tivesse interferência do Supremo, lamento muito isso. É muito ruim o Judiciário entrar nessa esfera. Espero que seja resolvido. Tentei algumas vezes [falar com o ministro], mas não prosperou”, revelou Brandão.
O governador deixou claro o desalinhamento com os postulados do dinismo:
- assumiu claramente a relação com o setor do agronegócio, do qual faz parte;
- reafirmou alinhamento com o presidente Lula, mas de forma pessoal, não ideológica;
- e confirmou aproximação com o grupo Sarney, principal adversário de Dino no Maranhão.
“Nós disputamos em 2014 contra o Lobão Filho e em 2018 contra a Roseana Sarney, só que em 2022 eu me aproximei muito do grupo do presidente José Sarney. Foram nossos adversários por dois mandatos, mas hoje estamos muito próximos. Há pessoas do MDB que participam do meu governo, e eles entregaram a presidência do partido para o meu irmão (Marcus Brandão). Estamos alinhados. (…) O Flávio sempre foi muito ferrenho adversário dos Sarney, é uma pessoa mais ideológica. Eu não sou assim, tenho boa relação com os evangélicos, com o agro. Eles me adoram”, disse o governador.
A posição dos dinistas – alguns respondendo e outros silenciando – reforça a ideia de que acusaram mesmo o golpe.
E agora precisam assimilá-lo…
