Braide cresce enquanto Brandão patina na indecisão

Sem uma definição clara do governador, a falta de rumo político do seu grupo e a indefinição quanto ter como candidato o vice Felipe Camarão favorece claramente o prefeito de São Luís

 

RISCOS ELEITORAIS. Simplicio Araújo aponta riscos para o governo Brnadão com a presença de Braide na disputa

Por Simplicio Araújo*

Faltando poucos meses para o primeiro turno das eleições de 2026, a corrida pelo governo do Maranhão parece estar em câmera lenta. Oficialmente, apenas o ex-prefeito e médico Lahesio Bonfim (Novo) já se lançou como candidato. Enquanto isso, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, reeleito com folga, evita falar sobre uma possível candidatura ao governo.

Braide, no entanto, se fortalece mesmo sem dizer uma palavra. Sua maior barreira não é a falta de intenção, mas sim o dilema de abandonar a prefeitura da capital, onde vem desempenhando um bom trabalho, para enfrentar a máquina pesada do Palácio dos Leões.

E por que o nome de Braide cresce?

  • Simples: pela completa inércia do governador Carlos Brandão;
  • Até agora, Brandão não deu um rumo claro ao seu grupo político.

Ele não promoveu a reunificação da base que o elegeu e ainda não deixou claro se vai ou não romper com a fórmula que o levou ao poder, ou seja, apoiar seu vice, Felipe Camarão. O resultado? Um vácuo que favorece Braide e abre espaço para o surgimento de outros nomes na disputa pelo governo do Maranhão.

O grupo de Brandão e os remanescentes do governo Flávio Dino já sabem da realidade: divididos, caminham para uma derrota desastrosa.

Não é segredo para ninguém a relação estremecida entre Brandão e Dino. Também não é mistério que o atual governador deseja manter o controle sobre seu sucessor. Mas, se a prioridade fosse a sobrevivência política do grupo, Brandão deveria agir como líder maior, reunificando sua base, em vez de se preocupar com eventuais dissidentes – algo natural em qualquer governo. Flávio Dino, por exemplo, enfrentou três dissidentes dentro do próprio grupo e soube lidar com isso. O foco deveria estar em buscar figuras neutras, sem ambições eleitorais, para construir uma ponte de convergência, e não em apostar em nomes que aprofundem ainda mais as divisões.

O erro de insistir na cisão pode custar caro. A vitória de Brandão em 2022 foi apertada — apenas 51% dos votos no primeiro turno. Um cálculo malfeito pode levar a eleição para o segundo turno, onde o governo perderia completamente o controle do jogo, deixando a população decidir sem qualquer amarra política.

Mais que isso: no cenário atual, já parece inevitável que uma das vagas para o Senado fique com o grupo de Braide, caso ele entre na disputa. Isso significa que boa parte da classe política começa a enxergar nele uma alternativa real de poder, capaz de formar uma bancada estadual e federal expressiva.

Brandão, por sua vez, tenta reagir.

  • Em entrevistas, afirmou que seu governo “vai começar agora”, com anúncios e entregas de obras. Mas esperar tanto para agir pode ter um custo alto;
  • Se demorar demais para definir seu caminho e consolidar alianças, corre o risco de ver sua base política evaporar e perder o controle da sucessão.

Diante desse cenário, fica a pergunta: Braide teria coragem de renunciar à prefeitura para disputar o governo, enfrentando um ambiente onde o apoio político tem sido negociado a preço altíssimo? Ele entraria na corrida apenas para plantar uma semente para o futuro?

E Brandão? Vai “terminar” seu mandato e implodir de vez o que chamava de “nosso governo”? Se continuar adiando uma decisão clara, pode acabar sem governo, sem senador e sem bancada?

Como a política é algo muito dinâmico, muda como o vento, essas perguntas e reflexões servem para o hoje, o amanhã a Deus e as boas decisões pertencem.

*Simplício Araújo é ex-secretário de Indústria e Comércio

Marco Aurélio D'Eça