Faltando trinta dias para o Sábado de Aleluia – dia em que Carlos Brandão precisa decidir se sai ou continua no governo – os caminhos para uma realiança mostram-se mais tortuosos

LULA QUER SER O AVALISTA DA REALIANÇA ENTRE CAMARÃO E BRANDÃO; mas isso implica perdas e danos de lado a lado
Opinião
A praticamente 30 dias da data final para decidir se sai ou continua no comando do estado – no sábado de aleluia, em 4 de abril – o governador Carlos Brandão (sem partido) convive nesta reta final com novas possibilidades de uma realiança com os remanescentes do governo Flávio Dino, reconpondo a base que o fez governador e o reelegeu em 2022. Mesmo admitindo a hipótese de que os dinistas garantirão a estrutura para a eleição de Brandão ao Senado, há outras implicações que precisam ser avaliadas a esta altura do campeonato.
Uma dessas questões envolve exatamente as candidaturas ao Senado.
- só no grupo do governador são cinco pré-candidatos a senador, incluindo ele próprio;
- além de Brandão, são citados Weverton Rocha, André Fufuca, Iracema Vale e Roseana Sarney;
- a confirmação de Brandão na disputa significará, automaticamente, a saída de três desses nomes.
Superada a questão do Senado, outra batalha se forma, para saber quem será o companheiro de chapa do governador Felipe Camarão (PT), que concorreria à reeleição no cargo, caso o acordo fosse fechado.
Entre as supostas propostas apresentadas pelos dinistas – e que, supostamente, serão apresentadas a Brandão pelo ex-ministro José Dirceu (PT) – há a garantia ao governador de indicar o vice de Camarão.
No grupo dinista está a senadora Eliziane Gama (PSD), esquecida por Brandão desde o início do governo; leal a Dino e ao presidente Lula (PT), Eliziane Gama teria que ser contemplada na chapa a ser formada na nova aliança.
- se ela mantivesse a candidatura à reeleição ao Senado, significaria que, no grupo Brandão, mais um dos nomes ao Senado teria que ser realocado;
- se, por outro lado, Eliziane fosse indicada a companheira de chapa de Felipe Camarão, aí a proposta de Brandão indicar o vice cairia por terra.
São apenas dois pontos que mostram os gargalos de uma realiança entre dinistas e brandonistas.
O acordo não envolve apenas Lula e Brandão, ou Brandão e Camarão; envolve diversos outros personagens, alguns deles vindo desde 2023 quebrando lanças em favor de seus projetos.
E são todos esses gargalos que tornam um novo acordo, se não impossível, pelo menos de difícil execução; a menos que seja imposto de cima para baixo.
Mas isso também vai gerar ruídos…
