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Quatro histórias de prefeitos e agiotas…

Este blog já catalogou quatro histórias de prefeitos envolvidos com a quadrilha de agiotas comandada por Gláucio Alencar, preso como mandante do assassinato do jornalista Décio Sá.

Um deles falou ao próprio blog.

Trata-se de Vagno Pereira, o Banga, ex-prefeito de Serrano do Maranhão. Em depoimento depois repetido à rádio Mirante AM, Banga foi o primeiro a envolver publicamente o delegado Pedro Meireles e o advogado Ronaldo Ribeiro com a prática criminosa de agiotagem. (Releia aqui…)

O prefeito de Rosário, Marcone Bimba, não falou sobre o assunto, mas confirmou a polícia que tinha ligações com Gláucio a quem devia R$ 2,5 milhões, segundo apurou o blog. Esta relação o levou a desistir da reeleição, após a prisão do agiota.

Outro prefeito foi citado em comentário no post “O Tripé da Agiotagem..”.

O comentarista que se identificou por Vieira contou que o prefeito Tancledo Araújo, de Paulo Ramos, certa vez recebeu no delegado Pedro Meireles, acompanhado do delegado Pedro Meireles.

– O Sr. Tancledo recebeu um telefonema não identificado que o Delegado estaria vindo juntamente com o Sr. Gláucio, cujos foram recebidos na casa da mãe do Tancledo, e que na chegada desceram dos carros apenas os policiais que acompanhavam o Delegado, cujo permaneceu no carro juntamente com o agiota Gláucio Alencar, que após uma hora de conversa entre os três (Glaúcio, Meireles e Tancledo) é que os mesmos resolveram descer, tiveram uma meia hora na mansão de Dona Maria dos Anjos e daí partiram sem esclarecer pra ninguém o motivo real daquela visita – conta o comentarista.

O último caso é contado pelo próprio envolvido.

O comentarista que se identificou por Francisco Boges da Silva – provavelmente um prefeito ou ex-prefeito – garante ter sido acusado injustamente por Pedro Meireles, a quem chama de “delegadinho”.

O comentário foi feito no post “A relação de Pedro Meireles e Décio Sá…”

– No meu caso, inventou provas contra mim e, por despeito, contra meu filho, que foi injustamente execrado sem nunca ter qualquer envolvimento com qualquer prefeitura. Vejam os autos. Agora, que ele responda e pague pelos seus crimes, que eu pagarei pelos meus – disse o comentarista.

São apenas quatro hsitórias de prefeitos e agiotas.

Há muitas outras, espalhadas pelo Maranhão…

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Sem agiotas, campanhas desaparecem no interior…

César Pires: prática de agiotagem leva à miséria

Quem acompanha as eleições no interior do estado tem observado um cenário novo neste pleito: pela primeira vez em muitos anos, a campanha parece não existir em vários municípios.

Para estes observadores, o motivo é simples: a prisão da quadrilha de agiotas chefiada por Glácuio Alencar inibiu a ação de outros criminosos.

O resultado é uma campanha sem o mesmo volume das últimas eleições.

 – A campanha parece parada, silenciosa – diz o deputado Hélio Soares (PP), que tem base eleitoral em diversos municípios. Para ele, não resta dúvidas de que o cerco sobre a agiotagem tem influenciado na falta de dinheiro.

– Tem uma minoria presa e uma maioria que está com medo da ação da polícia – avaliou o parlamentar.

Hélio Soares vê esvaziamento de campanhas

A agiotagem foi tema, inclusive, de um discurso, ontem, do líder do governo na Assembleia, deputado César Pires (DEM).

 Com base em informações e documentos, Pires analisou a prática criminosa e confirmou dados já revelados neste blog, de que a quadrilha de Gláucio Alencar controlava mais de 1/3 das prefeituras. (Releia aqui)

– Fiquei assustado quando o sistema de segurança me comunicou que 87 prefeituras estão envolvidas diretamente com o sistema da agiotagem, isso só com os agiotas envolvidos na morte do Décio Sá – afirmou o líder do Governo.

Para ele, esta situação também é uma das que influenciam a miséria que assola o Maranhão.

– Como é que nós podemos melhorar os indicadores sociais se o sistema bancário está vendido? Se parte da polícia está podre? Se as políticas estão podres e se a maioria de nossos gestores compromete a Saúde e a Educação do município? – questionou Pires.

Gláucio é só um dentre tantos agiotas

Os agiotas como Gláucio são responsáveis pelo financiamento das campanhas eleitorais no interior. Em troca, passam a controlar o setor financeiro das prefeituras, cobrando dez, vinte, trinta vezes mais do que “emprestaram”.

Há casos, segundo a polícia, em que as prefeituras comprometiam até 80% dos recursos da merenda escolar apenas com agiotas.

Espera-se agora que o vazio da campanha possa resultar em gestores melhores.

Sem comprometimento com bandidos.

Estejam não estes bandidos incrustados no serviço público…

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Mais de um terço das prefeituras maranhenses nas mãos de Gláucio Alencar…

Gláucio: controle de prefeituras em todo o Maranhão

A polícia maranhense calcula em cerca de 90 o número de prefeituras maranhenses que têm “negócios” com o agiota Gláucio Alencar, preso como mandante do assassinato do jornalista Décio Sá.

E este é apenas o total de prefeituras controladas por Alencar e sua quadrilha, fora aquelas que têm ligações com outros agiotas maranhenses.

Este blog apurou que a polícia calcula em torno de 80% o total de recursos da merenda escolar que ficava com Alencar e seu bando.

Para justificar o gasto do dinheiro, Gláucio utilizava notas firas de suas próprias empresas.

Documentos que comprovam a manipulação das verbas, sobretudo as da merenda escolar, já estão em poder da comissão que investiga os crimes de agiotagem no estado, assim como cheques de diversas prefeituras.

Um dos trabalhos da polícia maranhense é fazer a triagem do que é crime local e o que pode ser considerado crime federal.

Para isso, uma equipe da Polícia Federal também já está analisando a documentação, o que pode complicar a vida de prefeitos corruptos e dos criminosos.

Estejam eles onde estiverem…

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Polícia vai chamar Banga para depor…

Banga conta tudo…

A comissão que investiga os crimes de agiotagem no Maranhão decidiu convocar o ex-prefeito de Serrano do Maranhão, Vagno Pereira, o Banga (PTB), para contar sua relação com o agiota Gláucio Alencar.

Em entrevista a este blog, anteontem, e reafirmada ontem na rádio Mirante AM,  Banga contou que, quando assumiu a prefeitura, em 2009, foi ameaçado por Gláucio a assinar cheques da prefeitura que estavam em poder do agiota.

– Ele me procurou e me ameaçou para eu pagar R$ 200 mil. Disse que não por que não devia nada. Ele disse que tinha 20 cheques pra eu assinar – contou Banga.

O prefeito contou ainda que a prisão promovida pelo delegado Pedro Meireles não tinha razão de ser, e só saiu após receber nova ameaça de Gláucio Alencar.

– Ele me garantiu: “tu vai me pagar” – disse o ex-prefeito.

Na entrevista à rádio Mirante AM, Banga citou ain da o deputado estadual Raimundo Cutrim (PSD) e o advogado Ronaldo Ribeiro.

Ainda não está definido o dia do depoimento de Banga…

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O tripé da agiotagem…

Meireles e Ribeiro no velório de Décio (Biné Morais/O EstadoMA)

Se havia alguma dúvida em relação ao envolvimento do delegado da Polícia Federal Pedro Meireles em algum tipo de crime, ela foi praticamente desfeita hoje pela delegada-geral de Polícia Civil, Cristina Menezes, em entrevista ao jornal O EstadoMaranhão.

 – Há indícios da participação dele [Pedro Meireles] na quadrilha [de agiotas]. Se houver necessidade, ele pode ser chamado – disse a delegada, ao jornalista Leandro Santos, em matéria publicada na edição de hoje do jornal.

Cristina Menezes deixa claro também, que a amizade de Meireles com Gláucio Alencar, confirmada pelo próprio delegado, e os indícios de envolvimento dele com a quadrilha de agiotas, não implica dizer que ele esteja envolvido no assassinato do jornalista Décio Sá.

– No entanto, isso [ a relação com o agiota] não implica dizer que ele tenha relações com a morte de Décio Sá – afirmou a delegada-geral.

Gláucio Alencar, o comandante

Mas as ligações de Meireles com a quadrilha de agiotas é corroborada com outros fatos, alguns já de conhecimento da polícia maranhense.

Segundo apurou este blog, a polícia já tem indícios suficientes para acreditar que Meireles e o advogado Ronaldo Ribeiro faziam parte de um tripé, que tinha Gláucio Alencar na outra ponta, montado para extorquir prefeitos ou fazê-los pagar, com dinheiro público, os “empréstimos” feitos pelo agiota, preso como mandante do assassinato de Décio Sá.

Resta confirmar se as operações comandadas por Meireles tinham ou não ligações com os interesses de Gláucio Alencar.

São dados já apurados. As investigações continuam.

E devem ter desdobramentos…

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Prefeitos começam a abrir o bico…

O início das investigações da polícia maranhense sobre os casos de agiotagem no Maranhão, estimulou muitos prefeitos e ex-prefeitos a contar o que sabem.

Boa parte dos gestores são tão criminosos quanto os agiotas e suas quadrilhas, por usar dinheiro público no pagamento das dívidas.

Mas muitos contam histórias escabrosas de achaques, extorsão, intimidação e chantagem, promovidas pelos bandidos e seus agentes infiltrados nos poderes públicos constituídos.

Muitos querem falar à polícia.

Outros terão que falar, de uma forma ou de outra.

Este blog ouviu ontem do ex-prefeito de Serrano do Maranhão, Vagno Pereira, o Banga, uma história que tem sido comum no relato de outros prefeitos.

Envolve exatamente os personagens já citados em matérias sobre o caso e nos bastidores das investigações policiais.

Histórias que mostram o perfil pouco republicano de gente que deveria dar exemplo.

Aguarda-se à conclusão do inquérito da polícia…