3

O risco verde-oliva…

Um número cada vez maior de militares no governo Jair Bolsonaro – tenha ele ou não legitimidade para nomear quem quiser – é, sim, para deixar preocupado qualquer um que tenha vivido o mínimo do período ditatorial

 

Oriundo do Exército, Jair Bolsonaro tem cada vez mais “irmãos da caserna” ao seu lado para governar; e isso é, sim, um risco para as liberdades individuais, gostem ou não os bolsonaristas

Editorial

As forças armadas e suas forças auxiliares, em qualquer país, devem ser sempre invisíveis.

Quanto menos interferirem nos processos econômicos, sociais, políticos e culturais – em qualquer circunstância – serão sempre mais eficientes.

Neste aspecto é natural que as lideranças, pensadores e observadores democráticos – tenham eles vivido ou não o auge da ditadura militar – se assustem com a profusão de generais, coronéis e outros oficiais nas estruturas de poder do futuro governo Jair Bolsonaro (PSL).

Minimizar a presença dessas figuras é dar de ombros para a história.

Estejam ou não imbuídos dos mais profundos ideais democráticos, os militares representam, sim, guerras e rumores de guerras, que representam atentado às liberdades

É claro que Bolsonaro tem legitimidade para nomear quem quiser para seu ministério; mas é legítimo também que aqueles que não concordem – ou que tenham temor pelas restrições democráticas que elas representam – lancem luz sobre os riscos do governo verde-oliva.

Sobretudo pelo fato de ser Bolsonaro quem é.

Sobretudo pelo seu histórico de truculência, autoritarismo, desprezo pelas minorias e despreparo no trato com os que não concordam com suas ideias.

Antigos e neo-bolsonaristas podem até torcer para que o governo Bolsonaro possa dar uma lição nos que duvidam de sua capacidade ou temem pelos riscos que ele representa.

Mas não podem minimizar a preocupação dos que conhecem o que é um país sem liberdade.

Desdenhar dessas preocupações também já beira a loucura.

E também representa um risco para o país…

5

Ao perseguir a esquerda, Bolsonaro acena com pensamento único no Brasil…

Presidente eleito diz que quer um Brasil sem ideologias, mas tenta impor os ideais da extrema direita como pensamento único, transformando o país em uma espécie de “ditadura branca”, onde só se poderá pensar de uma forma

 

MORDAÇA IDEOLÓGICA. Impedir alguém de expressar seui pensamento político é como carregá-lo num pau de arara em praça pública

Editorial

O discurso do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), e dos seus auxiliares, é o da transformação do Brasil em um país sem ideologias. Mas seus gestos, suas ações e seus discursos apontam apenas para a mudança de perfil ideológico e não para o fim das ideologias.

Bolsonaro quer um país com ideologia de Direita e não sem ideologia – até porque impossível é viver sem ideologia.

Ao perseguir petistas, comunistas e esquerdistas no Ministério Público, na Polícia Federal, no Ministério da Saúde, no Meio Ambiente e Agricultura, e na Educação, o presidente aponta para uma espécie de ditadura, em que só se pode pensar de um jeito.

O futuro ministro da Educação declarou que pretende “varrer o marxismo das escolas públicas”. E deixa claro qual o seu ideal de ensino: o militar, com a consequente ordem unida cívica que marca este tipo de educação, focada na “hierarquia e disciplina” dos quartéis.

Bolsonaro já disse que não quer na diplomacia brasileira embaixadores identificados com o pensamento de esquerda; exige o denuncismo contra professores de esquerda nas escolas e faculdades, e  forçou o abandono dos médicos cubanos no programa “Mais Médicos”.

HOMENS E ARMAS. Com suas declarações pós-eleição, Bolsonaro deixa claro o caminho da perseguição ideológica

Uma sociedade é mais desenvolvida quanto mais ela for plural.

E o pluralismo de uma sociedade se funda na liberdade de expressão, de pensamento e de credo; na igualdade das raças e na equidade de gênero.

Exigir de uma sociedade pensamento único no que diz respeito à sua história, suas raças e seus credos é castrar as liberdades individuais e transformar os cidadãos em espécies de robôs, fadados a seguir o rebanho.

Para muitos grupos – evangélicos e religiosos de um modo geral; militares e conservadores – esta sociedade é a ideal porque força o Estado a fazer por eles o que suas pregações já não têm mais forças para fazer.

Cada um pode conviver com seus ideais de vida, suas crenças e suas ideologias da maneira como bem lhe convir; e pode até cobrar fidelidade canina dos que aceitam seguir suas doutrinas.

Mas fazer do estado instrumento de opressão a quem pensa diferente, só pode ser classificado de uma única forma: ditadura, seja ela assassina ou não.

É simples assim…

4

Quatro investigados e um justiceiro…

Ministério de Jair Bolsonaro vai iniciar com políticos denunciados pelos mesmos crimes que o presidente eleito condenou na campanha; e terão do lado um juiz que fez fama ao agir contra um partido específico

 

ONYX LORENZONI COM SÉRGIO MORO. Pedido de desculpas resolve problema da corrupção e caixa2?

O poderoso futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, é investigado por fraudes em negociações com Fundos de Pensão; mesmo assim foi confirmado no governo Jair Bolsonaro (PSL).

O futuro chefe da Casa Civil, Onys Lorenzoni (DEM), é investigado por recebimento de caixa 2 das empresas investigadas na operação Lava Jato; mesmo assim, foi confirmado por Bolsonaro.

MORO COM PAULO GUEDES. Corrupção em fundos de pensão e interlocução por ministério

A futura ministra da Agricultura, Teresa Cristina (DEM), é investigada por favorecer a JBS, empresa-símbolo da corrupção investigada na Lava Jato; mesmo assim, estará na equipe de Bolsonaro.

O ministro da Saúde anunciado nesta terça-feira, 20, Luiz Henrique Mandetta, é investigado por fraude em licitação, tráfico de influência e Caixa 2; e teve seu nome anunciado por Bolsonaro.

Todos estes investigados sentarão na mesma mesa do futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, o justiceiro do PT, que já até tem discurso para defender os colegas de ministério.

Este será o governo Bolsonaro…

1

Flávio Dino atribui interesse político às ações de Sérgio Moro…

Em entrevista ao portal Diário do Centro do Mundo, governador maranhense diz que o ex-juiz federal estava contaminado com propósitos políticos, o que se prova com a nomeação para o governo que tinha o ex-presidente Lula como adversário

 

GUERRA PESSOAL. Formados na mesma turma, Sérgio Moro e Flávio Dino travam guerra pessoal que pode virar pública m 2022

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) voltou a criticar a operação Lava Jato, a prisão do ex-presidente Lula e a postura do ex-juiz federal Sérgio Moro.

Para Dino, que concedeu entrevista ao portal Diário do Centro do Mundo, a indicação de Moro para o ministério de Jair Bolsonaro (PSL) é a prova cabal de que o ex-juiz tinha interesses políticos ao agir contra  Lula e contra o PT.

– O juiz que conduziu isto [a Operação Lava Jato] estava, infelizmente, contaminado com propósitos políticos e a prova cabal é a sua recente investidura na condição de ministro da Justiça do governo que tinha o presidente Lula como adversário. Então é uma prova irretorquível que havia uma contaminação pré-existente – afirma Flávio Dino.

A entrevista ocorreu um dia antes do encontro que os governadores do Nordeste – incluindo o comunista maranhense – têm nesta quarta-feira, 21, com o representante do governo Bolsonaro.

Que vem a ser o próprio Sérgio Moro…

1

Em reunião com Bolsonaro, Allan Garcês previu nomeação do ministro da Saúde…

Médico maranhense que participa da transição em Brasília chegou a sugerir ao próprio presidente eleito, ainda durante a campanha, o nome de Luiz Henrique Mandetta, confirmado ontem, para o comando do ministério

 

O médico maranhense e ex-candidato a deputado federal Allan Garcês previu com meses de antecipação a nomeação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Na verdade, Garcês chegou a fazer ele próprio a indicação do deputado democrata, quando teve a palavra em um encontro de médicos com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), ainda durante a campanha.

– Eu vou me atrever a sugerir um nome para próximo ministro da Saúde; Luiz Henrique Mandetta – disse Allan Garcês, para aplausos da plateia presente ao encontro, no dia 27 de junho.

Mandetta, que é deputado federal pelo DEM do Mato Grosso do Sul, foi confirmado na pasta nesta terça-feira, 20, pelo próprio Bolsonaro, em reunião com a bancada democrata.

Sinal de que Allan Garcês está, no mínimo, em sintonia fina com o governo Bolsonaro…