Discussões sobre o convite ou não ao governador ganham os grupos de troca de mensagens e aumenta a expectativa em torno da festa, no sábado, 30, que pode significar a oficialização do desenlace entre os dois

DINISTAS DE UM LADO, BRANDONISTAS DE OUTRO. Presença de Brandão em casamento de Dino virou bolsa de apostas em todo o Brasil
Bem ao seu estilo, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino vinha trabalhando nos bastidores para que o seu casamento com a companheira de 14 anos Daniela Lima fosse um evento discreto, em Petit Comité, no sábado, 30.
Mas o assunto vazou e ganhou os meios midiáticos por um detalhe político: não há informações sobre convite ou presença confirmada do governador Carlos Brandão (PSB).
- desde a semana passada, blogs maranhenses apontam que Brandão não recebeu convite para a festa;
- a partir desta segunda-feira, 25, o assunto ganhou também as manchetes de portais nacionais;
- o destaque é o mesmo: Brandão não foi convidado, o que aponta para rompimento entre eles.
Não acredito que, caso o ministro o tenha convidado, o governador decida não ir; se não estiver na festa, é por que não recebeu convite”, disse a este blog Marco Aurélio d’Eça um aliado de quatro costados de Flávio Dino.
Convidar ou não para casamento virou critério político? Flávio Dino sempre foi reservado, vida pessoal bem reservada, mesmo quando governador. É um casamento, não um ato político; deixemos os noivos em paz”, disse outro dinista, este mais incomodado com o assunto.
Casamentos costumam ser atos meramente religiosos, familiares, sociais, no máximo; mas a história mostra que, vez por outra, transformam-se em atos políticos de forte simbolismo:
- em 1997, a então governadora Roseana Sarney casou-se pela segunda vez com Jorge Murad, tornando o cunhado, Ricardo Murad, inelegível. (Saiba aqui)
- durante a ditadura, o casamento dos presos políticos Inês Etienne Romeu e Jarbas Silva Marques virou símbolo da luta contra o regime militar. (Leia aqui)
- na Europa da Idade Média, o casamento entre nobres legitimava o poder e a autoridade dos governantes, pois envolvia união de territórios (Leia aqui)
O casamento era uma aliança política, forjada de acordo com interesses estratégicos do reino, fosse para selar acordos de paz ou agregar terras. Enquanto isso, as relações extraconjugais eram o refúgio para o prazer”, diz o escritor Sérgio Alberto Feldman, no livro “Amantes e Bastardos”, que analisa as relações conjugais e extraconjugais da alta nobreza portuguesa no século XIV.
É pouco provável que o agora ministro do STF tenha pensado em dar ao seu matrimônio qualquer tom de pompa ou demonstração de poder, mas as circunstâncias da época – e a sua própria importância política para o Maranhão – já transformaram o evento em um fato político de repercussão nacional.
E será o assunto principal da política antes, durante e depois da cerimônia…


