Inteligência Artificial e Democracia: estamos vivendo um experimento sem consentimento?!?

MEMBRO DA ABRASCI, WALDIR MARANHÃO debate os limites da Inteligência Artificial e seus impactos

Por Waldir Maranhão

A Inteligência Artificial costuma ser apresentada como uma das maiores promessas do século XXI. Ela poderá ajudar na medicina, acelerar descobertas científicas, melhorar serviços públicos, apoiar a educação e ampliar a produtividade. Mas existe outro lado dessa transformação. A mesma tecnologia que promete resolver grandes problemas também pode concentrar poder, ampliar a vigilância, manipular informações, enfraquecer democracias e tornar sociedades inteiras dependentes de sistemas que não compreendem.

  • por isso, a grande questão não é apenas o que a IA pode fazer;
  • a questão decisiva é: quem controla a Inteligência Artificial?

Uma tecnologia poderosa demais para ficar nas mãos de poucos

A IA avançada está concentrada em poucas empresas globais. Essas corporações controlam os dados, os modelos, os servidores, os investimentos e boa parte da infraestrutura necessária para desenvolver sistemas cada vez mais poderosos. Essa concentração cria uma nova forma de desigualdade.

De um lado, empresas capazes de capturar dados, conhecimento e recursos naturais. De outro, populações inteiras usando sistemas que não controlam, não auditam e muitas vezes nem compreendem. Quando uma tecnologia passa a influenciar o trabalho, a educação, a informação, a segurança e a economia, ela deixa de ser apenas uma inovação privada. Torna-se uma questão pública.

O mito de “desligar a máquina”

Muitas pessoas acreditam que, se a IA se tornar perigosa, bastaria desligá-la. Mas essa imagem é simplista. A IA já está sendo integrada a plataformas digitais, sistemas financeiros, serviços públicos, empresas, redes de comunicação e processos de decisão. Quanto mais esses sistemas se espalham, mais difícil se torna interrompê-los sem causar impactos sociais e econômicos. Além disso, a dependência tecnológica reduz a capacidade de controle democrático.

Uma sociedade que transfere funções importantes para sistemas opacos passa a depender de decisões que não consegue explicar nem contestar plenamente.

  • o problema não é apenas a possibilidade de uma IA “sair do controle”, como em filmes de ficção científica;
  • o problema mais imediato é uma sociedade perder o controle sobre tecnologias que já afetam sua vida cotidiana.

O experimento social sem consentimento

A IA é treinada com dados produzidos por pessoas. Textos, imagens, vozes, comportamentos, pesquisas, códigos e interações humanas alimentam sistemas comerciais de grande valor econômico. A maioria das pessoas, porém, nunca foi consultada de forma clara sobre esse uso. Não recebeu remuneração. Não conhece as regras do processo. Não sabe como seus dados foram utilizados nem como poderão afetar sua vida no futuro.

Nesse sentido, a expansão da IA se parece com um experimento social em larga escala. Em pesquisas científicas éticas, experimentos com seres humanos exigem consentimento, transparência, avaliação de riscos e supervisão independente. No caso da IA, bilhões de pessoas estão sendo afetadas por sistemas construídos sem um debate público suficiente. Isso deveria preocupar qualquer sociedade democrática.

Informação, manipulação e risco democrático

A democracia depende de informação confiável. A IA pode ameaçar esse princípio ao permitir a produção de textos, imagens, áudios e vídeos falsos em grande escala. Com essas ferramentas, torna-se mais fácil espalhar desinformação, manipular debates públicos, criar perfis falsos, simular apoio popular e atacar reputações.

Em períodos eleitorais, esse risco é ainda maior. A fronteira entre conteúdo humano, conteúdo automatizado e conteúdo falso pode se tornar cada vez mais difícil de identificar.

  • regular a IA, portanto, não significa censurar a inovação;
  • significa proteger a integridade do debate público.

O custo ambiental da IA

Embora pareça uma tecnologia imaterial, a Inteligência Artificial depende de uma infraestrutura pesada: data centers, energia elétrica, água para resfriamento, chips, redes e equipamentos.

Grandes centros de processamento podem consumir muita energia e água, pressionando comunidades locais e agravando desigualdades territoriais. Muitas vezes, os custos ambientais ficam com a população, enquanto os lucros se concentram nas empresas. Por isso, a IA também deve ser discutida como questão ambiental. Não basta perguntar se um sistema é eficiente. É preciso perguntar quanto ele custa ao planeta e se seu uso atende a uma finalidade social legítima.

Menos foguetes, mais bicicletas

A sociedade não precisa abandonar a Inteligência Artificial. Mas precisa mudar sua direção. Em vez de uma corrida por sistemas gigantescos, generalistas, caros e opacos, poderíamos priorizar tecnologias menores, específicas, auditáveis e socialmente úteis. A metáfora é simples: menos foguetes e mais bicicletas.

  • os “foguetes” da IA são sistemas enormes, voltados à competição corporativa e geopolítica, com alto consumo e pouca transparência.
  • as “bicicletas” da IA seriam ferramentas desenhadas para apoiar pessoas em tarefas específicas, sem substituir a deliberação humana.

Na saúde, a IA pode auxiliar diagnósticos, sempre com supervisão médica. Na educação, pode apoiar professores, sem substituí-los. No meio ambiente, pode monitorar desmatamento e emissões. Na administração pública, pode organizar dados, mas nunca eliminar o direito de revisão humana.

Uma agenda democrática para a IA

A Inteligência Artificial precisa ser regulada com base no interesse público. Isso exige transparência, auditorias independentes, proteção de dados, responsabilização por danos, avaliação ambiental, proteção de direitos autorais e participação social. Também é necessário fortalecer universidades, centros públicos de pesquisa e organizações independentes capazes de fiscalizar os impactos da tecnologia.

Não podemos depender apenas da autorregulação das empresas que lucram com a IA.

Conclusão 

A Inteligência Artificial não é apenas uma questão técnica. É uma questão de poder. Quem controla os dados controla parte da economia. Quem controla os modelos controla parte da comunicação. Quem controla os sistemas de decisão pode influenciar direitos, oportunidades e riscos sociais.

  • a sociedade não deve ser tratada como cobaia de um experimento conduzido por poucos;
  • a tecnologia deve estar a serviço da vida coletiva, da justiça social e da democracia.

O futuro da IA ainda está em disputa. E essa disputa precisa envolver todos nós.

*Waldir Maranhão é professor, ex-reitor da Uema, ex-deputado federal e membro da Academia Brasileira de Ciências, Arte, História e Literatura

Hildo Rocha destaca importância do robô criado por estudantes maranhenses

Em discurso na tribuna da Câmara Federal, deputado maranhense explicou que equipamento vai ajudar na preservação da biodiversidade dos oceanos

 

Em pronunciamento na tribuna da Câmara Federal, o deputado Hildo Rocha (MDB) destacou a importância de um robô criado por estudantes maranhenses que monitora espécies exóticas nos oceanos, contribuindo para a preservação da biodiversidade. A apresentação do invento aconteceu durante o Torneio de Robótica, promovido pelo Sesi, em parceria com a Fiema, no Multicenter Negócios e Eventos, em São Luís.

“Dentre vários projetos que eu tive a oportunidade de conhecer, destaco a fabricação de um robô que monitora espécies exóticas nos oceanos, contribuindo para a preservação da biodiversidade. Diversos especialistas que realizam pesquisas oceanográficas elogiaram o robô desenvolvido por jovens de uma escola pública do Maranhão. Esses profissionais sabem que o protótipo será industrializado, profissionalizado e colocado a serviço da ciência no mundo inteiro, inclusive o do Brasil, porque vai ajudar a preservar a biodiversidade existente nos nossos mares, nos nossos oceanos”, declarou o parlamentar.

  • o evento promovido pelo Sesi e Fiema é o maior torneio regional de robótica do Brasil em número de equipes e vagas para o nacional, consolidando o Maranhão como referência no país
  • O torneio reuniu mais de 100 equipes de escolas públicas e privadas de dez estados: Alagoas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Piauí, Sergipe e Tocantins.

Com o tema global “Submerged”, o desafio deste ano teve como objetivo o desenvolvimento de soluções inovadoras para problemas ambientais relacionados aos oceanos, estimulando a criatividade, a pesquisa e a aplicação prática de conceitos de ciência e tecnologia.

Dezesseis equipes maranhenses foram escolhidas para participar do Festival SESI de educação, um dos maiores eventos de robótica do país que será realizado em Brasília, entre os dias 12 e 15 de março.

Serão 270 equipes, representando 25 estados brasileiros, que irão competir por uma vaga no campeonato mundial de robótica.

Sem filtros éticos, ideológicos e religiosos, China caminha para dominar a humanidade…

Na mesma semana que o mundo viu-se espantado com o fóssil de ogro neandertal chamado Donald Trump, empresa chinesa avançou na Inteligência Artificial, verdadeira ameaça ao futuro do ser humano como ele é conhecido hoje

 

EVOLUÇÃO DA ESPÉCIE. Há quem tema o controle dos humanos pela inteligência artificial; há quem espere pela fusão entre homens e máquinas

Pensata

Em 2015, no best seller “HomoDeus – uma breve história do amanhã”, o filósofo israelense Iuval Noah Harari alertou a humanidade sobre os riscos de criar super-humanos, seres com força e inteligência geneticamente editadas, capazes de vencer qualquer competição esportiva, qualquer concurso intelectual e qualquer guerra.

  • Harari é considerado um dos maiores filósofos do mundo contemporâneo;
  • além de HomoDeus, escreveu “HomoSapiens – uma breve história da humanidade”.

 “Graças ao big data, à inteligência artificial e ao aprendizado por máquinas, pela primeira vez na história começa a ser possível conhecer uma pessoa melhor do que ela mesma, hackear seres humanos, decidir por eles”, preocupou-se o filósofo, em uma entrevista ao jornal El País, em 2018.

O mundo iniciou 2025 preocupado com um ogro, uma espécie de fóssil ambulante de neandertal Chamado Donald Trump, que, no comando da maior nação do mundo, usa a força no lugar da inteligência numa tentativa desesperada de salvar a própria nação.

Mas a preocupação maior atende pelo nome de DeepSeek.

A Inteligência Artificial é o que de mais avançado em tecnologia surgiu desde o avanço da própria internet; as empresas ainda a manipulam no primeiro dos três estágios imaginados para ela. 

  • a primeira é a IA Estreita, que formula respostas, mas dentro de um nicho próprio, como o sistema GPS, por exemplo;
  • no segundo estágio, chamada IA Generalizada, ela consegue aprender sozinha e dar soluções para situações inesperadas;
  • a terceira fase, da Superinteligência Artificial, é esta agora manipulada por chineses, que consegue pensar por si mesma.

“Já estamos criando, por meio de nossas atividades digitais, registros enormemente ricos de como pensamos e do que sentimos. E, durante esta década, nossas tecnologias para gravar, armazenar e organizar essas informações avançarão rapidamente”, prega o futurólogo Ray Kurzweil, autor de “A era das máquinas espirituais”, de 1999. 

As previsões de Kurzweil em 1999 e a preocupação de Harari em 2015 ganham eco entre os barões da tecnologia – entre eles, veja só!, Elon Musk, da Tesla – que já propõem uma espécie de regulamentação da IA no mundo inteiro.

Mas este filtro não existe na China, preocupada hoje apenas com o conceito “Mais alto, Mais rápido, Mais Forte”.

E só o tempo dirá o que isso representa para o Homo Sapiens.

Que, aliás, já nem existe mais da forma como se conhecia.

Não entendeu? Entenda aqui…

2

Pesquisa revela: 30% dos paulistanos têm transtorno mental…

Pesquisa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, de São Paulo, revela que “três em cada dez habitantes a capital paulista sofre algum tipo de transtorno mental”.

Os índices de São Paulo são parecidos com o dos Estados Unidos, país que também reflete a imagem clássica do cidadão meio transtornado, visto nas ruas.

 – Nos casos de transtornos de conduta, ataque de raiva, déficit de atenção e hiperatividade, os Estados Unidos estão bem piores que São Paulo e aparecem com 10,5%, mais do que o dobro da Grande São Paulo – 4,2% – diz a pesquisa, coordenada pela professora Laura Helena Andrade.

O levantamento não levou em consideração o time do coração dos 5.037 entrevistados.

O que poderia levar a novas conclusões…

Leia aqui a matéria completa sobre a pesquisa