Editorial: Chumbo trocado não dói…

Gritaria dos aliados do ministro Flávio Dino diante da ação contra Felipe Camarão não tem razão de ser; atacado por eles em todos os flancos, os Brandão usam as armas que têm para contra-atacar

 

DINISTAS CHAMAM DE “ILEGALIDADES” CONTRA FELIPE CAMARÃO, mas apenas receberam um contra-ataque aos bombardeios que protagonizam

Editorial

Do ponto de vista político, não faz qualquer sentido lógico ou prático a gritaria dos aliados do ministro Flávio Dino diante da ação do Ministério Público contra o vice-governador Felipe Camarão (PT); sem entrar no mérito da legalidade ou da legitimidade do processo, o que se vê no caso é apenas um contra-ataque dos aliados do governador Carlos Brandão (Sem Partido).

Mas no que diz respeito ao sucesso do contragolpe, pode-se dizer que foi um tiro perfeito, no alvo.

Ilegal ou não, obtida de forma clandestina ou legítima pelo chefe do Ministério Público Danilo de Castro – naturalmente um aliado consorciado do projeto brandonista – as acusações contra Camarão são graves, duras e de difíceis explicações.

E o desgaste na imagem do vice-governador vai para além do seu pedido de afastamento.

  • primeiro, que as denúncias já criam uma nuvem de dúvidas no projeto eleitoral de Felipe Camarão;
  • segundo, que o desgaste da história atinge, inclusive, sua relação com o prefeito Eduardo Braide (PSD).

Pouco afeito a dividir ônus e desgastes políticos de aliados, Braide já vinha resistindo a ter que assumir aliança com o PT e com os dinistas, pelo menos na forma como eles querem, ocupando todos os demais cargos da chapa.

  • se já era difícil essa equação dentro das condições normais de temperatura e pressão, imagine agora;
  • como Braide lidará com o risco de Camarão levar para a chapa o desgaste de todas essas denúncias?

Os aliados do ministro Flávio Dino vêm há três anos bombardeando Brandão, sua família e seus aliados, num cerco tático, mas sem resultado efetivo por que nunca atingiram o alvo; pelo menos até agora.

Os aliados de Brandão, por sua vez, acertaram em cheio as trincheiras dinistas, com poder estilhaçador em seus resultados.

Mas como em toda guerra, vale a velha máxima: “chumbo trocado não dói”.

Pelo menos não deveria doer…