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Bandido é bandido…

O que leva a Justiça maranhense a manter solto um indivíduo já pronunciado a Júri Popular por assassinato e que, nas ruas, tem recorrentes passagens pela polícia por práticas de crimes continuados?

 

COMPULSÃO CRIMINOSA
Preso pela segunda vez em menos de três meses, pelo mesmo crime, Buchecha é conduzido à delegacia

Editorial

O pronunciado a Júri Popular pelo assassinato do jornalista Décio Sá, Fábio Aurélio do Lago Silva, o Buchecha, foi preso novamente, ontem, por envolvimento em quadrilha de roubo de carros em São Luís.

É a segunda vez que ele é preso pelo mesmo crime em menos de três meses. (Relembre aqui)

Estranhamente, Buchecha é um dos poucos envolvidos no assassinato de Décio Sá que ficou solto, desde 2013, mesmo sendo pronunciado pela Justiça de 1º Grau.

E continuou a cometer crimes sequenciais desde então.

Dando trabalho para a polícia quando deveria estar atrás das grades.

É simples assim…

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O caso Décio, os pesos diferentes para os acusados e a vida que segue…

Cinco anos depois do assassinato do jornalista, apenas Júnior Bolinha permanece preso; com o passar do tempo, as linhas mais lógicas de investigação vão sendo esquecidas e os envolvidos – vítimas colaterais e acusados – voltando à vida normal

 

O tempo passou
Décio Sá está morto a cinco anos; e para muitos, a vida seguiu seu rumo normalmente

O assassinato do jornalista Décio Sá completa cinco anos neste domingo, 23.

Com o passar do tempo, muita gente próxima à vítima já até esqueceu o crime e seguiu sua vida, como se nada tivesse acontecido; outros cumprem pena mesmo sem julgamento – e mesmo diante de evidências que apontam para outro sentido.

Este blog sempre questionou o resultado das investigações que apontaram os supostos mandantes do crime. Entende o blog que a polícia – e o Ministério Público – descartaram linhas de investigações que apontavam caminhos com maior nexo causal.

E até as decisões judiciais sobre os acusados parecem ter dois pesos e duas medidas.

Um exemplo foi a recente liberdade do acusado de ser o mandante do crime, Gláucio Alencar, que foi liberado para aguardar em casa o julgamento – que dificilmente ocorrerá ainda nesta década.

Mas a mesma Justiça negou o mesmo benefício a outro acusado nas mesmas circunstâncias, Júnior Bolinha, tido como agenciador do assassinato.

Pesos diferentes
Dos acusados, apenas Júnior Bolinha segue privado de liberdade, mesmo sem julgamento

Que dizer então das decisões que mantiveram os acusados Fábio Capita e Fábio Buchecha em liberdade, desde os primeiros meses após o crime, mesmo tendo, ambos, sido pronunciados a Júri Popular?

O caso Décio Sá entrou para o histórico do jornalismo policial maranhense como um desses rumorosos crimes em que o único preso é a vítima, que não volta mais.

Parentes, amigos, acusados e colegas todos seguiram seu rumo…

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Afinal, quem os protege?!?

Prisão de Fábio Buchecha por venda de carros roubados reacende o debate sobre o tratamento da Justiça a alguns acusados da morte do jornalista Décio Sá

 

Fábio Buchecha caiu de novo nas garras da polícia, mas já por outro crime

A polícia prendeu na última quarta-feira 15, Fábio Aurélio do Lago Silva por envolvimento em quadrilha de venda de veículos roubados.

Trata-se de Fábio Buchecha, um dos presos e pronunciados a Júri Popular por envolvimento no assassinato do jornalista Décio Sá, crime ocorrido em 23 de abril de 2012.

O retorno de Buchecha à cobertura policial trouxe de volta um outro debate: que critérios usa a Justiça para manter soltos alguns envolvidos no assassinato de Décio Sá – mesmo pronunciados a Júri Popular – enquanto outros, nas mesmas circunstâncias, amargam prisão ad eternun pelo mesmo crime?

Apontado pela polícia como envolvido no caso, Buchecha nem foi denunciado pelo Ministério Público. Mesmo assim, o juiz do caso, Osmar Gomes, decidiu pronunciá-lo a Júri Popular. (Relembre aqui)

Hoje, o pronunciado recorre da sentença, que já foi anulada por uma das Câmaras do Tribunal de Justiça.

Fábio Capita não passou nem seis meses na cadeia e já está de volta à PM

A mesma situação envolve o capitão da PM Fábio Aurélio Saraiva, o Fábio Capita, acusado de ceder a arma usada por Jhonatan de Sousa, o assassino confesso do jornalista.

Desde o início, as provas contra o oficial da PMMA foram consideradas frágeis. (Relembre aqui)

Capita não ficou sequer seis meses preso, mesmo pronunciado a Júri Popular.

Em 13 de julho de 2013, ao julgar um habeas Corpus em favor do capitão, o desembargador José Luiz Almeida considerou frágeis as provas contra ele.

Ronaldo Ribeiro mantém forte influência nos meios judiciais

Dentre os envolvidos soltos, as provas mais robustas surgiram contra o advogado Ronaldo Ribeiro, que, segundo o Ministério Público, teria cedido o próprio escritório para a negociação que resultou na morte de Décio. (Relembre aqui e aqui)

Ele, no entanto, sequer entrou no rol do processo principal, por decisões do então desembargador Raimundo Nonato de Souza – às vésperas da aposentadoria – que geraram polêmica nos meios jurídicos.

Enquanto isso, Alencar, o filho Gláucio, e Jr. Bolinha, amargam cadeia há quase cinco anos

Hoje, Gláucio Alencar, seu pai, José Alencar e Júnior Bolinha são os únicos ainda não julgados que continuam presos.

Buchecha agia normalmente no seu habitat natural, como se viu na ação da polícia na quarta-feira; e Fábio Capita trabalha na PM.

Ronaldo Ribeiro, por sua vez, atua normalmente como advogado, e articula até uma vaga de juiz eleitoral no TRE-MA.

Mas esta é uma outra história…

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Décio Sá: quatro anos de um silêncio eterno…

Amigos próximos, ex-aliados políticos e colegas de profissão parecem ter feito um pacto para evitar o assunto, que levou 12 para cadeia, mas deixou dúvidas sobre dezenas de outras pessoas

 

Décio Sá m plena atividade: ousadia e persistência na busca da notícia

Décio Sá m plena atividade: ousadia e persistência na busca da notícia

Um silêncio paira no ar a cada vez que se tenta engatar uma conversa sobre o assassinato do jornalista Décio Sá com políticos que o tiveram entre aliados mais ferrenhos  e colegas de profissão que o tinham nas relações mais íntimas.

E o silêncio só aumenta o ecoar das dúvidas sobre as circunstâncias, motivos e autores de sua morte, cruel e covarde, ocorrida na noite de uma segunda-feira, 23 de abril de 2012.

Décio Sá foi, para muitos desses “aliados”, o maior e melhor jornalista da história recente do Maranhão.

Décio Sá era para os colegas de profissão, o mais completo profissional que exerceu a carreira no estado.

Mesmo assim, todos estes que o rodeavam preferem o silêncio.

Um silêncio que parece revelar muito mais do que supõe esconder.

o supostos envolvidos: resposta rápída para um clamor popular

o supostos envolvidos: resposta rápida para um clamor popular crescente

Este blog sempre questionou, questiona, e vai questionar em todas as instâncias da Justiça, o resultado das investigações que apontaram, não os executores, mas os supostos mentores e pagadores do crime.

E o vácuo imposto após as investigações por quem exaltava o jornalista contribui ainda mais para este questionamento nestes quatro anos de silêncio.

O fato é que, há quatro anos, o Maranhão perdia, de forma abrupta e covarde, um dos seus maiores profissionais do jornalismo.

Uma covardia que nem o silêncio vai conseguir abafar…

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Décio Sá dará nome à avenida no Calhau…

Projeto do vereador Ivaldo Rodrigues foi aprovado hoje, na Câmara, em redação final, e vai à sanção do prefeito Edivaldo Júnior

 

Décio Sá: ícone do jornalismo maranhense

Décio Sá: ícone do jornalismo maranhense

A Câmara Municipal aprovou nesta quarta-feira, em redação final da Comissão de Constituição e Justiça, proposta do vereador Ivaldo Rodrigues (PDT), altera o nome da avenida Copacabana do Calhau para avenida jornalista Décio Sá.

A via é uma das que ser4vem de acesso ao bairro do Calhau, a partir da avenida Litorânea.

Ivaldo Rodrigues, autor da homenagem

Ivaldo Rodrigues, autor da homenagem

– É uma justa homenagem a um dos mais importantes jornalistas do Maranhão – ressaltou o parlamentar.

Décio Sá foi assassinado, em 2012, na avenida Litorânea, por uma quadrilha incomodada com suas denúncias no blog, segundo investigação da polícia.

o jornalista já dá nome também a uma das alas do Complexo de Comunicação da Assembleia Legislativa.

O projeto que cria a Avenida Jornalista Décio Sá vai agora á sanção do prefeito Edivaldo Júnior (PDT).

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A morte de blogueiros e o descaso da polícia….

Após o segundo assassinato no interior maranhense – sem que nenhuma informação a respeito da primeira execução tenha sido dada pelos homens da lei – o clima é de medo entre profissionais em todo o estado

 

Os dois blogueiros executados: por que a polícia não diz nada?

Os dois blogueiros executados: por que a polícia não diz nada?

Os blogueiros – profissionais da comunicação que atuam na internet – gera uma antipatia em todos os segmentos sociais, e até entre os demais profissionais de imprensa , pela liberdade que têm para questionar.

Por isso são antipatizados pelo judiciário, por jornalistas e radialistas e até pela polícia.

Mas nada disso justifica a falta de informações claras para a execução de dois blogueiros no interior do Maranhão.

A primeira execução ocorreu em 13 de novembro. Ítalo Diniz foi executado a tiros em Governador Nunes Freire, onde mantinha um blog e já denunciava ameaças de morte.

Até a ora, a polícia não deu qualquer informações sobre os executores do blogueiro.

No último sábado foi a vez de Orislandio Timóteo Araújo,o Roberto Lano, de Buriticupu. Ele foi executado na frente da mulher, no Centro do município.

São evidentes os indícios de pistolagem nos dois crimes; claro assassinato por encomenda, nos mesmos moldes da execução do jornalista Décio Sá, em 2012.

Mas a polícia parece nem estar investigando os dois casos.

O que é lamentável, sob todos os aspectos…

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Assassino de Décio Sá volta ao Maranhão e polícia mantém sigilo…

Jhonathan de Souza está desde a última quarta-feira no Complexo de Pedrinhas, o que deixou preocupado a família de Júnior Bolinha, outro acusado pelo crime

 

Jhonathan de Sousa: de volta ao Maranhão

Jhonathan de Sousa: de volta ao Maranhão

exclusivo2O Sistema de Segurança Pública do Maranhão mantém em sigilo, estranhamente, a informação de que o assassino Jhonathan de Sousa, executor confesso do jornalista Décio Sá, está de volta ao Maranhão desde a última quarta-feira, 23.

O bandido está cumprindo pena no Presídio São Luís, o mesmo em que também está o empresário Júnior Bolinha, também acusado pelo crime.

A chegada de Jhonathan preocupou a família de Bolinha, sobretudo pelo fato de que a transferência se deu, estranhamente, dentro do mais absoluto sigilo.

Desde que foi preso e confessou o assassinato de Décio, Jhonathan – considerado um bandido de alta periculosidade – era mantido preso em um presídio de segurança máxima no Mato Grosso.

O temor da família de Bolinha se dá pelo fato de o empresário apresentar outra versão para a morte de Décio, o que, teoricamente, o tornaria alvo fácil para o assassino, numa espécie de queima de arquivo.

Este blog checou com a Justiça sobre eventuais audiências que justificassem a presença de Jhonathan em um presídio no Maranhão, mas não confirmou nenhuma.

Ele está em Pedrinhas com a farda típica dos “hóspedes” do presídio, o roupão laranja de presidiário, o que leva a crer que sua estada será permanente.

E o sigilo da informação é que deixa todos preocupados.

E não apenas Júnior Bolinha…

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Três anos depois, julgamento do caso Décio ainda sem previsão…

Segundo a denúncia, Décio Sá foi morto a mando de um consórcio de agiotas

Três anos depois do assassinato do jornalista Décio Sá – completados nesta quinta-feira (23) – ainda não se tem qualquer tipo de previsão para o julgamento dos denunciados pelo crime.

E o processo pode durar anos – cinco, dez, quinze até.

Os 11 apontados pelo MInistério Público como autores do assassinato foram pronunciados a Júri Popular, inclusive os que estão soltos ou foragidos. (Relembre aqui)

Mas todos têm direito a incontáveis recursos que, dependendo do tipo, podem chegar até o Supremo Tribunal Federal.

E arrastar o processo indefinidamente…

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Assassino de Décio sorriu, de novo, ao confirmar arma do crime…

Assassino sorri ao ser apresentado à pistola Ponto 40

Foi o próprio assassino Jhonatan Souza quem levou a polícia ao local onde estava a arma usada para matar o jornalista Décio Sá.

Ao contrário do que disse no primeiro depoimento, a arma não foi jogada ao mar durante uma viagem ao ferry-boat. Ele escondeu a pistola “Ponto 40” nas dunas por onde escapou após executar o jornalista.

Jhonatan confessou o local exato após pressão da própria polícia que percebeu contradições em seu depoimento após a reconstituição.

Para localizar a arma, enterrada em meio a um matagal no meio das dunas, foram usados detectores de metal.

Policiais usaram pás para escavar o local até localizar a arma

Mas a polícia precisou do próprio Jhonatan, que explicou várias vezes a área, mas não lembrava mais do local exato.

Os policiais cercaram então um perímetro de cerca de dez metros, e começaram a escavar.

Com as máquinas de detectção de metal, conseguiram finalmente localizar a arma. Ao ser apresentado à pistola, o bandido ainda sorriu, confirmando ser a própria usada no crime.

A perícia irá fazer a análise para tirar todas as dúvidas em relação à propriedade da pistola.

Que será apresentada em uma coletiva amanhã, na sede da Secretaria de Segurança…

 Imagens: Biné Morais (O EstadoMaranhão)

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A polícia precisa falar…

Cutrim já deu declarações; Aluísio só fala nos bastidores

O deputado Raimundo Cutrim (PSD) já falou. Se defendeu, admitiu as ligações com Júnior Bolinha, mas negou envolvimento no assassinato de Décio Sá.

A governadora Roseana Sarney (PMDB) também já falou. Garantiu que a polícia irá investigar até o último ponto e afirmou não acreditar no envolvimento de Cutrim, seu ex-secretário de Segurança.

Mas a polícia precisa falar.

O secretário Aluísio Mendes e sua equipe de delegados precisam explicar por que, diante do depoimento de Jhonatan Souza, não tomaram qualquer medida em relação ao parlamentar governista.

Algumas perguntas precisam ser feitas:

1 – Se Jhonatan afirmou tratar-se do próprio deputado Raimundo Cutrim, por que o Cutrim citado no pedido de prisão não foi qualificado?

2 – Se a polícia não acredita no envolvimento do deputado Cutrim no caso, por que fica vazando informações nos bastidores – como os telefonemas de Gláucio e Bolinha, por exemplo?

3 – Se o Cutrim citado por Jhonatan não é o deputado Raimundo Cutrim, o que a polícia tem a dizer sobre isso?

4 – Por que a polícia não tomou nenhuma providência contra o deputado – seja para ouvi-l0 como testemunha ou para questionar outros envolvidos sobre sua participação no crime?

5 – Mais importante: por que Fábio Capita, que teve apenas citações superficiais, está preso, e Raimundo Cutrim, apontado como “mandante principal”, segundo o depoimento, não foi nem qualificado?

Aluísio Mendes e sua equipe precisam esclarecer estes pontos, ainda que mantenham a investigação sob “sigilo”.

Caso contrário, parecerá que a acusação contra Cutrim fora montada pelo próprio Sistema de Segurança.

Numa disputa desenfreada por poder policial…