De temperamento personalista, agressivo e muitas vezes desleal a quem deu-lhe a mão, deputado federal cavou a própria cova eleitoral e caminha para se despedir da vida pública
Análise da Notícia
O deputado federal Duarte Júnior estreou na seara eleitoral em 2018, com a eleição para a Assembleia Legislativa; e nos primeiros dias após a posse, já criou inimizades que viraram eternas, como este blog Marco Aurélio d’Eça mostrou, em 6 de fevereiro de 2019, no post “Duarte Júnior antipatizado na Assembleia…”.
“Reação de deputados e jornalistas ligados ao governo contra as ações do parlamentar comunista reforça a ideia de que ele não terá vida fácil como deputado estadual na Assembleia Legislativa”, dizia o texto, que analisou os primeiros dias de mandato do parlamentar.
- Duarte Júnior foi rechaçado pelos próprios colegas desde o início do mandato estadual;
- mesmo assim, sob a tutela do então governador Flávio Dino, disputou a prefeitura em 2020.
Como candidato a prefeito, protegido por Flávio Dino, conseguiu a proeza de afastar todos os aliados, resultando em uma coleção gigante de adversários tentando evitar sua candidatura; este blog Marco Aurélio d’Eça relatou esta situação em outubro de 2019, na postagem “De como a base dinista trabalha para tirar Duarte Júnior do páreo de 2020…”.
“Por mais que o deputado do PCdoB se esforce, não consegue agradar nenhuma das lideranças que compõem o grupo do governador Flávio Dino; e pode ficar mesmo fora da disputa pela sucessão do prefeito Edivaldo Júnior”, revelou o texto.
- mesmo assim, impôs-se como candidato a prefeito e até chegou ao segundo turno;
- com o recall eleitoral, elegeu-se deputado federal mais votado de São Luís em 22.
Ele não mudou sua postura e seguiu criando inimizades na bancada maranhense, às vezes beirando a deslealdade e a traição aos que davam-lhe a mão.
Inicialmente filiado ao PCdoB, nunca foi comunista ou de esquerda, e pouca importância deu aos partidos políticos; aliou-se a Josimar Maranhãozinho (PL), flertou com o bolsonarismo, navegou pelo brandonismo, e chegou a cogitar até mesmo aliar-se ao ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), seu opositor nas eleições municipais de 2020 e 2024.
- a partir de 2024, rompeu com seu padrinho Flávio Dino e passou a festejar o governador Carlos Brandão;
- este blog registrou esta mudança de lado em outubro de 24, na postagem “Duarte Júnior agora é brandonista…”.
Não adiantou.
Sem clima no PSB – mais um partido de ocasião – tentou entrar no União Brasil, no MDB, no PSD, no PL, no PRB, no Podemos e até no PT, rechaçado por todas as lideranças desses partidos. (Relembre aqui, aqui e aqui)
Acabou no Avante.
Sem garantias de que teria nominata, inventou uma candidatura a senador com foco no ataque a colegas parlamentares, como o senador Weverton Rocha (PDT) e o deputado Pedro Lucas Fernandes (União Brasil).
Até ser comunicado pelo próprio partido de que não teria legenda para concorrer ao Senado, justo no dia em que anunciava o lançamento de sua candidatura.
E foi assim que Duarte Júnior se perdeu na política…


