Editorial: o sistema Swift, Flávio Dino e sua decisão politico-judicial…

Ministro do Supremo Tribunal Federal já sabia, desde a semana passada, que o sistema internacional de integração bancária não está sujeito à pressão de Donald Trump, mas precisou garantir que bancos brasileiros não usassem a Lei Magnitsky para forçar o caos no Brasil

 

DECISÃO POLITICIO-JUDICIAL. Despacho de Dino protege ao mesmo tempo Lula dos banqueiros e Moraes da magnistky

Editorial

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino – vista como uma tentativa de proteger o colega Alexandre de Moraes da Lei Magnistky – não apenas blinda Moraes dos ataques do presidente americano Donald Trump, mas protege também todo o sistema financeiro do Brasil.

  • desde a semana passada, Dino já sabia que o sistema de integração bancária Internacional Swift não está sujeito às ordens de Trump;
  • mas Dino precisava garantir que os banqueiros não usassem a lei de Trump para gerar caos e comprometer o governo brasileiro.

“Tive excelente conversa com Hayden Allan, da Swift, que operacionaliza o maior sistema de integração bancária global. Hayden esclareceu que o Swift, sediado na Bélgica, segue o marco legal europeu e não está sujeito a sanções arbitrárias de países específicos”, publicou em suas redes sociais, na quinta-feira, 14, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com o chefão do sistema bancário. (Leia aqui)

Em outras palavras, o Swift garantiu ao número 2 do ministro Fernando Haddad que o sistema financeiro do Brasil não corria risco algum de ser bloqueado no sistema internacional por vontade de Trump.

  • naquele mesmo dia, banqueiros chegaram a propor ao STF que os ministros abrissem contas em cooperativas financeiras para escapar de sanções. 
  • era preciso garantir que os banqueiros – preocupados com seus próprios interesses – seguissem a orientação do chefão do Swift e ignorassem os EUA.

No sábado, 16, donos dos principais bancos privados do Brasil reuniram-se com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) tido como o candidato dos barões da economia contra Lula em 2026; no encontro, a maior parte dos banqueiros afirmou que iria acatar a Lei Magnitsky, mesmo sem necessidade.

O encontro de Tarcísio com a elite econômica foi tratada por este blog Marco Aurélio d’Eça no editorial “O candidato dos banqueiros contra Lula; isso atinge você?!?”.

Na segunda, Flávio Dino encontrou no processo que trata de indenizações das barragens de Brumadinho e Mariana uma brecha para dar seu recado sobre a Lei Magnitsky.

Mas, ao contrário do que pensa a maioria dos analistas, o recado não é para Trump, mas para os próprios banqueiros brasileiros.

Cabe a eles escolher seguir as determinações do Brasil ou a dos Estados Unidos.

Simples assim…

Editorial: o candidato dos banqueiros contra Lula; isso atinge você?!?

Reunião do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas com a elite econômica do Brasil gerou desconforto na família Bolsonaro; mas é bem pior para a maioria do povo brasileiro

 

O PODER DOS BARÕES DA FARIA LIMA. Tarcísio de Freitas é o candidato dos banqueiros e dos empresários em 2026

Editorial

A chamada elite econômica brasileira, famílias que controlam a maior parte do capital, com seus bancos bilionários, praticamente decidiu no último sábado, 16, o seu candidato a presidente do Brasil em 2026. Trata-se do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

  • o encontro gerou forte desconforto na família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL);
  • mas a candidatura é bem pior é para o povo brasileiro, que precisa do poder estatal. 

“O mundo está de portas abertas para o Brasil e a gente andando em uma ciranda, discutindo picuinha. O Brasil não aguenta mais excesso de gastos, aumento de imposto e corrupção. O Brasil não aguenta mais o PT, o Brasil não aguenta mais o Lula”, discursou Freitas.

Mas em quê a candidatura dos banqueiros importa em sua vida?!? Em todos os aspectos.

  • os bancos não toleram a ideia de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil;
  • os bancos detestam a ideia de bolsa-família e outros projetos de transferência de renda.

“É quase um ciclo crônico. A esquerda vence as eleições, implanta seus programas sociais, tira as pessoas da pobreza e muitas enriquecem; Ao enriquecer, muitos se acham na elite social, começam a criticar os programas sociais e passam a defender os postulados da direita, que, no poder, beneficiam os mais ricos; e o ciclo recomeça. Dizer que a direita favorece os mais ricos não é uma crítica; é uma constatação”, disse, em dezembro, este blog Marco Aurélio d’Eça, no post “De como Lula e a esquerda conseguem diminuir a pobreza no país…”.

  • o candidato dos bancos não é somente dos bancos, mas das empresas financiadas pelo dinheiro público;
  • gente como Luciano Hang, da Havan, e Ricardo Farias, o Rei do Ovo, que detestam os programas sociais.

“Está um desastre no Brasil. As pessoas estão viciadas no Bolsa Família. Não temos nem a chance de trazer essas pessoas para treinar e conseguir uma vida melhor, porque elas estão presas no programa”,  pensa o Rei do Ovo, pensamento que se espalha entre ricos e pobres adeptos da direita.

Este pensamento foi desmentido neste blog Marco Aurélio d’Eça, no Editorial “A ameaça empresarial ao Bolsa Família…”.  

A elite econômica, o chamado capital da avenida Faria Lima, em São Paulo – a área que concentra as poucas famílias mais ricas do Brasil – nunca suportou Lula e o PT; errou em 2018 ao satanizar a esquerda, fazendo surgir o arroto da história chamado Bolsonaro. Em 2022 agiu apenas para corrigir o erro de 18.

Mas agora acha que pode mesmo reassumir o poder no país em 2026.

E isso é muito, mas muito ruim para a maioria do povo brasileiro…