Inusitada tese apresentada pela defesa – que acaba por confessar as ações do ex-presidente para se manter no poder mesmo derrotado no voto – foi derrubada também pelo ministro Flávio Dino
NO FIM DAS CONTAS, ELE FEZ!!! Bolsonaro tentou argumentar que desistiu do golpe, mas não convenceu Xandão
Ao negar nesta sexta-feira, 7, os argumentos da defesa de Jair Bolsonaro (PL) – em Embargos de Declaração contra sua condenação a 27 anos de cadeia – o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes expôs uma espécie de confissão do ex-presidente segundo a qual ele, de fato, articulou para dar um golpe de estado, mas recuou no meio do processo.
a defesa apresentou a tese de “desistência voluntária”, alegando que Bolsonaro desistiu do golpe no meio da execução;
para Moraes, a desistência não ficou caracterizada em momento algum, diante de “evidente ação delitiva” do condenado.
“O acórdão condenatório demonstrou que Jair Messias Bolsonaro atuou, dolosamente, para estruturar um projeto golpista e de ruptura das instituições democráticas”,afirmou Moraes.
A decisão do relator foi seguida pelo ministro Flávio Dino, que preferiu nem relatar voto; o placar contra os embargos já está 2 X0 contra os réus. Ainda faltam votar os ministros Carmem Lúcia e Cristiano Zanin.
Os ministros têm até a próxima sexta-feira, 14, para analisar a ação da defesa…
Decisão do STF para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro é a etapa inicial para varrer um dos períodos mais nefastos da história do Brasil; o ato final precisa ser sua derrota nas urnas
É SÓ O COMEÇO. Bolsonaro na cadeia não representa o fim do bolsonarismo; é preciso derrotá-lo nas urdas de 2026
Editorial
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por golpe de estado – pouco importa o tamanho de sua pena – é só a primeira etapa de um movimento necessário para varrer do país um dos períodos mais nefastos de sua história.
o bolsonarismo foi o pior mal surgido no país desde a sua descoberta;
uma desgraça causada pela ambição das elites econômicas e intelectuais;
e o preço que o Brasil paga ainda está sendo cobrado pela história mundial.
É fundamental que Bolsonaro vá para a cadeia.
Mas é ainda mais fundamental que o bolsonarismo seja varrido da política nas urnas de 2026; é preciso derrotar seus filhos, sua família e, sobretudo, aqueles que ainda insistem em envergar seus postulados autoritários da extrema direita reacionária.
ninguém que represente bolsonarismo deve ser levado em conta eleitoralmente no país em 2026;
só com esta postura, o eleitor consciente e saudável pode reabrir o Brasil, de fato, à democracia.
Bolsonarismo representa radicalismo, violência, agressividade, morte, medo, terror.
Derrotá-lo em 2026 reabre no Brasil a chance de uma eleição verdadeiramente política, em que as doutrinas ideológicas digladiam dentro do respeito mútuo.
Sempre foi assim no Brasil nos períodos de democracia.
Entendimento dos ministros Flávio Dino e Luiz Fux diferente da visão de Alexandre de Moraes derrubam por terra discurso de complô e de “ditadura da toga” usados até agora pela turba bolsonarista
DEMOCRACIA PLENA. Luiz Fux divergiu de Alexandre de Moraes e votou a favor de Bolsonaro, que, mesmo assim, vai pra cadeia…
Editorial
Os bolsonaristas estão em êxtase quase orgásmico desde o voto do ministro Luiz Fux no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus sete cúmplices de golpe de estado.
Luiz Fux votou pela absolvição e questionou praticamente todos os pontos do relatório do ministro Alexandre de Moraes;
mas ele não foi o único a divergir: o ministro Flávio Dino também teve entendimento diferente do de Moraes quanto às penas.
os outros dois ministros – Carmem Lúcia e Cristiano Zanin – também devem expor visões distintas em um ponto ou outro da acusação.
Mas ao contrário de como raciocina a turba bolsonarista, a posição de Flávio Dino – e, sobretudo, a de Luiz Fux – estão longe de salvar Bolsonaro e seus cúmplices.
Pelo contrário: derrubam por terra o discurso de perseguição, complô judicial e “ditadura da toga” contra o ex-presidente, argumento que vem sendo pregado por bolsonaristas desde o início do julgamento.
As divergências na análise do cabedal de crimes praticados por Bolsonaro desde 2021 – quando percebeu a incapacidade de reeleger-se presidente – mostram e reforçam que o Supremo Tribunal Federal é um espaço de pensamento plural, com várias visões de mundo formando o conjunto dos julgadores.
é esse espaço plural que dá a garantia de um julgamento isento e justo para os golpistas;
dentro desta pluralidade de pensamento, Bolsonaro não pode falar de “ditadura da toga'”.
Em que pese todas as contradições do seu voto, Fux teve liberdade democrática para divergir de Moraes; e deverá ser voto vencido na Primeira Turma do STF, que vai condenar Bolsonaro a vários anos de prisão por golpe de estado.
No fim das contas, o que importa é o julgamento justo, plural, divergente mas, acima de tudo, democrático, absolutamente democrático.
E é esse julgamento que, no fim das contas, levará Bolsonaro pra cadeia.
Morando em um condomínio de Brasília a menos de 1 quilômetro da Embaixada dos Estados Unidos, ex-presidente – que está em prisão domiciliar – não tem qualquer tipo de acompanhamento policial além do monitoramento da tornozeleira eletrônica
DE OLHO NELE. Preso em casa, com tornozeleira, mesmo assim, Bolsonaro tem chances de fugir para a Embaixada dos EUA
A Procuradoria-Geral da República pediu nesta segunda-feira, 25, o acompanhamento integral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por agentes da Polícia Federal; com o início do julgamento por golpe de estado marcado para a próxima terça-feira, 2, o Ministério Público quer dobrar a segurança para evitar uma eventual fuga.
o alerta sobre os riscos envolvendo Bolsonaro foi feito pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ);
o parlamentar gravou vídeo em que mostra proximidade da casa do ex-presidente e a embaixada dos EUA.
“Acabamos de protocolizar no Supremo o pedido de prisão preventiva de Jair Bolsonaro. Está claro, em toda a fundamentação da Polícia Federal, o indiciamento, que ele tem descumprido medidas cautelares”, declarou o líder petista em entrevista a jornalistas na Câmara.
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PERTO DOS EUA. Lindbergh Farias mostra que a casa de Bolsonaro está a apenas 10 minutos da Embaixada Americana
Há duas semanas, ao cumprir Mandado de Busca e Apreensão na casa de Bolsonaro, a Polícia Federal encontrou um esboço de pedido de Asilo Político à Argentina; em 2024 ele chegou a passar alguns dias na Embaixada da Hungria, dando sinais de que não pretende cumprir uma eventual pena no Brasil.
“Parece ao Ministério Público Federal de bom alvitre que se recomende formalmente à polícia que destaque equipes de prontidão em tempo integral para que se efetue o monitoramento em tempo real das medidas de cautela adotadas”,diz a PGR na manifestação.
Além da prisão domiciliar, Bolsonaro cumpre uma série de medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
As medidas continuarão mesmo durante o julgamento…
Prestes a ser condenado por golpe de estado e outros crimes, ex-presidente descartou viver nos Estados Unidos, onde o filho, Eduardo, já segue uma espécie de autoexílio
DISTÂNCIA MATA. Bolsonaro não suportaria ficar longe de Michele em uma eventual fuga do Brasil para não ser preso
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não se surpreendeu com o pedido de condenação por golpe de estado e outros crimes relacionados, apresentado nesta segunda-feira, 14, pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet; mas ele descartou uma fuga.
“Não vou fugir”,afirmou Bolsonaro a aliados mais próximos, logo após saber das alegações finais da PGR;.
Bolsonaro pode ser condenado a até 46 anos de prisão;
o mais provável, porém, é que cumpra prisão domiciliar.
Embora especule-se que o ex-presidente planeje uma fuga do país, sua situação de saúde dificulta essa movimentação.
Há dois motivos principais para que ele prefira cumprir a pena em seu país:
1 – ele não suportaria ficar afastado de Michele Bolsonaro, que continuaria no Brasil;
2 – o sistema de saúde americano é caro e inviabiliza o tratamento de alguém como ele.
Michele deve ser candidata ao Senado, o que facilitaria a vida de Bolsonaro, mesmo condenado.
Em prisão domiciliar ele se manteria ao lado da mulher, mesmo na campanha eleitoral…
Deputada estadual ligada à direita cristã-conservadora comentou também a liberdade da manicure Eliene Amorim, presa desde 2023 por participação no 8 de janeiro
LIBERDADE, LIBERDADE. Mical voltou a pedir a soltura dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília
A deputada estadual Mical Damasceno (PSD) repercutiu nesta terça-feira, 8, em discurso na tribuna da Assembleia Legislativa, o ato realizado pelos setores da direita na Avenida Paulista, em São Paulo, em defesa da anistia do condenados pelo 8 de janeiro, que ela chama de “presos políticos”.
O evento reuniu milhares de pessoas que pedem liberdade e justiça para os que foram detidos após os protestos em Brasília. Mical destacou a importância do movimento e reafirmou seu compromisso com a causa.
“Reafirmo o meu compromisso de continuar clamando por justiça e liberdade para os que clamam por socorro”, declarou a parlamentar.
a deputada também comentou a soltura de Eliene Amorim, presa em março de 2023 por suposta participação nos atos;
para Mical, Eliene – presa após participar do ato em Brasília – foi vítima de perseguição política e nunca deveria ter sido presa.
A parlamentar reforçou que vai seguir lutando pelos brasileiros que, segundo ela, estão sofrendo injustamente nas mãos do Judiciário.
“Não vamos descansar enquanto todos os patriotas forem libertos. Seguiremos firmes em oração e em ação”, concluiu.
Defesa sistemática de manifestantes que atuaram no 8 de janeiro tem apenas um objetivo: criar as condições para uma “anistia, ampla, geral e irrestrita” que beneficie o próprio ex-presidente
VEREADORA DE SÃO LUÍS NEM SE MISTUROU. Manicure tida por “coitadinha” era de causar problemas nos acampamentos bolsonaristas
Editorial
A manicure Eliene Amorim de Jesus e a cabeleireira Débora Rodrigues compartilham aspectos comuns da vida, além da profissão ligada à estética e à beleza.
as duas formam o rebanho bolsonarista e as duas foram presas pelo 8 de janeiro de 2023;
agora, as duas passaram a ser “torniquete” do bolsonarismo para emparedar o Supremo.
De uma hora para outra, tanto Débora – que já foi solta – quanto Eliene, passaram a ser “vendidas” por bolsonaristas Brasil a fora como gente “desmiolada, sem noção, desinformada e incapaz de ler a realidade concreta”; viraram “coitadinhas presas injustamente por algo que elas nem sabiam que tinha tanta gravidade”.
os bolsonaristas não estão nem aí para Débora Rodrigues e muito menos para Eliene Amorim;
elas são apenas rebanho do bolsonarismo, usadas agora para emparedar o judiciário brasileiro;
e o objetivo é apenas um: criar as condições paras livrar, também Bolsonaro, da cadeia por golpe.
“Tenho recebido algumas muitas mensagens, estão me marcando também, a respeito da moça que está presa aqui em Pedrinhas que estava na manifestação de 8 de janeiro em Brasília. Eu não conhecia essa moça pessoalmente, eu não lembro dela. Ela estava na Praça Duque de Caxias também, mas ela, infelizmente, andava com um grupo de pessoas que não faziam parte do nossos grupo de pessoas ordeiras”, explicou a vereadora – bolsonarista – Flávia Berthier (PL), em vídeo postado com exclusividade pelo blog Marrapá. (Veja a íntegra acima)
A COITADINHA MISSIONÁRIA DO 8 DE JANEIRO. “Sempre criando confusões, agredindo pessoas”, como definiu Flávia Berthier
Este blog Marco Aurélio d’Eça já tratou de Débora Rodrigues, no editorial intitulado “Não foi apenas pichação, estúpido!!!”; mas o fantoche bolsonarista da hora é Eliene Amorim de Jesus.
Em primeiro lugar, ao contrário da imagem traçada agora pelos bolsonaristas que querem usá-la como “torniquete” de Bolsonaro, Eliene não é uma mera “sem noção que nem sabia do 8 de janeiro”; Ela participou ativamente de “marchas bolsonaristas” de toda sorte, entre 2021 e 2022, como revelou a própria vereadora bolsonarista.
Estava, inclusive, no acampamento da Praça Duque de Caxias, montado no final de 2022;
e seu comportamento era “mais eufórico”, eufemismo usado pela vereadora Flávia Berthier.
“Tinha um grupo mais eufórico, que estava sempre disposto; e ela fazia parte deste grupo aí que era um grupo de pessoas que estava sempre criando problemas na praça, sempre criando confusões, agrediam algumas pessoas, agrediram jovens batendo no rosto. Inclusive, eles nunca estavam envolvidos com a gente, que estava com a motivação certa”,explicou Flávia Berthier.
Se quiserem, os bolsonaristas vão encontrar dezenas, centenas, talvez milhares de “sem noção” e “coitadinhos” entre os golpistas do 8 de janeiro; mas é exatamente por ser “sem noção” que eles se tornam alvos fáceis do recrutamento bolsonarista.
Réu confesso de tentativa de golpe de estado, ex-presidente força a barra contra o STF ao incitar militantes a desqualificar as decisões judiciais e provocar instabilidade política, condições mínimas para ser levado à cadeia
CAMINHANDO PRA CADEIA. Bolsonaro força para ser evado à prisão; acha que vai virar mártir, mas pode passar mais tempo do espera atrás das grades
Editorial
O ex-presidente Jair Bolsonaro é um réu confesso do crime de tentativa de golpe de estado; ele fez a confissão horas depois de ser tornado réu no Supremo Tribunal Federal, ao declarar que recebeu – e imprimiu, sim – a minuta do golpe de estado, em 2023.
“Quando fizeram a terceira busca e apreensão [em seus endereços], a imprensa anunciou: encontraram a minuta de golpe… Sim, porque eu havia requerido, meu advogado havia requerido, mandou pra mim, eu imprimi. Eu queria saber o que era isso“, disse o presidente, no dia 26 de março, logo após ser tornado réu, por unanimidade.
e como réu de um crime grave, que pode levar a até 40 anos de cadeia, Bolsonaro precisa preencher condições para estar solto;
ao incitar militantes por anistia, desqualificar a decisão judicial e insistir em questionar o sistema, ele descumpre essas condições.
E é exatamente essa quebra de condições para circular livremente que os advogados Liana Cristina da Costa Cirne Lins e Victor Fialho Pedrosa argumentam na petição por sua prisão; detalhe: o pedido dos dois advogados é anterior até mesmo ao julgamento do ex-presidente, e foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República em 19 de março.
“Os chamamentos públicos feitos por Jair Messias Bolsonaro [nos dias 9, 10 e 14 de março] não apenas visam mobilizar sua base política para pressionar o Estado por anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, mas também busca deslegitimar o trabalho do Poder Judiciário e das forças de segurança que atuam na investigação e responsabilização dos envolvidos, inclusive chamando os condenados atualmente detidos de ‘reféns de 8/jan’, em óbvia inflamação de sua base de apoiadores contra os julgamentos ocorridos”,alertaram os advogados.
mas as incitações de Bolsonaro continuaram mesmo após o julgamento do dia 26 de março;
a participação dele em atos contra o STF é, portanto, uma afronta à decisão do Supremo.
Bolsonaro mostra claramente que provoca o Judiciário ao forçar sua prisão.
Se ele quer mesmo ser preso, então que seu desejo seja atendido.
Narrativas típicas de bolsonaristas e da extrema direita seduzem cada vez mais operadores do Direito, magistrados e até políticos da esquerda, num ciclo perigoso que busca renascer os fantasmas da ditadura
ELES AINDA ESTÃO AQUI. O que assusta não é a movimentação da extrema direita, mas a sedução que ela exerce em setores da sociedade
Editorial
A sociedade democrática, a população livre e os autênticos defensores do estado de direito precisam ficar alertas a um movimento que começa a se entranhar nas instituições brasileira.
narrativas da extrema direita continuam a seduzir setores da sociedade;
o golpe não acabou com o vandalismo bizarro do 8 de janeiro de 2023.
A extrema direita em particular e o bolsonarismo de forma geral não despareceram com as condenações pela tentativa de golpe de estado; eles continuam a povoar o Congresso Nacional, setores da imprensa e a população mais vulnerável aos postulados messiânicos.
cada vez mais políticos progressistas são seduzidos pela pauta extremista;
o coleguismo do Congresso Nacional tem levantado alguns debates perigosos.
É preciso que a sociedade democrática fique atenta a políticos de esquerda que defendam, por exemplo, o fim da Lei da Ficha Limpa; é preciso ficar de olho no debate sobre anistia aos golpistas, que já encanta mais de 1/3 da Câmara dos Deputados.
A classe política tem o poder de barrar os levantes populistas e mentirosos, mas é a sociedade organizada a única capaz de impedir o recrudescimento de narrativas fascistas, disfarçadas em termos como anistia, pacificação e segurança jurídica.
É só um primeiro alerta, mas é preciso ficar atento…
Ex-presidente voltou a falar de uma investigação sigilosa sobre supostos ataques hackers às urnas eletrônicas – que ele mesmo vazou – na tentativa de criar tumulto após o STF acatar as denúncias de golpe de estado
BOLSONARO SENDO BOLSONARO. O estilo vítima foi abandonado pelo ex-presidente, que voltou a atacar tudo e a todos após ser tornado réu no STF
Em surto, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu jornalistas em Brasília, nesta quarta-feira, 26 – logo após o Supremo Tribunal Federal torná-lo réu por crimes contra o Estado de Direito -, para o que seria uma coletiva de imprensa, mas que se transformou em um monólogo.
por cerca de 1 hora, Bolsonaro voltou a ser o mesmo Bolsonaro de sempre;
entre as teorias da conspiração, ele voltou a citar o Inquérito nº 1361/2018.
“As pessoas devem ter percebido, da forma tão incisiva como o ministro Alexandre de Moraes conduz, ou se conduz, é algo esquisito por aí. O que ele quer esconder? Apenas o Inquérito 1361? Eu digo, que é [para esconder o inquérito] 1361, é 99%. Mas vamos lá: houve interferência no TSE nas eleições de 22 ou não? Não vamos falar em fraude, possível fraude aqui, esqueçam. 100% confiável as urnas? Mas vamos abrir o inquérito 1361. Durante as eleições de 22, o TSE influenciou, jogou pesado contra eu (sic) e a favor do candidato Lula”, desabafou o ex-presidente.
Mas o que é o Inquérito nº 1361/2018?
Em 2018, Bolsonaro botou na cabeça que havia vencido o então candidato do PT, Fernando Haddad, ainda em primeiro turno, mas a Justiça Eleitoral, segundo ele, manipulara as urnas para forçar o segundo turno, ocasião em que declararam sua eleição.
Para sustentar sua tese, o ex-presidente vazou uma investigação sigilosa do Tribunal Superior Eleitoral sobre tentativas de invasão hacker no sistema eleitoral, o que ocorre em toda eleição sem nenhum risco à urna.
em 2021, o próprio Bolsonaro passou a ser investigado por ter vazado o inquérito de 2018 – que não encontrou qualquer indício de fraude nas urnas;
em junho de 2023, o ex-presidente foi tornado inelegível por ter cometido crime eleitoral ao reunir embaixadores e levantar suspeitas sobre as urnas;
em 25 de novembro do ano passado, quando foi indiciado pela trama golpista de 2022, Bolsonaro voltou a citar o Inquérito 1361, das eleições de 2018.
“O questionamento do sistema eleitoral sempre foi usado pelo ex-presidente como bandeira política e acabou lhe custando a elegibilidade, pois, em junho de 2023, a Justiça Eleitoral o condenou pelos ataques feitos às urnas perante embaixadores do mundo todo em uma reunião no Palácio do Planalto”,contou a revista Veja, à época. (Leia aqui)
Exatos quatro meses depois – agora já como réu no STF – o ex-presidente volta a falar do tal Inquérito 1361, em meio a uma série de falas desconexas, surtado que estava com a decisão da Suprema Corte nesta quarta-feira, 26.