17

Cinco anos de blog: 12 milhões de acessos…

Este blog completa hoje cinco anos ininterruptos à disposição na Internet.

Em 26 de setembro de 2006 – cinco dias antes do primeiro turno das eleições estaduais – ele passou a veicular notícias pela primeira vez.

E foi um sucesso instantâneo.

O blog em uma de suas primeiras versões, ainda vinculado ao imirante.com

De lá para cá, foram quase cinco mil textos, com mais de 70 mil comentários e quase 12 milhões de acessos nas três versões já utilizadas. É uma média de mais de 1,9 milhão de acessos por ano, o que torna esta página uma das mais vistas do Norte e Nordeste.

Cinco anos depois, este blog ainda detém um recorde no Maranhão – foi o único do estado a registrar 72 mil acessos em um único dia. O recorde, nunca superado, ocorreu quando da publicação do texto “Só há bandido no Flamengo?”.

É deste blog também a segunda melhor marca, com 36 mil acessos/dia, registrada na cassação de Jackson Lago (PDT), em 2009.

Construindo um perfil de coragem, independência e credibilidade ao longo dos últimos cinco anos, este blog passou a ser um dos mais influentes do Maranhão, lido por quem toma decisão em todas as esferas do poder.

É um dos mais citados, por exemplo, em discursos na tribuna da Assembléia Legislativa. É um dos poucos lidos no Palácio dos Leões e também o que mais leva a Prefeitura de São Luís a dar respostas públicas sobre aspectos de sua administração.

É com este perfil que o blog chega ao primeiro quinquênio.

Com disposição para se aperfeiçoar cada vez mais nos próximos cinco, dez, 15 anos.

Com coragem, independência e credibilidade…

30

Pais & Filhos…

Lobinhos, Rosas e Gardênias são frutos da política patrimonialista culturamente instalada no Maranhão. Filhos e netos herdam os mandatos como coisas de família, modelo que se reproduz interior a dentro.

São estruturas como esta que geram declarações de arrogância e truculência de rebentos encastelados. “Nossa família decidiu…”, diz um deles, em clara resposta ao “Ele vem pro meu lugar…”, afirmado por outra.

E nos jornais se vê que família tal disputará com família qual em Codó, por exemplo. Em outras, como Caxias, mais reprodução de guerras familiares por um poder que jamais alcança o povo.

Quem não tem filhos, ou eles não se demonstram aptos para a herança, reproduz o modelo com sobrinhos, como os Tavares e os Cafeteira.

E até a esquerda oposicionista já caiu no vício da capitania hereditária.

No PDT, o Lago-filho substitui o Lago-pai, como  que vindo da “Europa civilizada” – onde passou a vida – para assumir o trono no reinado constituído com objetivo único de confrontar o outro reinado mais antigo.

No PT, são os Dutra que tentam se perpetuar, na Câmara e nos municípios; ou os Fernandes, que se substituem nos mandatos para manter-se encastelados.

O modelo perpassa as instituições e se instala no Judiciário.

Parentes de desembargadores e juízes dominam as salas de tribunais e os escritórios de advocacia, controlando o Direito e decidindo futuro de causas e questões.

Enquanto isso, os Silva comuns penam em hospitais carcomidos em busca de um auxílio médico que lhe alivie a dor; ou se perdem em delegacias subhumanas em busca de um cadinho de Justiça e paz.

E assim o Maranhão vai seguindo a sua sina, sob o signo de uma mentira incrustrada no solo fértil da região Norte.

Onde o direito de sorrir só é garantido aos sobrenomes.

Como presente de pai para filho…

4

Maranhense que atuou na 2ª Guerra ainda espera anistia do governo…

Ruy Moreira Lima: para a FAB, um subversivo

É maranhense um dos três pilotos da Força Aérea Brasileira que lutaram na 2ª Guerra Mundial e ainda estão vivos.

Natural de Colinas, o major-brigadeiro Ruy Moreira Lima só conseguiu esta patente em 1992. E hoje, aos 92 anos, ainda espera a patente de tenente-coronel-brigadeiro.

A história de Ruy Moreira Lima começa em uma pequena fazenda, no interior de Colinas, em 1934, quando ele decidiu seguir para o Rio de Janeiro e estudar no Colégio Militar.

– No dia 6 de outubro de 1944 entramos em combate. Eu completei 94 missões na Europa. Em três delas, quase morri – conta o brigadeiro, hoje morador do Rio de Janeiro e torcedor fanático do Fluminense.

De volta ao Brasil, o ex-combatente foi nomeado comandante da Base Aérea de Santa Cruz, em 1962, às vésperas do golpe militar. Paradoxalmente, foi exatamente o golpe militar o que mais lhe prejudicou. Fiel aos princípios do pai, de que “um soldado jamais conspira contra a pátria”, o brigadeiro não apoiou a revolta e foi cassado pelo regime militar.

Preso três vezes pela Ditadura, torturado e cassado, o maranhense foi também proibido de voar.

Em 1992, o piloto foi, finalmente, pomovido a major-brigadeiro. Mas a promoção a tenente-coronel ele ainda espera.

Enquanto isso, mantém o vigor físico com caminhadas pelo Bairro Peixoto, no Rio.

Sempre ao lado da mulher, Julinha, de 88 anos…

Leia Também:
“Os últimos subversivos” – revista IstoÉ.  

16

Luís Moura e José Gerardo… Por que não William Sozza???

Sozza, preso há 11 anos sem nenhuma acusação comprovada

De todas as questões nebulosas que resultaram na idas e vindas da espetaculosa CPI do Crime Organizado, uma delas permanece como assunto proibido nos círculos da Justiça e da Segurança Pública maranhenses.

O paulista William Walder Sozza está preso há 11 anos. Prisão injusta, mentirosa e arbitrária. Sem parentes no Maranhão, vive esquecido nos porões das penitenciárias maranhenses, como um estorvo que “as gentes boas” da polícia e da Justiça preferem esquecer.

Ele foi acusado de co-autoria no assassinato do delegado Stênio Mendonça, em março de 1997.

Willian Sozza nunca teve ligações com o Maranhão, não tinha parentes, amigos ou inimigos no estado. Não há registro de qualquer ligação telefônica dele para aparelhos cadastrados no estado- em tempo algum.

Mesmo assim, foi condenado há 16 anos de reclusão, dos quais já cumpriu 11 anos.

Apenas Walter Rodrigues e este jornalista questionaram, à época da CPI do Crime Organizado, e desde então, os motivos que levaram à prisão de Sozza.

Este jornalista questionou, inclusive, a autenticidade da identidade do motorista Jorge Meres, que surgiu pelas mãos da então cúpula  da Segup como quadrilheiro arrempendido pichando acusações contra meio-mundo em uma série de depoimentos absolutamente contraditórios entre si.

Falava uma coisa à polícia, outra à Justiça, uma terceira ao Ministério Público e outra também às CPIs de plantão. Mas ninguém nunca ligou para este detalhe – o circo estava armado.

Gabina e Moura também amargaram cadeia, mas já foram soltos

Mas por que Jorge Meres acusou Willian Sozza?

A resposta está em texto de Walter Rodrigues, intitulado “Oito anos na cadeia sem culpa” e publicado no blog do Colunão em 05 de maio de 2008.

Meres foi funcionário de Sozza em uma pequena empresa de Campinas. Demitido por beber demais, faltar muito ao emprego e ter nos ombros uma acusação de estrupo, jurou vingança ao ex-patrão. Encontrou na complacência da CPI a oportunidade para levar a cabo sua promessa.

A morte de Stênio levou ao circo da CPI do Narcotráfico

Todas estas contradições, as falhas nos depoimentos de Meres, a comprovação da acusação de estupro, as negativas dos próprios acusados de que conheciam Sozza estão nos relatórios da CPI do Crime Organizado, das investigações da Polícia Civil Maranhense e até nos dados da Polícia Federal.

Ninguém nunca se interessou por isso.

José Gerardo, Luiz Moura, Ilce Gabina e outros acusados pelo “mentiroso contumaz Jorge Meres” (expressão constante no próprio relatório da CPI) já estão em liberdade e com gordas indenizações no Maranhão.

Mas a Justiça que os pôs em liberdade não tem a mesma piedade no caso de Willian Sozza.

Que continua apodrecendos em cadeias maranhenses…

Leia também o post “Luís Moura, José Gerardo e Ilce Gabina…”
9

Os velórios do Manoel Beckman…

Neto Evangelista chora a perda do pai, João Evangelista, em 2010

A nova sede da Assembléia Legislativa foi inaugurada em novembro de 2008, após cinco anos de obras, iniciadas na gestão de Carlos Alberto Milhomem (DEM).

De lá para cá, o Palácio Manoel Beckman tem se notabilizado pela sequência de velórios em seu plenário, incomparavelmente maior do que os registrados em mais de 50 anos da antiga sede, na Rua do Egito.

Nestes 2 anos e meio de existência, a nova Assembléia já abrigou o velório de um ex-governador, dois deputados estaduais, um federal e um ex-deputado, o que chega a média de dois por ano.

E o número só não é maior por que a família do ex-goverador Jackson Lago (PDT), morto em abril deste ano, recusou-se a velá-lo no local.

Pedro Veloso: primeiro velório da nova Assembléia

Em outubro de 2009, o também pedetista Pedro Veloso morreu em São Paulo, vítima de câncer, mesma doença que havia sido diagnosticada, um ano antes, no presidente da Casa, João Evangelista (PSDB).

Evangelista morreu em maio de 2010, pouco tempo depois de deixar a presidência da Casa.

Seu velório também foi realizado no prédio que havia inaugurado, em 2008.

Caldas partiu sete dias depois de Evangelista

Sete dias depois, veio a óbito o ex-presidente da Assembléia, Marconi Caldas, vítima de infarto, aos 65 anos.

Com prerrogativa parlamentar, o corpo de Caldas também foi velado no plenário do Palácio Manoel Beckman.

Em janeiro, morreu o ex-governador e ex-prefeito de Imperatriz, Ribamar Fiquene (PMDB). Com as prerrogativas de chefe de estado, Fiquene também foi velado no plenário Nagib Haickel do Palácio Manoel Becman. 

O último adeus a Luciano Moreira

Em abril deste ano, o atual presidente da Assembléia, deputado Arnaldo Melo, tentou convencer a família de Jackson Lago a velar o seu corpo no Palácio Manoel Beckman.

Pedetistas e familiares se recusaram, optando pela acanhada sede do PDT, na rua dos Afogados.

A última homenagem fúnebre da Assembléia foi realizada sexta-feira, com a inesperada morte do deputado federal Luciano Moreira (PMDB) – a terceira autoridade a ser velada no plenário em dois anos e meio.

Dados tristes, sem dúvidas, mas ao mesmo tempo curiosos.

Marcas da história da nova sede da Assembléia Legislativa…

Post alterado às 12h05 para acréscimo de informações
19

Um manto para a história…

Craques do Vasco exibem o novo uniforme

O Vasco da Gama lançou hoje, oficialmente, a terceira camisa de jogo, homenagem à luta do time pela inclusão social do negro no

esporte brasileiro.

O Vasco foi a primeria equipe do Brasil a aceitar negros em seus times, numa época em que o racismo imperava no futebol carioca, dominado por Flamengo Fluminense e Botafogo – Aliás, o Vasco já estreou utilizando negros em sua formação.

A camisa, na cor preta, traz a cruz de malta no peito e, do lado esquerdo, uma mão estilizada em preto e branco, simbolizando a harmonia das raças.

História

A bela e histórica camisa

O Vasco subiu para a Primeira Divisão do futebol carioca em 1923, apenas um ano depois de ter criado a sua divisão de futebol. Neste mesmo ano, conquistou o campeonato, irritando os aristocratas do Flamengo e Fluminense por utilizar jogadores negros.

Para tentar barrar o sucesso do cruzmaltino, os ditos “grandes da época” tentaram proibir o uso de negros e pobres, alegando que isso era profissionalismo (na época, o futebol era amador, jogado por barões em fins de semana).

Sem sucesso, Flamengo e Fluminense e os demais “grandes” decidiram criar uma nova liga. O Vasco se recusou a participar e divbulgou documento alegando racismo. O documento histórico do Vasco deu origem à extinção do racismo no futebol brasileiro.

Em 1924, os clubes voltaram a se reunir em campeonato.

Roberto Dinamite apresenta o novo uniforme à imprensa

Novamente o Vasco foi campeão. E novamente no ano seguinte, o que levou os outros clubes a se reunir numa nova tentativa de barrar o sucesso daquele “timinho” de São Cristovão. Exigiram, então, que só poderiam participar do campeonato os clubes que tivessem estádios próprios.

O Vasco da Gama topou a parada e, em menos de seis meses, construiu São Januário, na época o maior estádio da América Latina.

E foi de novo campeão.

É esta bela história – sem paralelo no futebol brasileiro – que é lembrada pela nova camisa…

25

Os dois cometeram incesto; mas só um é visto como monstro…

O miserável Agostinho: fim trágico e cruel em uma cela do interior

José Agostinho Bispo Pereira, lavrador, alcunhado pela mídia sensacionalista de “O monstro de Pinheiro”, foi morto ao 55 anos. Teve filhos com a própria filha e mantinha relacionamento com uma das filhas-netas.

Antonio Luciano Pereira. Médico, bilionário, tratado pela mídia sensacionalista de “o dono de Belo Horizonte”, morreu aos 55 anos. Teve filhos com as próprias filhas e manteve relcionamento com uma das filhas-netas.

Duas histórias iguais, com personagens diferentes tratados desigualmente pela mídia.

O lavrador maranhense -sem acesso a escolas ou informações básicas que lhe pudessem esclarecer as coisas – foi trucidado e humilhado, até ser assassinado e decapitado em uma cela fétida do interior maranhense.

Luciano Pereira: vida cultivada no poder do dinheiro e romanceada no pós-morte

O empresário mineiro – com formação superior em Medicina, acesso às melhores escolas e consciente dos valores sociais básicos – foi ovacionado e tratado com status de celebridade. Ganhará, inclusive, um livro, tratando de suas aventuras sexuais.

As filhas e netas incestuosas de Agostinho Bispo se viram, agora, sozinhas, em busca de vida digna, após a morte do pai-avô-amante, tentando esquecer a tragédia familiar que marcou suas histórias.

As filhas e netas incestuosas de Antonio Luciano Pereira disputam nos tribunais uma fortuna de US$ 3 bilhões de dólares. E até assumem, orgulhosas, a condição de filha-neta e amante. Querem na Justiça reconhecer a “tragédia” que marcou suas histórias.

A mesma mídia que “matou” covardemente Agostinho Bispo – vítima da ignorância e do isolamento – mantém “imortal” Luciano Pereira – construtor de si mesmo e irônico com a própria barbárie que protagonizou.

A mesma sociedade que condenou uma infeliz vítima social – que fez do desconhecimento uma possibilidade de alívio da dor – se deslumbra com a arrogância de um infeliz, que fez das oportunidades uma arma de covardia e poder.

Assim vive a moderna sociedade brasileira… 

Leia aqui a história romanceada de Luciano Pereira    e aqui um pouco da história dramatizada de Agostinho Bispo 
27

O PT de ontem e o PT de hoje no Maranhão…

Esta imagem melhor representa o PT de ontem

O PT de ontem é aquele que gravita em torno do deputado federal Domingos Dutra (PT).

Usado pelo parlamentar – e formado, sobretudo, por petistas nunca testados nas urnas, por petistas testados e reprovados e por “intelectuais” aprisionados nos primeiros períodos das faculdades públicas – este PT sempre foi linha auxiliar dos ícones da oposição e nunca prosperou.

Sua maior conquista foi uma vice-prefeitura de Jackson Lago (PDT), em 1996.

O próprio Dutra era o titular, esquecido em um “palacinho” no Monte Castelo, sem direito a vez ou voz na adminsitração e com uma ou outra secretaria-adjunta, depois escurraçada quando do rompimento entre PT e PDT.

O Mesmo Jackson voltou a usar o PT em 2006.

Os mesmos petistas sem voto, testados e reprovados nas urnas, e os intelectualóides de primeiro período, defendiam a aliança com o governo, jogados em pastas sem expressão e algumas sinecuras tidas como adjuntas.

Além das bancadas inexpressivas na Câmara Federal, na Câmara Municipal e na Assembléia Legislativa.

Este é o PT de ontem.

O PT de hoje tem a imagem da conquista do poder e de protagonista da história

O PT de hoje é o de Lula. Partido que agora chega de fato ao poder no Maranhão, dividindo espaços na administração pública e somando com os vencedores.

Já tem o vice-governador que toma posse em 2011 – Washington Oliveira – e os secretários de Trabalho, José Antonio Heluy, e de Desenvolvimento Social, Edmilson Campos.

Todas pastas com cacife político de peso, com programas de grande alcance social no estado.

Já comandou a Secretaria de Educação e pode voltar a comandá-la, desde que indique um técnico afinado com o setor e de comprovada competência em educação básica.

Também pode compor as importantes secretarias de Agricultura e de Igualdade Racial – além disso, elegeu pela primeira vez três deputados estaduais.

Sem falar no capital político que consolidou, ampliando os horizontes eleitorais, em aliança com o PMDB que pode ser repetida em 2012 e que, fatalmente, resultará em um novo patamar de poder em 2014.

De uma forma ou de outra.

Este é o PT de hoje…

11

Como o Rio caiu nas mãos das facções…

Do blog de Caio Hostílio

Três fatos históricos paralelos, ocorridos entre o fim dos anos 1970 e começo dos anos 1980, foram decisivos para moldar o perfil das facções de drogas no Rio e marcar as diferenças do crime fluminense do existente nos demais Estados brasileiros. O primeiro foi a convivência de presos políticos e bandidos comuns no Presídio de Ilha Grande, relação que ensinou os fundadores da nascente Falange Vermelha a se unirem e a se organizarem em busca de alternativas criminosas lucrativas. 

O sucesso da aposta no tráfico de drogas, feita pela nova facção, só ocorreu porque, nessa época, cartéis bolivianos e colombianos buscavam contatos na América Latina para ampliar a exportação de cocaína e diversificar a venda além dos Estados Unidos. Por fim, a ampliação da rede varejista de drogas nas favelas do Rio, intensificada entre 1981 e 1986, foi favorecida pela política do governador trabalhista Leonel Brizola, que a partir de 1983 suspendeu a ação da polícia nos morros. 

CV e TC. As primeiras ações da Falange foram de roubo a banco. Em 1980, o grupo conseguiu liderar mais de cem fugas que resultaram em pânico na rede bancária a ponto de forças de segurança desconfiarem da reestruturação de grupos guerrilheiros. Os bancos se defenderam com estratégias eficientes, levando os bandidos a se aventurarem no tráfico.

 Com um bom fornecedor de cocaína, entre 1983 e 1986, o agora Comando Vermelho passou a dominar as bocas de fumo tradicionais, tocadas por pequenos traficantes de maconha. Em 1985, já detinha 70% de todos os pontos de venda em um grande e lucrativo mercado.

A concorrência sangrenta por territórios começa também nessa época. Em 1983, ainda no Presídio de Ilha Grande, bandidos que ficavam na terceira galeria, vindos principalmente da zona oeste do Rio, travaram uma guerra violenta com integrantes do CV. Nascia o Terceiro Comando, que optaria pelo tráfico para lucrar, se armar e disputar territórios com o CV.

Apesar das guerras contínuas, no começo dos anos 2000, relatórios do setor de inteligência da Polícia do Rio calculavam que o CV, com contatos no Paraguai, Bolívia e Colômbia, movimentava cerca de 240 milhões de dólares por ano.

ADA. A disputa por territórios ficaria ainda mais acirrada em 1994, quando ocorre aquela que é considerada uma das maiores traições no mundo do crime carioca. Orlando Jogador, líder do CV no Complexo do Alemão, é assassinado por Uê por causa de rixas ligadas a mulheres. Depois do homicídio, Uê cria os Amigos dos Amigos (ADA) no Morro do Adeus, vizinho do Alemão, e inicia uma batalha que vai durar até setembro de 2002. Ele consegue um bom fornecedor de cocaína e apoio de bandidos importantes como Escadinha, do Morro do Livramento.

A honra de Orlando Jogador foi lavada por Marcinho VP, que era seu antigo ‘fiel’, espécie de ajudante de ordens, e foi acusado de assassinar Uê. A força e a mística de VP no Comando Vermelho cresce nessa época. Foi VP que mandou ordens de dentro do Presídio de Catanduvas, orientando FB a iniciar os ataques que deixaram o Rio de Janeiro em pânico.

UPP. As rixas violentas entre o CV e a ADA foram revistas depois que as UPPs se instalaram nos morros do Rio de Janeiro. A queda no movimento no comércio de drogas, acentuada com a chegada da polícia, levou os antigos inimigos a se unirem. O Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro, para onde fugiu grande parte dos traficantes expulsos, são considerados quartel-general do CV. A Rocinha, que até 2003 era dominada pelo Comando, hoje é reduto e principal fonte de lucro da ADA. As facções se juntaram para lutar contra o Estado.

E poucos arriscam a prever os próximos capítulos da história…