Campanha de 2026 dirá se a propaganda de rádio e TV ainda tem força para influenciar o processo eleitoral e se as redes sociais e canais de internet já se consolidaram como alternativa de comunicação

LULA E BOLSONARO REPRESENTAM DOIS MOMENTOS DA COMUNICAÇÃO POLÍTICA, o que se replica também entre os candidatos no Maranhão
Ensaio
O eleitor brasileiro – o maranhense incluído – passa a conviver a partir desta sexta-feira, 28, com a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, espécie de guia para se conhecer perfil e propostas dos candidatos.
- Mas qual o impacto, hoje, deste tipo de anúncio na decisão do eleitor?
- a propaganda no rádio e na TV perdeu importância para as redes sociais?
- os eleitores estão mesmo querendo saber quais as propostas dos candidatos?
“Entendemos que o impacto da propaganda eleitoral é cada vez mais limitado. Entendo, também, que as propostas não são tão relevantes, porque as eleições cada vez mais viraram, como pauta central, assuntos de quem você rejeita mais”, avalia o cientista político Andrei Romam, CEO do instituto de pesquisas AtlasIntel. (Saiba mais aqui)
A eleição de 2026 deve marcar a consolidação de um novo modelo eleitoral, que deverá ser usado em todos os seus aspectos a partir do resultado deste processo.
A queda de audiência das TVs abertas, a força dos streaming e das redes sociais, o debate cada vez mais superficial e pueril devem suplantar ideias e propostas, hoje obsoletas no conteúdo e na forma de se apresentar.
O Brasil vive, desde 2016, uma espécie de período de transição entre as eleições tradicionais – como a de 2014, a última totalmente dentro do modelo antigo – e as novas formas de se comunicar com o eleitor.
- nestes 10 anos, houve o impeachment de Dilma, a prisão de Lula, a ascensão de Bolsonaro e o fortalecimento da extrema-direita;
- o Brasil vive, desde 2018, exatamente o que diz Andrei Romam: uma polarização entre quem é mais ou menos rejeitado pelo eleitor.
“A eleição de 2018 colocou o Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) em xeque. Um candidato com apenas seis segundos de tempo de propaganda no rádio e na televisão foi eleito presidente”, diz o artigo “Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral e a formação da opinião pública na eleição presidencial de 2018”, assinado pelo pesquisador Felipe Borba, do Centro de Estudos da Opinião Pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro. (Veja aqui)
Apesar da constatação, Borba ainda reconhece a importância do Horário Eleitoral para a democracia.
As redes sociais não construíram apenas o ex-presidente Jair Bolsonaro. No Maranhão, o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) – personagem que desponta nestas eleições – cresceu com as redes sociais e a bolha da internet e hoje tem amplas chances de se eleger governador.
2026, será, portanto, o ano da internet, das redes sociais, como modelo de comunicação política?!?
“A comunicação política no Brasil vive um estágio de transição tecnológica. Embora a inflexão para as redes sociais seja uma tendência em consolidação, a comunicação eleitoral de 2026 ainda será desafiada a dialogar com o modelo híbrido, no qual o analógico e o digital fazem parte das preferências de um número ainda significativo de brasileiros”, pondera o professor-doutor Fábio Vasconcellos, cientista político da PUC-RJ e da UERJ. (Saiba mais aqui)
Este ponto de inflexão marcará todo o processo eleitoral de 2026.
E definirá os rumos da campanha política nos próximos anos…




