Jornalista não cometeu crime algum contra Flávio Dino, diz Polícia Federal…

Relatório encaminhado ao STF – com parecer favorável do Ministério Público – não apontou irregularidades de Luís Pablo na denúncia de uso ilegal de um carro oficial pela mulher do ministro

 

MORAES DETERMINOU A INVASÃO DA CASA DE LUÍS PABLO em busca da fonte que informou o uso do carro do TJ-MA pela mulher de Flávio Dino

A investigação da Polícia Federal não conseguiu apontar crime algum na conduta do jornalista Luís Pablo, que denunciou o uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão pela esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.

A posição da Polícia Federal foi revelada pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

“[Não é possível] apontar com máxima certeza”, diz o documento da PF, segundo a jornalista. (Leia aqui)

  • o relatório da PF contou, inclusive, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República;
  • mesmo assim, o ministro Alexandre de Moraes determinou busca e apreensão contra Luís Pablo.

A decisão de Moraes levou à descoberta de que as informações sobre o uso do carro oficial pela mulher de Dino foi repassada a Pablo pelo ex-secretário Raimundo Cutrim.

No fim das contas – diante do relatório da PF e do Parecer da PGR – a única irregularidade no caso foi a quebra do sigilo da fonte jornalística, um preceito constitucional.

Tudo para que Flávio Dino soubesse quem revelou o uso do carro por sua mulher.

É simples assim…

“Jornalista informa, é o seu dever”, diz Joaquim Haickel

Ex-deputado constituinte, confrade de Flávio Dino na Academia Maranhense de Letras avalia que o ministro do STF usa de sofismas para criminalizar a denúncia de que sua esposa usou carro oficial do TJ-MA

 

JOAQUIM HAICKEL DESMONTOU OS ARGUMENTOS DE FLÁVIO DINO para justifcar as ações do STF contra o jornalista Luís Pablo

O ex-deputado federal constituinte, ex-deputado estadual, jornalista, escritor, cineasta e membro da Academia Maranhense de Letras Joaquim Nagib Haickel desmontou, em artigo publicado em suas redes sociais, os argumentos do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino para criminalizar a denúncia de que sua esposa usou um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão em atividades pessoais. 

  • em suas falas sobre o caso, Dino tem dito que o sigilo da fonte é uma teoria funcional só usada quando necessária ao exercício profissional;
  • para desqualificar esse direito, ele faz uma comparação usando um médico, que teria liberdade para matar e alegaria “sigilo médico”;
  • em outro exemplo, Dino fala de advogado que poderia instalar lavagem de dinheiro em seu escritório e alegar “imunidade profissional”.

“Repare na armadilha. Ele diz que o sigilo não cobre o médico que mata nem o advogado que lava dinheiro. Verdade. Mas os dois exemplos dele têm um crime grave dentro, o assassinato, a lavagem. É o crime que autoriza quebrar o sigilo. Sem crime, o exemplo não vale. E o que fez o jornalista? Noticiou que um ministro usava um carro blindado do Tribunal de Justiça. Isso não é assassinato, não é lavagem, não é crime nenhum. É denúncia de irregularidade, o uso indevido de um bem público, exatamente o que a imprensa existe para fiscalizar. Mesmo que o uso do veículo fosse regular, a denúncia não seria crime, muito menos crime grave. Aí está a incoerência, escancarada. O médico mata, é crime. O advogado lava dinheiro, é crime. O jornalista informa, é seu dever”, desmonta Joaquim Haickel, no artigo intitulado “Cadê o Crime?!?”.

O próprio relatório da Polícia Federal – usado pelo ministro Alexandre de Moraes para autorizar busca e apreensão contra Luís Pablo – assume que não tem como provar crime cometido pelo jornalista, muito menos que ele tenha recebido dinheiro para denunciar o ministro. (Leia aqui)

Para Joaquim Haickel – que é confrade de Flávio Dino na Academia Maranhense de Letras – o ministro está comparando o exercício de um direito coma  prática de um crime para justificar, falsamente, as ações do STF contra Luís Pablo.

“Sem crime, não há o que justifique furar a proteção da fonte. E aí a máscara cai. Quando o poderoso usa uma regra feita para punir o crime contra quem apenas o fiscalizou, aquilo já não é aplicação da lei, é abuso de poder. E quando o alvo é justamente o jornalista que o incomodou, o abuso tem nome: perseguição”, afirmou o ex-deputado.

As ações de Dino e Moraes contra o jornalistas – e contra outros jornalsitas país a fora – tem tido forte repercussão negativa nas últimas semanas…

Exclusivo!!! Flávio Dino derruba sigilo de processos da família Brandão e aliados…

Após forte repercussão negativa do caso Luís Pablo, ministro do STF decide liberar decisões envolvendo o caso Tech Office, investigação contra o senador Weverton Rocha e outras ações conexas

 

FLÁVIO DINO RESOLVEU EXPOR TODAS AS INVESTIGAÇÕES ENVOLVENDO A FAMÍLIA BRANDÃO e seus aliados, após repercussão do caso Luís Pablo

Exclusivo

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou nesta sexta-feira, 14, o fim do sigilo de pelo menos três ações ligadas diretamente à família do governador  Carlos Brandão (PSB), ao senador Weverton Rocha, ao caso Tech Office e uma série de ações que ele diz ter conexões entre si.  

Imediatamente as ações liberadas chegaram a este blog Marco Aurélio d’Eça.

  • a Petição 15.437 trata do afastamento cautelar e busca e apreensão contra o agente de Polícia Federal Edivar Rodrigues dos Santos; (Leia tudo aqui)
  • as petições 15.900 e 16.356 trata homicídio do Tech Office, que os dinistas tentam ligar ao presidente do TCE, Daniel Brandão; (Leia a íntegra aqui)
  • estas petições também envolvem a quebra do sigilo telefônico do senador Weverton Rocha (PDT), que a Polícia Federal acusa de envolver-se nos casos;
  • por fim, tem a PET 154.438, que envolve diversas outras e vários casos relacionados, desde emendas parlamentares a obstrução de justiça (Leia a íntegra)

“Como já destacado anteriormente, aparentemente todos os fatos guardam conexão, tanto sob o aspecto intersubjetivo, quanto teleológico e instrumental. Nesse passo, na visão dos trabalhos policiais, o homicídio praticado em 2022, derivado de atos de corrupção, levou a vacâncias e nomeações no Tribunal de Contas do Estado e a sucessivos atos tendentes a impedir ou embaraçar as investigações e a atuação do Poder Judiciário, abrangendo a Justiça do Estado, o STJ e este STF”, afirmou Flávio Dino, em uma das peças.

A decisão de Flávio Dino de expor todas as ações se dá após a forte repercussão negativa da quebra do sigilo da fonte do jornalista Luís Pablo – determinada pelo ministro Alexandre de Moraes – para descobrir quem passou ao jornalsitas informações sobre o uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão, em afazeres particulares, pela mulher de Flávio Dino.

No total, são 123 páginas de processos relacionados. Todas elas agora à disposição pública.

E publicadas com exclusividade neste blog Marco Aurélio d’Eça…

Editorial!!! Só há um crime no caso Pablo: a quebra do sigilo da fonte…

No momento em que juízes usam suas estruturas de poder para descobrir quem passou informações contra eles, o estado democrático de direito está em risco no Brasil

 

CENSURADO E CRIMINALIZADO; Luís Pablo foi atacado em seu direito de denunciar quem comete abusos. Simples assim…

Editorial

Juízes não são deuses. 

Podem até se achar, mas não o são. Ponto.

Dito isto, é preciso estabelecer que o Estado Democrático de Direito está em risco, na medida em que um magistrado – seja ele qual for – usa as estruturas de poder de que dispõe para descobrir quem está passando informações contra ele.

E foi isso que aconteceu no caso envolvendo o jornalista maranhense Luís Pablo.

  • só há um crime no caso de Pablo e não é sua denúncia; é a quebra do sigilo da fonte;
  • sob qualquer aspecto que se veja, o jornalista foi uma vítima absurda do abuso de poder.

Juízes não são deuses.

Um magistrado, seja ele do nível que for, não pode usar do seu poder para beneficiar familiares com privilégios que o posto assegura apenas a ele. O que Luís Pablo denunciou foi exatamente isto: o abuso deste privilégio. 

  • pouco importa como o jornalista obteve a informação de uso indevido de privilégios;
  • o que precisa ser explicado – e que nunca foi – é esse abuso de privilégio denunciado.

O Brasil está em risco na medida em que membros do Judiciário se acham no direito de usar as estrutura de poder que estão à sua disposição para investigar e perseguir quem os denuncia.

  • o crime contra Luís Pablo precisa ser denunciado não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro;
  • organismos internacionais de liberdade de imprensa precisam ficar sabendo o que aqui ocorre.

O sigilo da fonte é um pressuposto pétreo do exercício da profissão de jornalista; quebrá-lo por interesses pessoais é, portanto, um crime de lesa pátria, que precisa ser exposto.

Por que juízes não são deuses…