Falta de estrutura começa a pesar na campanha de Braide…

Dois meses depois de deixar a Prefeitura de São Luís para arriscar-se na disputa pelo governo, ex-prefeito enfrenta dificuldades logísticas por falta de apoio no interior

 

EDUARDO BRAIDE SEGUE O INTERIOR, mas começa a ressentir-se da falta de estrutura para mobilização de eleitores fora da bolha da internet

Análise da notícia

Em conversa com este blog Marco Aurélio d’Eça, no sábado, 23 – quando se deslocava para Humberto de Campos – o deputado estadual Fernando Braide (PSD) respondeu assim, a uma pergunta sobre possível aliança com o deputado federal Duarte Júnior (Avante) para a disputa do Senado:

“O Duarte no PSD não faria sentido. Mas em outro partido, a gente não tem problema nenhum na aliança. Mas acho difícil que ele seja candidato ao Senado na nossa chapa. O Eduardo precisa de estrutura, de logística e de tempo de propaganda, o que Duarte não oferece”.

  • dias depois, Fernando Braide repetiu a outros jornalistas a opinião sobre Duarte;
  • mas ficou evidente a necessidade do ex-prefeito de São Luís por estrutura política.

Este blog Marco Aurélio d’Eça já havia mostrado as dificuldades de Eduardo Braide em fazer volume no interior, principalmente pela sua postura arredia à classe política, que teme um governo seu.  

“É preciso compreender que é a liderança quem vai atrás dos votos no interior, nas pequenas cidades. E eu precisava ter a garantia dessas lideranças para consolidar minha candidatura ao senado”, ensinou o senador Weverton Rocha (PDT), em conversa com este blog Marco Aurélio d’Eça, na última segunda-feira, 25, quando preparava o lançamento de sua candidatura à reeleição.

O estrategista Mateus Zani, especialista em marketing político, vai na mesma linha de Weverton, e explica que o sucesso nas redes sociais não significa, automaticamente, sucesso eleitoral.

“Eleição não é só opinião. É capacidade de levar pessoas para votar. Isso muda tudo, por que curtida não vota, trend não vota, comentário não vota. Estrutura vota”, ensina Zani, em postagem com parceria do também estrategista Gabriel Peixoto. (Veja aqui)

É exatamente o que ocorre com Eduardo Braide.

O ex-prefeito fez sucesso nas redes sociais e navega em uma bolha de curtidas, trends e comentários elogiosos.

Mas o voto no interior, quem controla é a liderança, esteja ou não na internet.

É simples assim…

Editorial: vaquejada, por si só, já é uma violência!!!

Vista como esporte por alguns, prática é marcada por brutalidade e crueldade a animais em todos os seus aspectos; e atrai, pro circunstância, gente também já envolvida em ambiente de forte agressividade social

 

DOIS CONTRA UM!!! Homens a cavalo tentam render um touro indefeso, numa covardia machista, para delírio de marmanjos em espécie de catarse coletiva

Editorial

O assassinato do policial militar Gleidson Thiago dos Santos pelo prefeito de Igarapé Grande João Vitor Xavier poderia ter ocorrido em qualquer ambiente e sob qualquer circunstância; mas o fato de ter ocorrido durante uma vaquejada não se constitui uma mera coincidência.

O ambiente de vaquejada, em si próprio, já é uma violência.

  • vista por muitos como esporte, a prática é cercada de brutalidade e crueldade contra animais;
  • e também por este motivo, atrai, em sua maioria, gente também adepta de práticas violentas.

Pelo próprio conceito da atividade [dois vaqueiros montados em cavalos diversos tentando derrubar um boi pelo rabo], explícitos se revelam os maus tratos aos animais envolvidos (aos cavalos e, principalmente, ao touro). O rabo do touro sempre sofre uma tração forçada com o propósito de ser derrubado e dominado. Laudos técnicos evidenciam consequências de diversas gravidades, como sofrimento físico e mental. Muitas vezes a cauda é arrancada ou, no mínimo, sofre algum tipo de lesão, o que compromete os nervos e a medula espinhal do bovino, além de fraturas nas patas, ruptura de vasos sanguíneos e de intenso estresse”, apontou a jurista Camila Neiva Almino, em texto para o site Consultor Jurídico. (Leia a íntegra aqui)

No Maranhão, saíram das vaquejadas algumas das histórias mais violentas do cotidiano policial no estado; é oriundo desta prática, por exemplo, o vaqueiro José Humberto Gomes de Oliveira, o Bel, assassino do delegado Stênio Mendonça.

  • exímio montador, Bel era admirado nas vaquejadas enquanto matava a sangue frio nas horas de folga;
  • de vaqueiro também se disfarçava o cruel pistoleiro e assassino do jornalista Décio Sá, Jhonatan de Sousa.

A prática de vaquejada envolve em todo o Nordeste um tripé cultural, formado por política, agronegócio e música sertaneja

É neste caldo cultural, cristão-católico e conservador, que machos-alfa-hetero-cis medem a testosterona e o tamanho da pistola – ou, para os mais raízes, do revólver – em reuniões regadas a muita, mas muita bebida alcoólica.

Este blog Marco Aurélio d’Eça sempre se posicionou contrário à prática de vaquejada pela própria consciência social; e apoiou a decisão do Supremo Tribunal Federal, em 2023, que julgou inconstitucional a prática em todo o país. (Relembre aqui e aqui)

Em agosto de 2019, festejou a luta pelo fim das vaquejadas com editorial ainda mais radical, sob o título “Próximo passo: proibição da venda de animais no país”.

Meses depois, o Congresso Nacional emendou a Constituição para tornar a prática legal, sob pressão da bancada ruralista, financiadora de música sertaneja e de farras campais homéricas em que bois e cavalos são as “feras a serem domadas nas arenas”.

“Há várias atividades com forte poderio econômico que não fazem bem à sociedade; o que precisa ser visto é a forma cruel como os animais são tratados neste suposto esporte”, declarou , à época, a senadora Eliziane Gama (PSD), uma das poucas maranhenses a se posicionar contra as vaquejadas.

É claro que há muitos casos de políticos que assassinam policiais e policiais que assassinam políticos em ambientes os mais diversos possíveis.

É mais fácil de isso acontecer, porém, em abiente onde a violência é a regra por natureza.

E a vaquejada pé um desses ambientes…