Como transformar nossas sociedades sem EDUCAR o soberano (povo)?!?

A tragédia silenciosa do analfabetismo no Maranhão e a urgência de um pacto republicano pela alfabetização

 

Por Waldir Maranhão

Há tragédias que se anunciam com sirenes, luto público e comoção imediata. Outras atravessam gerações em silêncio, disfarçadas de normalidade, alojadas nas estatísticas, aceitas como se fossem destino. O analfabetismo no Maranhão pertence a essa segunda categoria: não explode em praça pública, mas corrói por dentro a cidadania, a economia, a democracia e a própria noção de futuro.

A pergunta que precisa constranger a política maranhense é simples e brutal: como transformar nossas sociedades sem educar o soberano?

Em uma democracia, o povo é o soberano. Mas que soberania real possui quem foi impedido de ler plenamente o mundo, de interpretar um documento, de compreender uma proposta de governo, de reconhecer uma mentira travestida de notícia ou de defender seus próprios direitos diante da burocracia do Estado?

  • O analfabetismo não é apenas a ausência de letras.
  • É a presença persistente da desigualdade.
  • É uma cerca invisível erguida entre o cidadão e a liberdade.

É a negação prática do direito de participar da vida pública em condições mínimas de autonomia. Quem não lê depende de terceiros para decifrar contratos, remédios, mensagens, editais, benefícios sociais, orientações de saúde, boletos, leis, notícias e promessas eleitorais. Essa dependência fragiliza o cidadão e fortalece intermediários.

A estatística que deveria envergonhar a República
Os números recentes não permitem complacência. Em 2024, a taxa de analfabetismo no Maranhão chegou a 11,3% da população de 15 anos ou mais. Isso significava aproximadamente 619,3 mil jovens e adultos que não sabiam ler e escrever no estado. No mesmo período, a taxa maranhense estava cerca de 6,3 pontos percentuais acima do restante do país, segundo o painel Amazônia Legal em Dados, com base na PNAD Contínua.

No Brasil, houve avanço: em 2025, a taxa nacional caiu para 4,9%, a primeira vez abaixo de 5% na série recente. Mas o próprio IBGE informou que ainda existiam 8,4 milhões de pessoas analfabetas com 15 anos ou mais. Mais da metade desse contingente estava no Nordeste. Ou seja, a queda estatística não autoriza celebração vazia. Ela exige acelerar a correção de uma dívida histórica.

O Plano Nacional de Educação foi claro ao estabelecer a Meta 9: elevar a alfabetização da população de 15 anos ou mais, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir o analfabetismo funcional. O prazo passou, e o país não cumpriu plenamente aquilo que prometeu a si mesmo. Quando a República descumpre uma meta dessa natureza, não falha apenas tecnicamente; falha moralmente.

Analfabetismo é também uma questão de poder
Durante muito tempo, o povo foi chamado às urnas com mais eficiência do que foi chamado à escola. Foi convocado para legitimar governos, mas nem sempre recebeu do Estado as condições para se libertar da dependência política. Essa contradição precisa ser dita sem medo: uma sociedade que aceita conviver com analfabetismo em massa aceita também uma forma sofisticada de exclusão democrática.

  • Onde a leitura não chega, a manipulação entra com facilidade.
  • Onde a escola falha, o favor ocupa o lugar do direito.
  • Onde falta cidadania educada, o clientelismo encontra terreno fértil.

Um povo alfabetizado pergunta, compara, fiscaliza, exige orçamento, cobra resultado e não se contenta com espetáculo. Um povo alfabetizado entende que política pública não é generosidade de governante, mas obrigação do Estado.

Por isso, alfabetizar não é uma pauta técnica reservada a secretarias. Alfabetizar é uma decisão política central. É democratizar o poder. É retirar o cidadão da condição de dependência e colocá-lo na condição de sujeito. É permitir que a pessoa deixe de apenas ouvir a história contada pelos outros e passe a escrever a própria história.

A ferida maranhense é antiga, mas não é destino
O Maranhão carrega marcas profundas de desigualdade social, concentração de renda, ruralidade desassistida, pobreza persistente e abandono histórico de comunidades inteiras. O analfabetismo é uma das expressões mais duras desse processo. Ele atinge idosos que trabalharam a vida inteira, mulheres que sustentaram famílias, trabalhadores rurais, periferias urbanas, povos tradicionais, pessoas com deficiência e populações que sempre receberam do Estado menos do que lhes era devido.

É preciso ter cuidado para não confundir analfabetismo com incapacidade. Falta letra, não inteligência. Falta oportunidade, não dignidade. Muitos maranhenses que não tiveram acesso à escola dominam saberes da terra, da pesca, da cultura, da fé, da sobrevivência, da família e do trabalho. A tragédia não está neles. A tragédia está em um poder público que demorou demais para garantir o óbvio: ninguém deve atravessar a vida sem o direito de ler e escrever.

  • A alfabetização de adultos, portanto, não pode infantilizar o adulto.
  • Deve reconhecer sua história, sua jornada e sua força.

A Educação de Jovens, Adultos e Idosos precisa ser redesenhada com respeito: horários compatíveis com o trabalho, transporte, alimentação, material adequado, busca ativa, professores valorizados, metodologia própria, acolhimento e ligação com qualificação profissional.

Crianças alfabetizadas: avanço, mas não salvo-conduto
Também é necessário olhar para a infância. O Maranhão registrou avanço recente no Indicador Criança Alfabetizada, alcançando 69% e superando a meta estadual e a média nacional divulgadas para o período. Esse resultado deve ser reconhecido como sinal positivo. Mas ele não pode servir de anestesia. Se 69% representa avanço, também revela que ainda há uma parcela expressiva de crianças que precisa ser alcançada com urgência.

Criança que conclui os anos iniciais sem ler adequadamente não está apenas atrasada na escola; está sendo empurrada para uma sequência de fracassos previsíveis. A alfabetização na idade certa é o primeiro degrau da aprendizagem. Sem ela, matemática vira enigma, ciências vira decoreba, história vira ruído, tecnologia vira barreira, cidadania vira palavra distante.

O combate ao analfabetismo exige duas frentes simultâneas: impedir que novas gerações cheguem à adolescência sem domínio da leitura e resgatar jovens, adultos e idosos que foram deixados para trás. Uma política que escolhe apenas uma dessas frentes será sempre incompleta.

Educação como centro de um novo pacto maranhense
O Maranhão precisa tratar a alfabetização como emergência republicana. Isso significa organizar um grande pacto entre Estado, municípios, União, universidades, igrejas, movimentos sociais, sindicatos, escolas, empresas, sistema de justiça, imprensa e comunidades. A alfabetização não pode ser programa de governo com prazo eleitoral; precisa ser compromisso de Estado com horizonte geracional.

Esse pacto deve ter metas públicas, indicadores transparentes e cobrança permanente. Cada município deve saber quantos jovens e adultos não alfabetizados existem em seu território. Cada escola deve ser centro ativo de busca. Cada comunidade deve ter uma estratégia. Cada gestor deve prestar contas. Cada orçamento deve revelar prioridade. O dinheiro público precisa chegar à sala de aula, ao professor, ao material, à formação, ao transporte e à permanência do estudante.

  • Não basta abrir matrícula; é preciso garantir permanência.
  • Não basta inaugurar programa; é preciso medir aprendizagem.
  • Não basta anunciar números; é preciso transformar vidas.

A política educacional deve sair do gabinete e entrar nas casas, nos povoados, nos bairros, nos quilombos, nas aldeias, nas periferias, nas zonas rurais e nas comunidades ribeirinhas.

O povo não quer tutela; quer instrumentos de liberdade
O povo maranhense não precisa de piedade. Precisa de direitos. Não precisa de tutela. Precisa de instrumentos. Não precisa ser tratado como massa de manobra. Precisa ser reconhecido como soberano. E soberano sem educação é soberano apenas no discurso. A verdadeira soberania popular nasce quando cada cidadão tem condições de compreender, decidir, questionar e construir.

A alfabetização é a primeira tecnologia da democracia. Antes do computador, antes da inteligência artificial, antes da economia digital, antes dos discursos sobre inovação, há uma condição elementar: saber ler. Quem ignora isso está construindo futuro sobre areia. Não haverá Maranhão desenvolvido com centenas de milhares de pessoas excluídas da palavra escrita.

Por isso, a tragédia do analfabetismo precisa sair do rodapé dos relatórios e ocupar o centro do debate público. Ela deve ser tema de palanque, de orçamento, de reunião de prefeitos, de assembleias legislativas, de câmaras municipais, de universidades, de conselhos de educação e de famílias. O silêncio é cúmplice da repetição.

A revolução começa pela palavra
O Maranhão tem cultura, juventude, território, biodiversidade, inteligência popular, vocação produtiva e força comunitária. Mas nenhuma riqueza se realiza plenamente quando parte do povo permanece excluída do domínio da leitura. Educar o soberano é libertar o Maranhão de um atraso que não é natural, mas produzido. É romper com a ideia de que pobreza e baixa escolaridade são paisagem inevitável.

Se queremos uma sociedade mais justa, precisamos educar o povo. Se queremos desenvolvimento econômico, precisamos educar o povo. Se queremos democracia forte, precisamos educar o povo. Se queremos vencer a pobreza, precisamos educar o povo. Se queremos acabar com a manipulação, o clientelismo e a dependência, precisamos educar o povo.

A pergunta inicial, portanto, tem resposta: não se transformam sociedades sem educar o soberano. Pode-se administrar a pobreza, distribuir favores, produzir propaganda e simular modernidade. Mas transformar de verdade exige alfabetizar, formar, emancipar e confiar no povo.

Um povo que lê não apenas decifra letras. Decifra promessas. Decifra mentiras. Decifra contratos. Decifra o poder. E quando o povo aprende a ler o mundo, nenhum projeto de dominação permanece confortável por muito tempo.

Educar o soberano é a primeira revolução. O Maranhão não pode esperar outra geração para começá-la de verdade…

Fontes de apoio consultadas para os dados citados:

  • IBGE, Agência de Notícias: PNAD Contínua Educação 2025 — taxa nacional de analfabetismo de 4,9% e 8,4 milhões de pessoas analfabetas com 15 anos ou mais.
  • IBGE, Agência de Notícias: PNAD Contínua Educação 2024 — 9,1 milhões de pessoas analfabetas no Brasil e taxa nacional de 5,3%.
  • • Amazônia Legal em Dados: indicador “Taxa de analfabetismo no Maranhão”, com base na PNAD Contínua — 11,3% em 2024 e cerca de 619,3 mil jovens e adultos analfabetos.
  • • IBGE, Censo Demográfico 2022: alfabetização e desigualdades por região, idade, cor ou raça e porte dos municípios.
  • • Lei nº 13.005/2014, Plano Nacional de Educação, Meta 9 — erradicação do analfabetismo absoluto e redução do analfabetismo funcional.
  • • Secretaria de Estado da Educação do Maranhão: Indicador Criança Alfabetizada, resultado divulgado em 2026, com 69% para o Maranhão.

Waldir Maranhão é ex-presidente da Câmara Federal e ex-reitor da Uema

As eleições de 2026 exigem coerência política, unidade partidária e aliança com o povo…

O futuro nos chama, o rumo é claro: fortalecer o projeto liderado pelo presidente Lula, consolidar a candidatura de Felipe Camarão ao Governo do Maranhão, garantir a continuidade do trabalho da senadora Eliziane Gama e ampliar a representação popular na Câmara dos Deputados

 

Waldir Maranhão*

O Maranhão vive mais um momento decisivo de sua história. As eleições de 2026 não representam apenas uma disputa por cargos públicos, mas uma escolha entre dois projetos distintos de futuro: de um lado, a continuidade de práticas políticas marcadas pela concentração de poder e pelos interesses de grupos; de outro, a construção de um caminho fundamentado na participação popular, na justiça social e no desenvolvimento inclusivo.

É justamente diante desse cenário que a coerência política se torna um valor indispensável.

Coerência significa manter-se fiel aos princípios que orientam a luta democrática, defendendo hoje aquilo que se defendeu ontem e continuando a defender amanhã os mesmos compromissos com a redução das desigualdades, a valorização do trabalho, a inclusão social e o fortalecimento das instituições democráticas.

O povo maranhense sabe distinguir aqueles que permanecem ao seu lado daqueles que apenas se aproximam em períodos eleitorais. Sabe reconhecer quem está comprometido com os trabalhadores, os pequenos produtores rurais, a juventude, as mulheres e os segmentos historicamente excluídos dos espaços de decisão.

  • A política só cumpre sua verdadeira função quando permanece a serviço da sociedade e não subordinada aos interesses circunstanciais de grupos econômicos ou acordos de conveniência.
  • Ao longo de décadas, o Maranhão conviveu com um modelo político profundamente concentrador, em que o poder e os recursos públicos foram frequentemente apropriados por estruturas oligárquicas.

“O resultado dessa lógica é conhecido: oportunidades limitadas, desigualdades persistentes e milhões de maranhenses afastados das decisões que impactam diretamente suas vidas. Infelizmente, assistimos hoje à tentativa de reprodução desse mesmo modelo sob novas roupagens. O projeto político familiar que gravita em torno do atual governo busca consolidar uma nova estrutura oligárquica, substituindo o debate sobre os reais desafios do estado por acordos de bastidor e interesses particulares”.

O Maranhão não pode aceitar a perpetuação de práticas que historicamente limitaram seu desenvolvimento.

Por essa razão, reafirmo minha defesa da candidatura própria do Partido dos Trabalhadores ao Governo do Maranhão, liderada pelo companheiro Felipe Camarão.

Trata-se da alternativa mais coerente para fortalecer o campo democrático e popular, ampliar a presença das políticas públicas federais e consolidar um projeto comprometido com as necessidades da maioria da população.

  • Em sintonia com a orientação da direção nacional do PT e com a liderança do presidente Lula, precisamos construir um projeto baseado na transparência, na participação popular e na distribuição mais justa das oportunidades;
  • Felipe Camarão representa essa perspectiva. Sua trajetória pública demonstra compromisso com a educação, com a inclusão social e com a construção de um Maranhão mais moderno e menos desigual.

Defender a educação pública de qualidade não é um discurso de ocasião. É reconhecer que nenhuma transformação duradoura será possível sem investimento em conhecimento, formação profissional, ciência e tecnologia. O desenvolvimento econômico sustentável depende diretamente da capacidade de formar cidadãos preparados para enfrentar os desafios do presente e construir as oportunidades do futuro. Nenhum projeto de transformação social se sustenta exclusivamente na força de lideranças individuais.

As grandes conquistas democráticas nasceram da organização coletiva, da participação popular e da atuação permanente da militância. Foram os movimentos sociais, sindicais, estudantis, comunitários e populares que ajudaram a construir avanços históricos em nosso país. A militância não é apenas uma estrutura de campanha.

Ela representa a consciência organizada da sociedade, a presença permanente nos bairros, nas comunidades rurais, nas escolas, nos locais de trabalho e nos espaços de participação cidadã. É por meio dela que as demandas da população chegam aos governos e que as políticas públicas se transformam em direitos efetivos.

Ao lado desse projeto majoritário, a reeleição da senadora Eliziane Gama possui importância estratégica.

  • Sua atuação firme em defesa da democracia, das instituições e dos interesses do Maranhão fortalece a representação do estado no Senado Federal e contribui para a manutenção de uma agenda comprometida com o desenvolvimento nacional e regional.
  • Mais do que uma simples aliança eleitoral, o momento exige unidade partidária, maturidade política e compromisso programático. A unidade das forças progressistas não pode ser construída em torno de interesses individuais ou projetos pessoais de poder.

“Ela deve estar fundamentada em princípios, objetivos comuns e na defesa daqueles que mais dependem da ação do Estado para conquistar dignidade e oportunidades. Quando a unidade partidária se orienta pelo interesse coletivo, ela se transforma em instrumento de desenvolvimento, inclusão social e fortalecimento da democracia. Divisões artificiais e disputas internas apenas favorecem aqueles que desejam manter privilégios históricos e impedir as mudanças que o Maranhão necessita”.

A batalha política que se aproxima não será vencida apenas nas redes sociais, nem por discursos fáceis ou promessas irrealizáveis. Ela será construída no diálogo direto com a população, na mobilização das bases, na presença nos municípios e na capacidade de ouvir as necessidades concretas do povo maranhense.

A reconstrução nacional liderada pelo presidente Lula exige sustentação política sólida no Congresso Nacional. O Brasil precisa de parlamentares comprometidos com o combate às desigualdades, com a geração de empregos, com o fortalecimento dos serviços públicos e com a defesa permanente da democracia. É com esse propósito que coloco meu nome à disposição da população maranhense para a Câmara dos Deputados.

Meu compromisso é atuar como instrumento das lutas populares, fortalecendo a voz do Maranhão em Brasília e contribuindo para que os avanços promovidos pelo governo federal cheguem a todos os cantos do estado.

  • Chegou o momento de devolver plenamente ao povo maranhense o protagonismo sobre seu próprio destino.
  • Chegou a hora de virar a página das estruturas oligárquicas e construir uma nova etapa de desenvolvimento, inclusão e justiça social.

“O futuro nos chama, o rumo é claro: fortalecer o projeto liderado pelo presidente Lula, consolidar a candidatura de Felipe Camarão ao Governo do Maranhão, garantir a continuidade do trabalho da senadora Eliziane Gama e ampliar a representação popular na Câmara dos Deputados.”

Com coerência política, unidade partidária, militância organizada e participação popular, construiremos uma vitória que não pertence a indivíduos, mas ao povo do Maranhão.

É com esperança, compromisso e confiança no futuro que avançaremos rumo a um estado mais justo, democrático e desenvolvido.

*Waldir Maranhão é ex-presidente da Câmara Federal, ex-reitor da Uema, candidato a deptuado federal pelo PT

Em artigo, Waldir Maranhão declara “apoio intransigente a Felipe Camarão”…

Candidato do PT a deputado federal, professor e ex-presidente da Câmara reforça o projeto do presidente Lula, com apoio também à reeleição de Eliziane Gama ao Senado

 

FELIPE CAMARÃO RECEBEU WALDIR MARANHÃO, que garantiu apoio à sua candidatura ao Governo do Estado

O ex-presidente da Câmara Federal Waldir Maranhão defendeu em artigo divulgado nesta terça-feira, 16, o apoio incondicional do campo popular à candidatura do vice-governador  Felipe Camarão (PT) ao  Governo do Estado; para Maranhão, é fundamental reforçar o palanque de Lula no Maranhão e impedir que o estado “seja mais uma vez refém da velha prática política”.

“Defendo de forma absoluta e intransigente a candidatura própria do Partido dos Trabalhadores ao Governo do Estado do Maranhão, liderada pelo companheiro Felipe Camarão. Como sinalizado pela direção nacional do PT e endossado pelo presidente Lula, precisamos de um projeto pautado na transparência, na participação popular e na redistribuição justa da riqueza. Felipe Camarão personifica essa renovação. Ele representa a certeza de que os investimentos estruturantes e as políticas públicas de inclusão social, marcas registradas do governo federal, serão ampliadas e chegarão a quem mais precisa. A educação de qualidade, a saúde universal e a geração de empregos voltarão a ser o eixo central do desenvolvimento maranhense” declarou Maranhão, que também é candidato a deputado federal. (Leia a íntegra aqui)

  • em seu artigo, o reitor da Uema defendeu também a reeleição da senadora Eliziane Gama;
  • para ele, a recondução de Eliziane ao Senado é “é um pilar estratégico do campo popular”.

Em seu artigo, Waldir Maranhão critica o projeto de poder do governador Carlos Brandão (MDB), que, na sua visão, “busca consolidar uma nova oligarquia”; mas também não poupa críticas à campanha do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD):

“A batalha que se desenha não se vence apenas nas redes, mas no diálogo, na mobilização das bases e nas ruas”, alfineta ele

Waldir Maranhão reafirma que para enfrentar todas essas práticas se põe à disposição do eleitorado, para garantir a base de sustentação do governo Lula, contra a concentração de renda, pela redução das desigualdades sociais e de apoio irrestrito à classe trabalhadora.

O ex-reitor da Uema vai disputar a eleição pelo Partido dos Trabalhadores…

Waldir Maranhão aponta “o preço da ruptura” entre Governo do Estado e Governo Federal…

Ex-presidente da Câmara Federal analisa em artigo que “o Maranhão depende da aliança incondicional com o Governo Federal” e entende que o afastamento do Palácio dos Leões “coloca em risco áreas vitais”

 

ALIADO HISTÓRICO DE LULA, WALDIR MARANHÃO ALERTA para os riscos de um rompimento político entre Governo do Estado e Governo Federal

O ex-presidente da Câmara Federal Waldir Maranhão (PT) analisou  em artigo publicado nesta segunda-feira, 1º, os riscos que o Maranhão corre em um rompimento com o Governo Federal; segundo o ex-parlamentar – que disputa vaga na Câmara, nas eleições de outubro – o afastamento do Palácio dos Leões do governo Lula põe em risco áreas vitais do estado.

“A dependência e a força dessa parceria são facilmente quantificáveis por meio de dados oficiais. Apenas no âmbito do Novo PAC, até abril de 2025, o estado já possuía uma previsão de R$ 17,3 bilhões em investimentos garantidos até 2026, com R$ 8,2 bilhões já executados. Projetando o cenário para o fim de 2025 e até 2030, a carteira associada ao Maranhão salta para a impressionante marca de R$ 47,5 bilhões, abrangendo mais de 2,2 mil empreendimentos. Trata-se de dinheiro público materializado em obras, equipamentos, escolas, unidades de saúde e moradias que chegam diretamente à ponta para mudar a vida da população”, explica Maranhão. (Leia a íntegra aqui)

  • o artigo do ex-deputado petista é publicado no mesmo dia da visita do presidente do PT nacional Edinho Silva ao Maranhão;
  • Edinho chega para anunciar que o candidato do presidente Lula é o vice-governador Felipe Camarão, rejeitado por Brandão.

Para Waldir Maranhão, mais grave do que forçar uma ruptura institucional, o erro maior é renegar, minimizar ou politizar a realidade de dependência do estado em relação ao Governo Federal.

“Como aponta a análise do cenário atual, ocultar, minimizar ou politizar essa realidade administrativa e financeira enfraquece a transparência pública e desinforma a população. Quando o governo estadual evita dar o devido crédito ao esforço federal, ele transforma os investimentos públicos essenciais em uma disputa de narrativa que não serve ao interesse público. O Maranhão precisa, urgentemente, de uma cooperação federativa madura, não de silêncio conveniente frente às entregas”, alerta Waldir Maranhão.

  • o ex-parlamentar cita a liberação de R$ 90 bilhões, para construção de novas unidades de saúde no Maranhão;
  • valor soma-se aos R$ 342 milhões do novo PAC-Saúde e políticas como Mais Médicos, Samu e Farmácia Popular.

Waldir Maranhão lista ainda a previsão de R$ 17,3 bilhões para 2026 na área do PAC e projeta R$ 47,5 bilhões até 2030.  

“Trata-se de dinheiro público materializado em obras, equipamentos, escolas, unidades de saúde e moradias que chegam diretamente à ponta para mudar a vida da população. Um rompimento institucional ou uma postura de oposição contínua por parte do Palácio dos Leões colocaria em risco imediato áreas vitais”, alerta o ex-parlamentar. 

Aliado do presidente Lula desde sua passagem pela Câmara Federal, entre 2014 e 2018, Waldir Maranhão tem se posicionado publicamente em defesa dos interesses do Maranhão e apontando projetos de desenvolvimento para o estado.

E pela primeira vez alerta sobre os riscos de um rompimento institucional provocado pela política…

O IDH de São Luís e o desafio de desenvolver todo o Maranhão

É preciso construir uma agenda permanente de desenvolvimento regional, com metas claras, orçamento definido e responsabilidade compartilhada entre governo estadual, prefeituras, deputados, senadores e sociedade civil

 

Por Waldir Maranhão

O avanço do Índice de Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana da Grande São Luís é uma notícia que merece ser reconhecida. Em um estado historicamente marcado por desigualdades profundas, ver a capital maranhense alcançar posição de destaque no desenvolvimento humano revela que o Maranhão tem capacidade de avançar quando há investimento público, educação, dinamismo econômico e políticas sociais bem direcionadas.

Mas toda comemoração responsável precisa vir acompanhada de uma pergunta essencial: esse bom resultado de São Luís se reflete, de fato, nos municípios que integram a região metropolitana e no restante do Maranhão?

A resposta exige prudência.

O desempenho da capital ajuda a elevar a média metropolitana, mas não pode esconder as diferenças existentes entre São Luís e cidades como Paço do Lumiar, Raposa, São José de Ribamar, Alcântara, Rosário, Bacabeira, Icatu, Morros, Axixá, Santa Rita, Presidente Juscelino e Cachoeira Grande. Uma média positiva pode revelar avanço, mas também pode ocultar desigualdades territoriais, carências sociais e diferentes níveis de acesso a serviços públicos.

  • São Luís concentra hospitais, universidades, empregos, renda, equipamentos públicos, serviços especializados, atividades portuárias, logística e maior presença institucional.
  • essa centralidade fortalece seus indicadores. Porém, desenvolvimento humano não pode ser privilégio de uma capital. Precisa chegar às periferias, aos municípios vizinhos.

Às cidades médias, aos povoados, às comunidades rurais e ao interior profundo do Maranhão.

O IDH não é apenas um número. Ele representa vida real. Representa criança aprendendo na escola, jovem tendo acesso à formação técnica, trabalhador com emprego digno, família atendida na saúde pública, comunidade com saneamento básico, internet, transporte e oportunidade. Portanto, quando discutimos IDH, estamos discutindo dignidade humana.

O grande desafio do Maranhão é transformar o bom resultado da capital em política de Estado. Não basta celebrar ranking. Não basta anunciar obras isoladas. É preciso construir uma agenda permanente de desenvolvimento regional, com metas claras, orçamento definido e responsabilidade compartilhada entre governo estadual, prefeituras, deputados, senadores e sociedade civil.

Essa agenda deve começar pela educação.

A interiorização do ensino técnico, das universidades, das escolas em tempo integral e da qualificação profissional é decisiva para romper o ciclo da pobreza. Também é urgente enfrentar o saneamento básico, ampliar a conectividade digital, fortalecer a saúde regionalizada e estimular vocações econômicas locais, como turismo, pesca, agricultura, bioeconomia, logística, energias renováveis e serviços.

A Região Metropolitana da Grande São Luís precisa ser vista como espaço de planejamento integrado. Mobilidade, saúde, saneamento, habitação, meio ambiente e geração de emprego não podem ser tratados de forma isolada por cada município. São problemas comuns e exigem soluções comuns.

  • por isso, o debate precisa entrar na agenda dos candidatos ao governo, dos deputados estaduais, dos deputados federais e dos candidatos a senadores.
  • o Maranhão precisa saber quem está disposto a defender uma política concreta para reduzir desigualdades entre a capital, a metropolitanos e o interior.

Devemos comemorar o avanço de São Luís, sim. Mas a verdadeira vitória será quando o desenvolvimento humano deixar de ser concentrado e passar a alcançar todos os maranhenses.

O Maranhão só será plenamente desenvolvido quando o progresso da capital se transformar em oportunidade para todo o estado.

Waldir Maranhão é ex-presidente da Câmara Federal, ex-reitor da Uema e membro da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura

Contra o feminicídio, a favor da vida: Um chamado urgente à sociedade…

Com este tema, Revista Imagine Acredite vai debater o assunto em cerimônia na qual homenageará personalidades, como o ex-presidente da Câmara Federal Waldir Maranhão

 

Falar sobre feminicídio é falar sobre dor, ausência e injustiça. Nenhuma sociedade pode se considerar verdadeiramente justa enquanto mulheres continuarem perdendo a vida ou tendo seus sonhos interrompidos pela violência simplesmente por serem mulheres.

Para jogar luz sobre essa pauta, que é, antes de tudo, um compromisso humano e civilizatório, a Revista Imagine Acredite escolheu o tema “Contra o Feminicídio, em Favor da Vida” para celebrar seus sete anos de atuação.

O evento, marcado para o dia 27 de maio de 2026, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, foi pensado não apenas como uma cerimônia comemorativa, mas como um chamado à consciência. Com homenagens a personalidades como o ex-presidente da Câmara, Waldir Maranhão, e a lideranças que fortalecem valores de justiça e respeito, o encontro buscou mobilizar o poder público e a sociedade civil em torno dessa causa urgente.

Os números de uma realidade brutal

Não se pode tratar a violência de gênero apenas como estatística, pois cada número representa uma vida interrompida e uma família destruída. Ainda assim, os dados recentes exigem atenção.

  • nos três primeiros meses de 2026, o Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio, marcando o trimestre mais letal de nossa história recente;
  • isso significa que uma mulher foi assassinada a cada 5 horas e 25 minutos no país. Janeiro liderou essa triste estatística, com 142 mortes.

A realidade se torna ainda mais dolorosa quando analisado de onde vem o perigo. Em mais de 90% dos casos, o agressor é o companheiro ou ex-companheiro da vítima. A violência, muitas vezes, mora dentro de casa, no espaço que deveria oferecer amor, segurança e proteção.

É essencial também observar o recorte de raça e classe. A maioria das mulheres assassinadas é negra, revelando que a violência de gênero carrega as marcas profundas das desigualdades raciais e sociais do Brasil.

 

O silêncio não pode ser cúmplice

Não se pode naturalizar essa crueldade nem aceitar que mulheres continuem vivendo com medo. O enfrentamento ao feminicídio exige a união de todos: poder público, instituições de segurança, saúde e educação, igrejas, famílias, movimentos sociais e toda a sociedade civil.

Cada mulher assassinada representa uma falha coletiva; ações efetivas precisam ir muito além da criação de leis.

É urgente:

  • fortalecer políticas públicas e ampliar a rede de acolhimento e proteção às mulheres;
  • garantir justiça rápida, rigorosa e efetiva;
  • educar crianças e jovens para uma cultura de respeito, igualdade e paz;
  • ensinar que o amor jamais combina com agressão, controle, medo ou violência.

A defesa da vida

É necessário reconhecer e homenagear o trabalho fundamental das instituições, dos movimentos sociais e de todas as mulheres que resistem diariamente, transformando dor em força para continuar vivendo e lutando.

Quando uma mulher é violentada, toda a sociedade fracassa. Por outro lado, quando se protege uma mulher, defende-se a vida, fortalece-se a família e constrói-se um futuro mais justo, humano e digno para todos.

Como bem reflete o pensamento da filósofa francesa Simone de Beauvoir:

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância, já que viver é ser livre.”

Nenhuma mulher deve morrer pelo simples fato de existir. Que o grito seja sempre uma voz firme contra o silêncio, contra a violência.

E, sobretudo, a favor da vida.

Entre Davos e o carrinho: Lula zera “taxa das blusinhas” para ligar diplomacia ao bolso

Por Waldir Maranhão

O Brasil de 2026 tenta provar que multilateralismo também se mede no aplicativo de compras. Na noite de 12 de maio, o governo Lula publicou medida provisória que zera o Imposto de Importação federal para compras internacionais de até US$ 50, enterrando a chamada “taxa das blusinhas” criada em 2024.

A decisão vem na esteira de um reposicionamento externo. Sob a bandeira do “não alinhamento ativo”, o país presidiu o BRICS em 2025, lançou no G20 a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e se prepara para sediar a COP30 em Belém, defendendo financiamento e tecnologia para a transição ecológica dos países em desenvolvimento.

O discurso rendeu capital. Até 15 de abril, investidores estrangeiros alocaram R$ 67,7 bilhões na B3, recorde de participação acima de 60% dos negócios, enquanto o dólar voltou a operar abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos.

Mas o prestígio internacional esbarrava no carrinho doméstico. Com a Lei 14.902/2024, compras de até US$ 50 em Shein, AliExpress e Shopee passaram a pagar 20% de II, além do ICMS estadual. A MP altera o Decreto-Lei 1.804/1980 e autoriza a Fazenda a reduzir a alíquota a zero para remessas de pessoas físicas.

No Planalto, o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, justificou: “É um avanço importante que só foi possível depois de outro avanço muito significativo no combate ao contrabando, que era uma marca presente neste setor. E esse contrabando foi praticamente eliminado”.

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, reforçou o recorte social: “Os números mostram que a maior parte das compras é de pequeno valor. Então, o que o senhor está fazendo, presidente, é retirar impostos federais do consumo popular, das pessoas mais pobres”. A ministra Miriam Belchior lembrou que, “apesar do apelido ‘taxa das blusinhas’, as compras abrangem não apenas roupas, mas diversos produtos de baixo valor adquiridos pela população”.

A isenção federal não é total. O ICMS continua sendo cobrado pelos estados – dez deles já elevaram a alíquota para 20% – e o varejo nacional reclama de concorrência desigual. O governo, que arrecadou cerca de R$ 5 bilhões com a taxa em 2025, abre mão de receita em ano de meta fiscal apertada.

Entre Davos e o boleto, Lula aposta que soberania em 2026 se mede também pelo preço final na porta de casa. Se a diplomacia atraiu o dinheiro, agora precisa provar que ele chega ao bolso – sem desmontar a indústria que o mesmo governo promete reindustrializar.

Texto inspirado no estudo técnico Entre o Mundo_e_o_Bolso: Multilateralismo_e_Consumo_Popular

Waldir Maranhão é ex-presidente da Caãrma Federal, ex-reitor da Uema e membro da Academia Brasileira de Ciências, Arte, História e Literatura

Brasil de volta ao mundo, Maranhão de volta ao centro

O Porto do Itaqui consolida-se como peça estratégica da nova economia global com a entrada em vigor do Acordo Mercosul- União Europeia em 1º de maio de 2026

 

Por Waldir Maranhão 

Depois de anos de retração diplomática, o Brasil voltou a ocupar as mesas onde se discutem os rumos do mundo. Sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país deixou a posição de espectador para reassumir o papel de protagonista internacional, com a presidência do BRICS em 2025, a criação da Aliança Global contra a Fome durante o G20 no Rio de Janeiro e a realização da COP30 em Belém, no coração da Amazônia.

A nova política externa brasileira tem uma diretriz clara: o chamado não alinhamento ativo. Não se trata de neutralidade passiva, mas da capacidade de dialogar com Estados Unidos, China, União Europeia e países árabes sem abrir mão dos interesses nacionais, buscando investimentos, tecnologia, comércio e oportunidades capazes de gerar emprego e desenvolvimento dentro do país.

  • no Maranhão, os reflexos dessa retomada já começam a aparecer de forma concreta.
  • o Porto do Itaqui consolida-se como peça estratégica da nova economia global.

Com a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia em 1º de maio de 2026, produtos como a soja de Balsas, o milho do sul do estado e a celulose passam a acessar o mercado europeu com tarifa zero em grande parte das exportações. É o produtor maranhense competindo em igualdade de condições nos mercados internacionais.

  • a Aliança Global contra a Fome também deixa de ser apenas discurso diplomático para se transformar em ação prática.
  • são recursos destinados à agricultura familiar, cozinhas comunitárias, assistência técnica e políticas de segurança alimentar.

“Quem tem fome tem pressa”, afirmou Lula ao lançar a iniciativa. E o Maranhão, marcado historicamente pela luta contra a insegurança alimentar, surge como um dos territórios centrais dessa agenda.

A COP30, realizada em Belém, também reposicionou o debate climático. A floresta deixou de ser vista apenas como problema ambiental e passou a ser reconhecida como ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável. Para quebradeiras de coco babaçu, extrativistas do açaí e do bacuri, cooperativas e comunidades tradicionais, isso representa novas oportunidades: pagamento por serviços ambientais, acesso a crédito, fortalecimento da bioeconomia e incentivo à pesquisa nas universidades da região.

A retomada da cooperação Sul-Sul também dialoga diretamente com a identidade maranhense.

Com suas raízes africanas e portuguesas, o Maranhão volta a ocupar posição natural de ponte com países como Angola, Moçambique e Guiné-Bissau em áreas como saúde, educação, agricultura de baixo carbono e formação técnica, abrindo novos espaços para profissionais, pesquisadores e instituições locais.

  • no Centro de Lançamento de Alcântara, a aproximação do Brasil com Índia, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos amplia as perspectivas de transferência de tecnologia, inovação e geração de empregos qualificados;
  • Alcântara deixa de ser apenas promessa e passa a ocupar posição estratégica em um setor que movimenta conhecimento, desenvolvimento e soberania tecnológica.

“O gigante saiu da arquibancada e voltou ao campo”. E quando o Brasil volta a influenciar as regras do jogo internacional, o Maranhão não fica à margem: entra em campo como protagonista, com porto estratégico, riqueza cultural, potencial econômico e vocação para liderar.

Waldir Maranhão é ex-presidente da Câmara Federal, ex-reitor da Uema e membro da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura

Waldir Maranhão é destaque em comemoração dos 200 anos da Câmara dos Deputados…

Ex-presidente da Casa, maranhense lembrou em discurso a história recente do país, na qual foi protagonista político em pleno golpe contra a presidente Dilma Rousseff

WALDIR MARANHÃO TEVE PARTICIPAÇÃO EFETIVA NA SOLENIDADE DA CÂMARA em um dos momentos mais turbulentos do país

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PT) roubou a cena na solendiade de comemoração dos 200 anos da Câmara dos Deputados, festejkada na última quarta-feira, 6.

Em seu discurso, Maranhão lembrou o momento político vivido por ele, como protagonista, na segunda metade da década passada.

  • Waldir Maranhão assumiu o comando da Câmara em 2016, no auge dos debates sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT);
  • Ele ocupou o cargo interinamente após o afastamento do presidente Eduardo Cunha (MDB), determinado pelo Supremo Tribunal Federal.

“Foi um período marcado por forte instabilidade institucional e intensa pressão política”, lembrou o ex-parlamentar.

Waldir Maranhão assumiu o protagonismo ao tentar anular a sessão que autorizou o prosseguimento do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, que ele entende como um golpe institucional no país, posição compartilhada por este blog Marco Aurélio d’Eça, no post “Não ao golpe!!! Este blog é contra o impeachment de Dilma…”..

A cerimônia reuniu autoridades e ex-dirigentes da Casa para celebrar o bicentenário de uma das instituições centrais do Poder Legislativo brasileiro.

Inteligência Artificial e Trabalho: quem ganha e quem perde com a nova automação?

Por Waldir Maranhão

A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa distante. Ela já está presente em escritórios, escolas, empresas, serviços públicos, plataformas digitais e sistemas de comunicação. Em poucos anos, ferramentas de IA passaram a escrever textos, resumir documentos, produzir imagens, programar códigos, atender clientes e apoiar decisões empresariais.

  • mas, por trás do entusiasmo, existe uma pergunta urgente: quem será beneficiado por essa transformação e quem será deixado para trás?
  • a IA não é apenas uma ferramenta. Durante muito tempo, tratamos a tecnologia como um instrumento criado para auxiliar o trabalho humano.

No caso da Inteligência Artificial, essa visão já não é suficiente.

Os sistemas atuais não são programados passo a passo como os softwares tradicionais. Eles são treinados com enormes quantidades de dados: textos, imagens, sons, códigos, comportamentos e interações humanas. A partir disso, desenvolvem capacidades que nem sempre são totalmente compreendidas por seus próprios criadores. Esse funcionamento transforma a IA em uma espécie de “caixa preta”.

Sabemos o que entra e o que sai, mas nem sempre sabemos exatamente como determinada resposta ou decisão foi produzida.

Quando essa tecnologia é usada em áreas sensíveis, como contratação de trabalhadores, concessão de crédito, vigilância, saúde, educação ou gestão pública, a falta de transparência deixa de ser um problema técnico. Torna-se um problema social e democrático.

A quebra da escada de carreira

Durante décadas, a sociedade sustentou uma promessa: estudar, qualificar-se, entrar no mercado de trabalho por funções iniciais e crescer profissionalmente. Essa era a chamada escada de carreira.

A Inteligência Artificial ameaça justamente os primeiros degraus dessa escada. Atividades antes realizadas por estagiários, assistentes, analistas júnior, redatores, tradutores, revisores, atendentes e programadores iniciantes já podem ser parcialmente automatizadas. Isso significa que muitos jovens podem encontrar menos oportunidades de entrada no mercado.

O risco não está apenas na substituição imediata de empregos. Está também na perda de espaços de aprendizado. Se as tarefas iniciais forem feitas por máquinas, como os novos profissionais ganharão experiência? Como surgirão os futuros especialistas?

A automação pode criar uma geração altamente escolarizada, mas com poucas oportunidades reais de desenvolvimento profissional.

Produtividade sem distribuição

Defensores da IA afirmam que ela aumentará a produtividade. Isso pode ser verdade.

Mas a pergunta social mais importante é outra: quem ficará com os ganhos dessa produtividade? Se uma empresa produz mais com menos trabalhadores, seus lucros podem crescer. Mas isso não significa, automaticamente, melhores salários, redução da jornada ou melhoria da qualidade de vida da população.

  • sem regulação, os ganhos da IA tendem a se concentrar nas grandes empresas que controlam os modelos, os dados e a infraestrutura tecnológica;
  • enquanto isso, trabalhadores podem enfrentar desemprego, rebaixamento salarial, intensificação do trabalho e perda de autonomia.

A história mostra que inovação tecnológica não garante justiça social. A tecnologia pode libertar ou explorar. Pode distribuir riqueza ou concentrá-la. Tudo depende das escolhas políticas feitas pela sociedade.

Os novos impérios digitais

O desenvolvimento da IA exige três elementos fundamentais: dados, poder computacional e capital financeiro. Poucas empresas no mundo possuem esses recursos em grande escala. Isso cria uma concentração de poder preocupante. Grandes corporações passam a controlar não apenas ferramentas tecnológicas, mas também dados, infraestrutura, conhecimento e parte da própria narrativa sobre o futuro. Além disso, muitos sistemas de IA foram treinados com textos, imagens, músicas, códigos, pesquisas e obras culturais produzidas por milhões de pessoas.

Em muitos casos, esse material foi utilizado sem autorização clara, sem remuneração adequada e sem mecanismos transparentes de reparação.

A sociedade produz conhecimento. As empresas capturam esse conhecimento, treinam seus sistemas e vendem soluções altamente lucrativas. Esse modelo precisa ser debatido. O trabalho precisa estar no centro da regulação. A resposta à IA não pode ser apenas individual.

  • não basta dizer que cada trabalhador deve “se adaptar” ou “aprender novas habilidades”.
  • Essa narrativa transfere para o indivíduo uma responsabilidade que é coletiva.

É necessário construir políticas públicas capazes de proteger trabalhadores e distribuir os benefícios da automação. Isso inclui transparência no uso de IA pelas empresas, direito de contestação de decisões automatizadas, proteção contra demissões em massa, requalificação profissional financiada por quem lucra com a automação, tributação dos ganhos extraordinários e fortalecimento da seguridade social. 

Conclusão

A Inteligência Artificial pode ser uma ferramenta poderosa. Mas, se for deixada apenas sob o comando do mercado, poderá ampliar desigualdades, precarizar profissões e concentrar ainda mais riqueza. O futuro do trabalho não será definido apenas pela capacidade das máquinas. Será definido pelas decisões políticas tomadas agora.

A pergunta central não é se a IA deve existir. A pergunta é: a serviço de quem ela será colocada?

*Waldir Maranhão é professor, ex-reitor da Uema, ex-deputado federal e membro da Academia Brasileira de Ciências, Arte, História e Literatura