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Uma guerra de gerações políticas…

Cafeteira, símbolo da geração que passa...

A sociedade maranhense tem uma característica ímpar em relação às demais sociedades brasileiras. Aqui, a perpetuação e a hereditariedade perpassam os setores políticos e se entranham em todos os níveis.

Poucos estados têm tanta gente com tanto tempo no mesmo lugar.

São dirigentes empresariais e sindicais há mais de 30 anos no poder, prefeitos que controlam a mesma cidade há “trocentos” anos, parlamentares com seis, sete, oito mandatos e que insistem em continuar no ambiente político.

No Senado, apenas o Maranhão tem dois de seus três senadores eleitos beirando ou já passado dos 80 anos.

Esta história de tradicionalismos, perpetuação e manutenção de status quo começou a mudar em meados da década de 90.

Curiosamente, pelas mãos da governadora Roseana Sarney (PMDB), ela própria uma representante das “castas” tradicionais da política maranhense.

Edivaldo Júnior, sopro de renovação, ainda que tradicional

Visando a renovação de poder, Roseana levou para sua gestão pessoas experientes, mas sem envolvimento com o meio político – e jovens talentosos, prontos para iniciar uma trajetória de poder.

De lá para cá estabeleceu-se uma guerra de gerações políticas.

Batista Matos, o exemplo dos que vêm de baixo

Uma batalha surda entre raposas carcomidas da política maranhense, que insistem em continuar em cena, e jovens lideranças surgidas em todos os meios, cavando os seus espaços.

Jovens também tradicionalistas, é verdade, uma vez que vindos das “quatrocentonas” famílias historicamentes instaladas nos círculos de poder.

São ainda filhos, sobrinhos ou netos de gente do poder.

Mas não deixa de ser um sopro de renovação na sociedade.

O próximo passo é dar espaço para que jovens também sem sobrenome possam se imiscuir nas discussões políticas, empresariais, econômicas, sociais e culturais.

Algo que já se sucede nos círculos culturais e artísticos do Maranhão e que, na política, surgiu primeiro à esquerda, mas já chegou também à direita.

E vai se consolidar, mais cedo ou mais tarde.

É uma questão de tempo…

Marco Aurélio D'Eça

19 Comments

  1. O filho do médico cresce adimirando o pai e tem a tendência de fazer medicina. O filho do advogado, da mesma maneira. O. Filho do político também. Agora, assim como na medicina e no direito, na politica firmam-se apenas aqueles que seguem seus pais pq foram vocacionados. Os que foram inventados nao conseguem se manter p muito tempo.

  2. Mesmo discordando de sua análise, pretendo que minha participação também seja qualificada como qualificada. Ora, se os jovens também são tradicionalistas, porque “portadores” de sobrenomes e/ou herdeiros políticos, não se pode falar em renovação. Além disso, muito embora não ataque a figura da governadora, esta outra herdeira política como vc mesmo concorda, não foi apenas pela experiência e pelo talento que ela nomeou os jovens citados, mas tb por divisões políticas do bolo que é a administração pública. Renovação mesmo só ocorrerá quando “as raposas carcomidas da política maranhense” deixarem de presentear seus herdeiros com cargos, mesmo os eletivos, deixando espaço para representantes das comunidades, o que vc nomina de jovens “sem sobrenome”. Apenas nisso condordamos, mesmo sem dizer a mesma coisa.

  3. Não existe nada de novo nesse velho e carcomido mundo político do Maranhão. O que se vê são os mesmos nomes e sobrenomes, portanto a análise é inócua, vazia e parcial.

  4. Como assim Edvaldo Holanda Jr. é renovação…
    Guindado ao cargo de deputado pelo pai?
    Fail…

  5. MUITO COERENTE SUA ANÁLISE. NO INTERIOR DO ESTADO, A SITUAÇÃO É AINDA PIOR. VERDADEIROS “CORONÉIS” MANDAM NOS MUNICIPIOS HÁ MAIS DE 25 ANOS. É O CASO DE GRAJAÚ. LÁ, O SR. MERCIAL ARRUDA É PREFEITO PELA QUARTA VEZ, JÁ TEVE SUA MULHER E UM TIO NA PREFEITURA. ENGRAÇADO QUE ELE DERRUBOU UMA ALA – FALCÃO E JORGE -, QUE ESTAVA NO PODER, TAMBÉM, HÁ MAIS DE 20 ANOS…

  6. Marco, com todo respeito ao Cafeteira, até porquê já votei nele em varios pleitos, mas o que vc acha sobre a atuação parlamentar dele no senado?

    resp.: Menos um!

  7. Caro Deça,

    Quero parabeniza´-lo e ao mesmo tempo juntarme a tua analise, lúcida e independente.É isso mesmo, simples assim,como tú bem gosta!Na Politica, como na vida tudo passa, uma s coisas podem até demorar,mas passa…Há uma oxigenação, renovação eminente na Poltica nacional e maranhense não resta dúvidas.Vivemos nos tempos da Inovação,em todos os sentidos.Portanto, em breve este quadro pintado por ti, se confirmará.Pois como disse o grande estrategista Churchil.
    “… nada detém a inexorável marcha do tempo…”
    Saudações Renovada!
    Nonato Chocolate.

  8. infelizmente, a politica traz injustiças, vou citar um Homem correto e lutador, Manuel da conceição, sempre lutando pelas causas dos trabalhadores, mas infelizmente sem recurso para bancar uma eleição, enquanto filhinhos que não sabe nem o que trabalhar e se elege com grandes somas de dinheiro de campanha, quando se elegem é visto a mediocridade e despreparo em legislar.só pra citar alguns:Carlos filho, Fufuquinha, severino sales, Almir, eduardo braide, edilasio junior, victor mendes e tantos outros. É TRISTE E REVOLTANTE.

  9. Sou Médico Veterinário, o que Carlos Lima afirmou é pura verdade. A classe Médica Veterinária está de luto com as atitudes das últimas administrações do Consenho Regional de Medicina Veterinária, principalmente da atual, que só sabe fazer politicagem.

  10. Marco,
    Perfeita seria sua analise se Vc. ressalvasse que Edivaldo Holanda Junior não é “jovem tradicionalista vindo das “quatrocentonas” famílias historicamentes instaladas nos círculos de poder”. Tampouco é filho, sobrinho ou neto de gente do poder. Por isso, Marco, é necessário o reparo. Esse menino vem de uma família de emigrantes nordestinos, da Paraiba, que aportaram aqui na década de setenta, e que por seu talento e princípios se impuseram na sociedade e na politica do Maranhão. Portando não tem nada de quatrocentona. Por outro lado, Junior não é mais sopro, é a renovação real e segura de uma safra de bons político, que se consolida. Espere que Vc. verá. Como disse, é uma questão de tempo… Um Abç do Milton Calado.

    resp.: Não me refiro à origem genealógica de Edivaldo Júnior, meu caro callado. Refiro à orgiem histórica. Ele é filho de um político tradicional do estado – Edivaldo Holanda – que já oucpou postos de poder em todas as instâncias. Isto não tira dele o brilhantismo e a qualidade técnica. A referência aqui é exatamente neste aspecto. A história do Edivaldo Holanda é esta que você contou. A do Edivaldo Júnior é outra. E tenho convicção de que ele será um dos grandes líderes políticos nos próximos – e bem próximos – anos.

  11. O problema dessa “nova” geração é a vaidade!
    Por ela, eles passam por cima de tudo e de todos.

  12. Marco,

    Mais uma excelente análise.

    Principalmente quando vc se refere aos jovens políticos parentes de gente do poder e conclui: “Mas não deixa de ser um sopro de renovação na sociedade”.

    Digo apenas que não se escolhe onde vai nascer.

    E sem maiores delongas pode-se afirmar que Edivaldo Holanda Jr. Luciano Leitoa, Neto Evangelista e Rubens Jr. (esse um pouco menos) são jovens políticos brilhantes e promissores, até mais preparados para servir a sociedade do que seus pais são ou foram.

    Equantos outros jovens políticos como Edilázio Jr., Weverton Rocha, Carlos Filho, Severino Sales, Osmar Filho, Umbelino Jr., pode-se afirmar que são muito fracos, uns despreparados intelectualmente, outros com nítida fraqueza de caráter e outros que ainda estão inertes, são verdadeiras incógnitas.

    Att.

    Antenor

  13. É como diz aquele adágio: “filho de peixe, peixinho o é”. Não é sem razão que os nossos problemas são sempre os mesmos, pois as cabeças não mudam e quando aparece alguma que ameace esses feudos logo é feito de tudo para que seja eliminada.
    Sua análise é perfeita, parabéns.

  14. Não é somente na política partidária que isso vem acontecendo, o Conselho Federal de Medicina Veterinária – CFMV, a situação é bem pior, o atual presidente Benedito Arruda (Goiano), recém reeleito pela oitava vez, está a 24 anos como Presidente do referido conselho, apesar de inúmeras denúncias de Improbidade Administrativa.
    Como é eleito através de eleição indireta, com apenas 03 votos da cada Conselho Estadual – CRMV, (Voto do presidente, Vice Presidente e um representante de cada Estado, escolhidos pelos próprios CRMVs de cada estado, o atual Presidente do CFMV apronta. Logo que se aproxima uma eleição (a cada 3 anos), o Sr. Benedito Arruda, percorre com os recursos do CFMV (ou seja, dos veterinários) todos os estados, fazendo sua “campanha”. Aquele presidente que não rezar na sua cartilha, com declaração do seu e dos demais a seu favor, Pode esperar, será auditado. Infelizmente nas ultimas administrações, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Maranhão – CRMV-MA, todos os Presidentes, apesar do conhecimento das denúncias contra o atual presidente do CFMV, têm acompanhado o Sr. Benedito Arruda. Afinal estão com medo que que? de uma auditoria?. É UMA VERGONHA PARA A CLASSE DOS MÉDICOS VETERINÁRIOS DO MARANHÃO.

  15. Concordo plenamente!

    O debate politico, econômico e etc, não pode parar no tempo, temos que reaver as estruturas básicas do nosso estado, e renovar é preciso, pois quem sai perdendo com a guerra de gerações é o nosso estado atrasado.

  16. Excelente abordagem , feita com muita lucidez e inteligencia.
    Carlos Amorim -Dep.Estadual

    Resp.: Obrigado, deputado. Mais uma audiência qualificada, objetivo maior deste blog.

  17. Caro Marco,

    Brilhante analise, um pensamento que pode ser explorado de diversos campos de visão, mas que foi abordado com bastante inteligência e brevidade.

    Simplicio Araujo

    resp.; Obritado, Simplício. Fico feliz por participações qualificadas, como a sua.

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