2

Maranhão tem dois governadores ao mesmo tempo; um usurpando o poder do outro…

Ao declarar que “trabalha todos os dias das seis da manhã até meia-noite” – mesmo afastado oficialmente e internado em São Paulo – governador-tampão Carlos Brandão tira a autoridade do governador em exercício Paulo Velten, legitimamente empossado em seu lugar por força da sua licença

 

Os dois governadores do Maranhão que atuam ao mesmo tempo; um manda e o outro apenas obedece?

Ensaio

Tratada apenas como exemplo de seu bom estado de saúde pela mídia alinhada ao Palácio dos Leões e por aliados políticos, a declaração do governador-tampão afastado Carlos Brandão (PSB) – de que, mesmo internado em São Paulo – trabalha “todos os dias, das seis da manhã até meia noite”, é um crime de usurpação de poder.

Ao afirmar tal coisa, Brandão revela ao mundo que o Maranhão tem dois governadores atuando ao mesmo tempo: ele e o desembargador Paulo Velten.

E um está usurpando o poder do outro.

Se Brandão, como ele próprio afirmou, reúne-se com secretários e trabalha “das seis da manhã até meia-noite”, está cometendo um crime, por que sua condição é de oficialmente afastado do mandato.

E se Paulo Velten aceita que aquele que ele está substituindo atue como se titular ainda fosse, também está cometendo crime de responsabilidade.

Se pediu licença à Assembleia Legislativa e recebeu, Carlos Brandão não pode despachar com secretários, assinar documentos e muito menos “trabalhar das seis da manhã até meia noite” a menos que reassuma o posto e assuma as responsabildiade pelo mandato.

E se assumiu o mandato de governador como segundo na linha de sucessão, Paulo Velten não pode – até como presidente de um poder que preserva as leis – deixar que outro usurpe o seu poder.

O atual governador do Maranhão é o presidente do Tribunal de Justiça; e é dele a responsabilidade de zelar, preservar, atuar e despachar os interesses do Maranhão e do seu povo, pelo menos até o dia que Braqndão reassumir oficialmente.

Ação de qualquer outro dentro deste círculo de atribuições é um crime contra o estado.

E deve ser responsabilizado com os rigores da lei.

Simples assim…

1

Sarney, o oráculo…

Peregrinação de candidatos à presidência da República à casa do ex-presidente mostra que, mesmo afastado da política, já com 92 anos, o maranhense é ainda o maior político da história do Brasil

 

Do alto dos seus 92 anos, Sarney tem prestígio, poder e influência sobre a política nacional, tudo o que qualquer político sonha em ter um dia

O ex-presidente José Sarney (MDSB) tornou-se uma espécie de oráculo nesta fase da pré-campanha que se aproxima da definição oficial dos candidatos.

Já passaram pela sua casa o ex-presidente Lula (PT), o presidente Jair Bolsonaro (PL), a senadora Simone Tebet (MDB), e até o filho do presidente, Flávio Bolsonaro (PL); todos querem ouvir de Sarney opiniões e impressões sobre a sucessão presidencial;.

Mesmo afastado da política e do alto dos seus 92 anos, Sarney é, ainda hoje, a principal referência no que diz respeito a influencias partidárias no país.

O maranhense representa o que todo político gostaria de ter: prestígio, poder e influência entre os poderosos de Brasília.

Se sonha ser como ele, o ex-governador Flávio Dino deveria passar uns dias em sua casa na capital federal…  

3

“Poder, dinheiro…nada está acima da família”, diz Weverton, no Dia do Filho

Um dia depois de o governador Carlos Brandão afirmar que a sensação do poder, ao assumir o governo, supera a emoção do casamento, da família e dos filhos, senador do PDT aproveita a data comemorativa para lembrar do “maior bem que alguém pode ter”

 

Senador Weverton em foto com sua família no Dia do Filho: “bem mais precioso que alguém pode ter”

O senador  Weverton Rocha (PDT) postou em suas redes sociais, nesta terça-feira, 5, vídeos e imagens alusivas às comemorações internacionais pelo Dia do Filho.

– Poder, dinheiro… Nada disso está cima do maior bem que alguém pode ter, que é a sua família; meus filhos, meus tesouros são minha maior alegria e inspiração para seguir em frente sendo um exemplo também para eles – afirmou o senador.

As declarações de Weverton – líder nas pesquisas de intenção de votos para o Governo do Estado – se deu um dia depois de o governador-tampão Carlos Brandão (PSB) afirmar em suas redes sociais que a sensação de ter assumido o governo é maior que a de ter casado, constituído família e até de ter filhos.

A frase infeliz do governador-tampão Carlos Brandão no Twitter: poder acima da família e até dos filhos

O governador publicou textualmente: – casar-se, ver os filhos nascerem e estar com a família são emoções únicas. Mas posso garantir que nada superará em minha experiência de vida ter a honra de governar o Maranhão.

A declaração de Brandão repercutiu negativamente nas redes sociais.

E foi criticada por lideranças políticas, jornalistas e por boa parte dos internautas…

5

O jogo de poder é entre Flávio Dino e Weverton…

A disputa velada entre o governador e o senador implica o controle político no Maranhão nos próximos 20 ou 30 anos; nesta movimentação dos dois ainda jovens líderes, o vice-governador Carlos Brandão – representante da antiga classe política estadual – é apenas um coadjuvante

 

Aliados desde 2006, Flávio Dino e Weverton passaram a disputar claramente o poder a partir de 2018, quando o senador alcançou quase 2 milhões de votos, superando o governador

Ensaio

Não há disputa entre o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) pelo poder no Maranhão; o vice tucano do governador Flávio Dino (PSB) não disputa poder algum.

O jogo de poder que se estabeleceu no Maranhão é entre Weverton e Flávio Dino; e vai implicar o controle político no estado pelos próximos 20 ou 30 anos.

São Weverton e Dino quem lideram partidos, controlam instâncias de poder, têm bancadas, agregam lideranças e fazem a interlocução nacional, em maior ou menor grau.

Espécie de último remanescente da velha política no debate majoritário, neste embate de poder – ainda velado – Carlos Brandão é um mero coadjuvante.

O vice-governador não tem grupo, não tem partido, não tem liderança, não tem bancada e não tem qualquer interlocução nacional; é uma espécie de poste de Flávio Dino, um preposto para evitar que Weverton suceda o socialista no poder maranhense.

E como poste, o ainda tucano depende absolutamente das ações de Dino.

Preposto e “escolha pessoal” de Flávio Dino para o governo, Carlos Brandão veste a fantasia que o chefe mandar, política, partidária ou ideológica

Mas se Flávio Dino tem influência no PSB, no PCdoB e numa parte do PT, Weverton controla o PDT e dialoga diretamente com PP, PRB, DEM e a outra parte do PT.

Se Flávio Dino é visto pelo ex-presidente Lula como uma espécie de ponta-de-lança para o futuro Senado ou para um eventual ministério, Weverton é visto por Lula como um aliado histórico e de antigas lutas.

No quesito Lula, Brandão sequer é incluído, uma vez que não tem qualquer afinidade; neste aspecto, continua a ser o poste de Dino. 

E como preposto, vai depender do governador até na montagem do palanque, mesmo já estando no comando do governo.

Por que o jogo de poder está sendo travado somente entre Weverton e Flávio Dino.

E implica o controle político pelos próximos 20, 30 anos…

5

Sobre pais e filhos…

Ao chegar ao poder nacional cercado de filhos encastelados nas instâncias políticas como profissão, Jair Bolsonaro potencializa os riscos para o estado de direito de um presidente com filhos sequiosos de poder e treinados para fazer o que quiserem

 

BOLSONARO COM O FILHOS, 02, 03 E 01, NA SEQUÊNCIA; mandatos populares como profissão, rachadinhas, enriquecimento e relação com milícias e assassinos

 

Certa feita, ouviu-se de um ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça um comentário sobre um ex-governador do Maranhão que se pretendia candidato a prefeito. Dizia ele: “fulano só foi um bom governo porque tinha filhos pequenos; hoje são todos adultos, os problemas de comando serão potencializados”.

A presença do presidente Jair Bolsonaro no poder eleva essa máxima do ex-ministro à enésima potência.  

Ele chegou ao poder no comando de uma família mimada, onde todos receberam mandatos populares como espécie de carreiras de estado, profissões mesmo.

E por tudo isso, o 01, o 02 e o 03 acham que podem fazer o que quiserem.

– Papai eu quero ser diplomata nos EUA!!! – pede o Zerotrês.

– Talkey, meu filho, você será! – responde o pai.

O Zerohum diz: “Pai meu, não quero mais o Bebianno no governo”.

– Tu tá querendo isso aí? então terá, filho meu – garante o presidente.

LULA ENTRE OS FILHOS: investigação constante e patrulha bolsonarista nas redes sociais, mesmo diante da falta de provas das acusações

Desde a redemocratização do país, a partir de 1985, foram sete os presidentes do Brasil; dois deles – Itamar Franco e Michel Temer (ambos do MDB) – assumindo após cassação do titular.

Mas nenhum desses políticos teve uma família tão onipresente nas decisões de poder e de estado.

Até mesmo os filhos de Lula, que muita gente aponta, sem provas, como milionários a partir do governo do pai, foram tão presentes nas ações políticas entre 2003 e 2010.

Bolsonaro e seus rebentos são a típica família buscapé, que saíram dos subterrâneos das Câmaras e Assembleias – após fazerem fortuna com mandatos populares – para o centro do poder, sem o devido preparo.

FHC COM O FILHO PAULO HENRIQUE: mesmo com discrição familiar, não passaram incólume pela patrulha sobre negócios dos filhos nos governos dos pais

O resultado é este que se vê aí: milicianos protegidos, os Queiroz da vida ganhando notoriedade com as rachadinhas, e assassinos de políticos como vizinhos de condomínio, só para ficar nos casos mais recentes.

Jair Bolsonaro é absolutamente despreparado para o mandato presidencial, isto é um fato; mas poderia seguir aos trancos e barrancos caso seus filhos não fossem tão mimados.

O problema dele, é que o 01, 02 e 03 também acham que foram eleitos presidentes.

E como dizia o ministro do STJ há anos atrás, não há como o governo funcionar deste jeito.;

É simples assim…

1

O futuro na mesma mesa…

A visita de cortesia do presidente da Câmara Municipal, vereador Osmar Filho ao presidente da Assembleia, deputado Othelino Neto, mais do que um ato institucional, reforça o simbolismo da chegada ao poder das novas gerações da política no Maranhão

 

Osmar Filho é o novo presidente da Câmara; Othelino está prestes a ser reeleito na Assembleia; lideranças com potencial futuro

Um está prestes a completar 44 anos.

O outro, chegará aos 33 em novembro.

A diferença de 10 anos serve também para ilustrar o encontro entre o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), e o novo presidente da Câmara Municipal, Osmar Filho (PDT).

Mais do que um ato institucional, a reunião entre os dois jovens políticos reforça o momento de plena renovação da política maranhense.

Othelino Neto e Osmar Filho estão chegando agora ao poder, no rastro de renovação deixado pela eleição de Flávio Dino (PCdoB) ao governo; de Edivaldo Júnior (PDT) à Prefeitura de São Luís; e de Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS) ao Senado.

E ambos também têm caminho aberto para o poder.

Comandante do legislativo estadual, Othelino pode estar no centro do poder em 2022, na sucessão de Flávio Dino, quando poderá, inclusive, chegar ao comando interino do estado.

Antes dele, Osmar Filho é cotado desde hoje como opção pedetista na sucessão de Edivaldo, já em 2020.

Em tempo: Othelino é quem vai fazer 44 anos; Osmar, chegará a 33..

Leia também:

Confronto de gerações nas eleições maranhenses…

A disputa será no grupo de Flávio Dino em 2022…

Lideranças em ascensão…

2

Artigo: O homem mediano assume o poder; uma análise sobre o novo presidente

O que significa transformar o ordinário em “mito” e dar a ele o Governo do país?

Por Eliane Brum

Desde 1 de janeiro de 2019, o Brasil tem como presidente um personagem que jamais havia ocupado o poder pelo voto. Jair Bolsonaro é o homem que nem pertence às elites nem fez nada de excepcional. Esse homem mediano representa uma ampla camada de brasileiros. É necessário aceitar o desafio de entender o que ele faz ali. E com que segmentos da sociedade brasileira se aliou para desenhar um Governo que une forças distintas que vão disputar a hegemonia. Embora existam várias propostas e símbolos do passado na eleição do novo presidente, a configuração encarnada por Bolsonaro é inédita. Neste sentido, ele é uma novidade. Mesmo que seja uma difícil de engolir para a maioria dos brasileiros que não votou nele, escolhendo o candidato oposto ou votando branco, nulo ou simplesmente não comparecendo às urnas. Bolsonaro encarna também o primeiro presidente de extrema direita da democracia brasileira. O “coiso” está no poder. O que significa?

Quando Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao Palácio do Planalto pela primeira vez, na eleição de 2002, depois de três derrotas consecutivas, foi um marco histórico. Quem testemunhou o comício da vitória na Avenida Paulista, tendo votado ou não em Lula, compreendeu que naquele momento se riscava o chão do Brasil. Não haveria volta. Pela primeira vez um operário, um líder sindical, um homem que fez com a família a peregrinação clássica do sertão seco do Nordeste para a industrializada São Paulo de concreto, alcançava o poder. Alguém com o “DNA do Brasil”, como diria sua biógrafa, a historiadora Denise Paraná.

O Lula que conquistou o poder pelo voto era excepcional. “Homem do povo”, sem dúvida, mas excepcional. Um líder brilhante, que comandou as greves do ABC Paulista no final da ditadura militar (1964-1985) e se tornou a figura central do novo Partido dos Trabalhadores criado para disputar a democracia que retornava depois de 21 anos de ditadura. Independentemente da opinião que cada um possa ter dele hoje, é preciso aceitar os fatos: quantos homens com a trajetória de Lula se tornaram Lula?

Lula era o melhor entre os seus, o melhor entre aqueles que os brancos do Sul discriminavam com a pecha de “cabeça chata”. Se sua origem e percurso levavam uma enorme novidade ao poder central de um dos países mais desiguais do mundo, a ideia de que aquele que é considerado o melhor deve ser o escolhido para governar atravessa a política e o conceito de democracia. Não se escolhe um qualquer para comandar o país, mas aquele ou aquela em que se enxergam qualidades que o tornam capaz de realizar a esperança da maioria. Neste sentido, não havia novidade. Quando parte das elites se sentiu pressionada a dividir o poder (para manter o poder), e depois da Carta ao Povo Brasileiro assinada por Lula garantindo a continuidade da política econômica, era o excepcional que chegava ao Planalto pelo voto.

O que a chegada de Lula ao poder fez pelo Brasil e como influenciou o imaginário e a mentalidade dos brasileiros é algo que merece todos os esforços de pesquisa e análise para que se alcance a justa dimensão. Mas grande parte já foi assimilada por quem viveu esses tempos. Os efeitos do que Lula representou apenas por chegar lá sequer são percebidos por muitos porque já foram incorporados. Já estão. Como disse uma vez o historiador Nicolau Sevcenko (1952-2014), em outro contexto: “Há coisas que não devemos perguntar o que farão por nós. Elas Já fizeram”.

Marina Silva, derrotada nas últimas três eleições consecutivas, em cada uma delas perdendo uma fatia maior de capital eleitoral, seria outra representante inédita de uma parcela da população que nunca ocupou a cadeira mais importante da República. Diferentemente de Lula, como já escrevi neste espaço, Marina encarna um outro amplo segmento de brasileiros, muito mais invisível, representado pelos povos da floresta. Carrega no corpo alquebrado por contaminações e também por doenças que já não deveriam existir no Brasil uma experiência de vida totalmente diversa de alguém como Lula e outros pobres urbanos. Mas este é o passado de Marina.

A mulher negra, que se alfabetizou aos 16 anos e trabalhou como empregada doméstica depois de deixar o seringal na floresta amazônica, empreendeu uma busca pelo conhecimento acadêmico e hoje fala mais como uma intelectual da universidade do que como uma intelectual da floresta. Também deixou a Igreja Católica ligada à Teologia da Libertação para se converter numa evangélica genuína, daquelas que vivem a religião no cotidiano em vez de instrumentalizá-la nas eleições, como tantos pastores neopentecostais. Se Marina tivesse conseguido chegar ao poder, ela representaria toda essa complexa trajetória, mas também encarnaria uma excepcionalidade entre os seus. Quantas mulheres com o percurso de Marina se tornaram Marina?

Jair Bolsonaro, filho de um dentista prático do interior paulista, oriundo de uma família que poderia ser definida como de classe média baixa, não é representante apenas de um estrato social. Ele representa mais uma visão de mundo. Não há nada de excepcional nele. Cada um de nós conheceu vários Jair Bolsonaro na vida. Ou tem um Jair Bolsonaro na família.

Durante as várias fases republicanas do Brasil, a candidatura e os candidatos foram acertos das elites que disputavam o poder – ou resultado de uma disputa entre elas. O mais popular presidente do Brasil do século 20, Getúlio Vargas (1882-1954), que em parte de sua trajetória política foi também um ditador, era um estancieiro, filho da elite gaúcha. Ainda que tenha havido alguns presidentes apenas medianos durante a República, eram por regra homens oriundos de algum tipo de elite e alicerçados por ela.

Lula foi exceção. E Bolsonaro é exceção. Mas representam opostos. Não apenas por um ser de centro esquerda e outro de extrema direita. Mas porque Bolsonaro rompe com a ideia da excepcionalidade. Em vez de votar naquele que reconhecem como detentor de qualidades superiores, que o tornariam apto a governar, quase 58 milhões de brasileiros escolheram um homem parecido com seu tio ou primo. Ou consigo mesmos.

Essa disposição dos eleitores foi bastante explorada pela bem sucedida campanha eleitoral de Bolsonaro, que apostou na vida “comum”, falseando o cotidiano prosaico, o improviso e a gambiarra nas comunicações do candidato com seus eleitores pelas redes sociais. Bolsonaro não deveria parecer melhor, mas igual. Não deveria parecer excepcional, mas “comum”.

A mesma estratégia foi mantida depois de eleito, como a mesa bagunçada de café da manhã com que recebeu John Bolton, o conselheiro de Segurança Nacional do presidente americano Donald Trump. Neste sentido, Bolsonaro jamais pode ser considerado o “Trump brasileiro”. Trump, além pertencer a uma parcela muito particular das elites americanas, tem uma trajetória de destaque. Bolsonaro não. Como militar, ele só se notabilizou por quebrar as regras ao dar uma entrevista para a revista Veja reclamando do valor dos soldos. Como parlamentar por quase três décadas, conseguiu aprovar apenas dois projetos de lei. Era mais conhecido como personagem burlesco e criador de caso.

Quando Tiririca foi eleito, por exemplo, sua grande votação foi interpretada como a prova de que era necessária uma reforma política urgente. Mas Tiririca foi um grande palhaço. Num mundo difícil para a profissão desde a decadência dos circos, Tiririca conseguiu encontrar um caminho na TV, fazer seu nome e ganhar a vida. Não é pouco.

Bolsonaro não. O grande achado foi se eleger deputado e conseguir continuar se elegendo deputado. Em seguida, colocar todos os filhos no caminho dessa profissão altamente rentável e com muitos privilégios. A “família” Bolsonaro tornou-se um clã de políticos profissionais que, nesta eleição, conseguiu um número assombroso de votos. Mas não pela excepcionalidade de seus projetos e ideias.

O novo presidente do Brasil passou quase três décadas como um político daquilo que no Congresso brasileiro se chama “baixo clero”, grupo que faz volume mas não detém influência nem arquiteta as grandes decisões. A alcunha é uma alusão injusta ao clero religioso que faz o trabalho de formiguinha, o mais difícil e persistente, seguidamente perigoso, no mundo das igrejas. O próprio Bolsonaro já comentou que não tinha prestígio. Quando disputou a presidência da Câmara, em 2017, só obteve quatro votos dos mais de 500 possíveis. “Eu não sou ninguém aqui”, afirmou em um discurso no plenário, em 2011.

Os deputados do “baixo clero” do Congresso descobriram a sua força nos últimos anos e também como podem se locupletar unindo-se e fazendo número a favor dos interesses que lhes beneficiam. Ou simplesmente chantageando com o seu voto. Bolsonaro é dessa estirpe. Se ocupava um lugar no Congresso, era o de bufão. Até um ano atrás poucos acreditavam que poderia se eleger presidente. Parecia impossível que alguém que dizia as barbaridades que ele dizia poderia ser escolhido para o cargo máximo do país.

O que se deixou de perceber é que quase todos tinham um tio ou um primo exatamente como Bolsonaro. Logo essa evidência ficou clara nos almoços de domingo ou nas datas festivas da família. Mas ainda assim parecia apenas uma continuação do que as redes sociais já tinham antecipado, ao revelar o que realmente pensavam pessoas que até então pareciam razoáveis. Deixou-se de enxergar, talvez por negação, o quanto esse contingente de pessoas era numeroso. Os preconceitos e os ressentimentos recalcados em nome da convivência eram agora liberados e fortalecidos pelo comportamento de grupo das bolhas da internet. As redes sociais permitiram “desrecalcar” os recalcados, fenômeno que tanto beneficiou Bolsonaro.

Os gritos das pessoas que ocuparam o gramado da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foram a parte mais reveladora da posse de Bolsonaro, em 1o de Janeiro. Eufórica, a massa berrava: “WhatsApp! WhatsApp! Facebook! Facebook!”. Quem quiser compreender esse momento histórico terá que passar anos dedicado a analisar a profundidade contida no fato de eleitores berrarem o nome de um aplicativo e de uma rede social da internet, ambos de Mark Zuckerberg, na posse de um presidente que as elegeu como um canal direto com a população e deu a isso o nome de democracia.

Bolsonaro representa, sim – e muito – um tipo de brasileiro que se sentia acuado há bastante tempo. E particularmente nos últimos anos. E que estava dentro de cada família, quando não era a família inteira. Todas as famílias gostam de se pensar como diferentes – ou, pelo menos, melhores (ou piores, conforme o ponto de vista) que as outras. A experiência de um confronto político determinado pelos afetos – ódio, amor etc – nestas eleições deixou marcas profundas.

 

(LEIA MAIS)

0

No comando da Assembleia, Othelino ganha status de liderança estadual…

Gestão do parlamentar comunista é reconhecida pelos colegas e por lideranças do governo, das prefeituras e de outros poderes como moderna e eficiente, o que o coloca no patamar dos grandes líderes maranhenses

 

Jovem, articulado e audacioso, jovem presidente da Assembleia é hoje homem forte no Maranhão

Alçado à presidência da Assembleia Legislativa de forma unânime, o deputado estadual Othelino Neto (PCdoB) vai, gradativamente, ganhando status de liderança estadual, com gestão moderna e eficiente.

O reconhecimento público de lideranças como o vice-governador Carlos Brandão (PRB), deputados estaduais, federais, prefeitos, vereadores e lideranças de outros poderes põe Othelino em posição de destaque político no cenário estadual.

Ainda em 2015, quando o parlamentar estava apenas no início do mandato, este blog viu em sua trajetória potencial de ascensão registrado no post “Lideranças em ascensão…”.

Esta ascensão só vem se confirmando ao longo dos últimos anos, exatamente pelo estilo conciliador e audacioso.

Ascensão que pode chegar ainda mais longe a partir dos próximos anos.

É aguardar e conferir…

0

André Fufuca no centro do poder…

Mais jovem deputado federal maranhense se destaca em Brasília e ocupa hoje uma das posições na linha de sucessão do presidente Michel Temer

 

PODER. André Fufuca tem espaço conquistado na Câmara

O deputado maranhense André Fufuca (PP) será alçado esta semana ao posto de 1º vice-presidente da Câmara Federal.

O presidente Michel Temer (PMDB) irá à Rússia e à Noruega, passando o comando do país ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). No lugar de Maia assume Fábio Ramalho (PMDB-RJ), o que levará Fufuca à primeira vice-presidência.

Desde que chegou à Câmara, Fufuca tem sido um dos mais destacados membros da bancada maranhense.

A princípio, atribuía-se seu prestígio à relação próxima que criou com o então presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A bancarrota de Cunha levou muitos a pensar que Fufuca também entraria no ostracismo.

Mas o deputado continuou a mostrar prestígio e articulação política, e ingresso na chapa encabeçada por Rodrigo Maia, na condição de indicado do PP.

Comandante do partido no Maranhão, André Fufuca terá papel de destaque nas eleições de 2014, porque sentará na mesa de negociações para discussão das chapas que irão concorrer a governo, Senado e casas parlamentares.

Caminha, portanto, para estar no topo em poucos anos.

É aguardar e conferir…