A notícia volta para casa: o fim da era da “informação sem dono”…

A internet pulverizou os “meios de comunicação” e prometeu acesso democrático à informação, mas destruiu a credibilidade, fazendo renascer a busca pelo jornalismo técnico e profissional

 

A HISTÓRIA TROUXE DE VOLTA A CREDIBILIDADE DO JORNALISMO PROFISSIONAL perdida pela pulverização de blogs e influencer’s

Por Carla Ribeiro

O jornalismo vive, nas últimas duas décadas, o seu mais longo e sinuoso teste de resistência. Desde a virada do milênio, com a ascensão dos blogs, testemunhamos a quebra do monopólio da informação. O que antes era restrito às redações – o poder de narrar o cotidiano e pautar o debate público – pulverizou-se. A democratização do acesso, facilitada pela internet, trouxe consigo um efeito colateral severo: a desvalorização do preparo técnico e a erosão do espaço profissional.

Em São Luís, esse impacto foi físico e visível.

  • vimos um ecossistema que sustentava doze jornais impressos reduzir-se a apenas dois;
  • a partir de 2010, e com força total após 2015, o império dos algoritmos consolidou a era dos influenciadores digitais.
  • com audiências que superam a tiragem de grandes veículos, esses novos atores passaram a ditar o ritmo da notícia;
  • muitas vezes priorizando o “falar primeiro” em detrimento do “falar com exatidão”.

Nesse cenário, o diploma de jornalista tornou-se alvo de contestações jurídicas e políticas, enquanto instituições oficiais – do plano federal ao municipal – passaram a utilizar as redes sociais como canais diretos, contornando a mediação crítica da imprensa.

O jornalista, por um momento, pareceu um figurante em sua própria arte.

O Paradoxo da Tecnologia

Entretanto, o “pulo do gato” deste momento histórico reside justamente na ferramenta que prometia ser o golpe de misericórdia no mercado tradicional: a Inteligência Artificial. Se a internet facilitou a voz, a IA facilitou a mentira sofisticada. Vivemos hoje um festival de simulações, onde vozes e imagens são clonadas com perfeição assustadora, tornando as fake news não apenas um texto mal escrito, mas uma realidade paralela convincente.

É aqui que o público começa a despertar de uma espécie de torpor digital; diante da dúvida sistemática – “Isso aconteceu mesmo ou é IA?” – a audiência inicia um movimento de retorno à fonte. A pergunta que o cidadão se faz hoje não é mais apenas “quem disse?”, mas “quem avaliza?”.

O Selo da Verdade

  • o jornalismo profissional está pegando o caminho de volta porque ele oferece algo que o algoritmo e o influenciador, em sua maioria, não conseguem entregar com constância: a responsabilidade jurídica e ética;
  • quando uma notícia é veiculada por um profissional de trajetória firmada ou por um veículo de comunicação estabelecido, ela carrega um lastro. A credibilidade, que antes parecia diluída na massa de seguidores, volta a ser o ativo mais valioso do mercado.

O público está redescobrindo que a curadoria de um jornalista não é um obstáculo à informação, mas uma garantia de segurança.

O bordão “saiu no jornal, é verdade” – que por anos soou como um anacronismo – ressurge com um novo vigor. Não como uma obediência cega, mas como um suspiro de alívio em meio ao caos informacional.

A tecnologia que ameaçou substituir o jornalista é a mesma que agora prova a sua essencialidade.

No Maranhão e no mundo, a notícia está voltando para casa: para as mãos de quem sabe que informar exige mais do que um clique; exige critério, ética e, acima de tudo, o compromisso inegociável com o fato.

Carla Ribeiro é  jornalista profissional diplomada

Influencer revela esquema do Joguinho do Tigre: “a gente ganha para fazer você perder”

Semanas depois da operação da Polícia Civil – baseada em denúncias do deputado Dr. Yglésio Moyses na Assembleia Legislativa  – MC Pipokinha grava vídeo dizendo como as plataformas de jogos digitais pagam influenciadoras para enganar os seguidores a apostar e perder dinheiro; outras influencer’s também estão denunciando os joguinhos

 

MC Pipokinha revelou quanto o Joguinho do Tigre paga pra os influenciadores fazer seus seguidores perderem nas apostas

A digital influencer MC Pipokinha gravou em seu perfil na rede social Tik Tok, vídeo em que revela, pela primeira vez, como a plataforma de jogos digitais Fortune Tiger – ou Joguinho do Tigre – paga fortunas a esse influenciadores para fazer as pessoas perderem dinheiro nas apostas.

Pipokinha é uma cantora de músicas de forte apelo sexual que acaba fazendo sucesso nessas redes sociais.

Ela tem um rede de seguidores e garante que nunca aceitou o dinheiro da Fortune Tiger para manipular esses seguidores a fazer apostas e perder dinheiro na plataforma; mas garante que outros receberam R$ 300 mil, R$ 500 mil, R$ 1 milhão por mês.

– Já me ofereceram R$ 800 mil por mês, mas eu não faço, por que eu me acho suja fazendo isso. Gente, deixa eu falar com vocês sobre esse Joguinho aí do Tigre; eu sempre falei pra vocês, a gente ganha muito dinheiro. Um influencer que só pensa nele ganha R$ 300 mil, R$ 400 mil, R$ 800 mil por mês pra divulgar, enquanto o público dele, que deixou ele famoso, perde – disse a MC.

Os influenciadores pagos pela plataforma Joguinho do Tigre foram alvos de operação policial no mês passado; a que mais reagiu à ação da polícia foi Skarlete Melo, que teve bens e dinheiro apreendidos e está sob risco de prisão.

A operação foi resultado de denúncias do deputado estadual Dr. Yglésio Moyses (sem partido), que chegou a se passar por influencer e recebeu proposta do Tigrinho para enganar os seguidores a fazer apostas e perder dinheiro. 

Além do vídeo da MC Pipokinha, o blog Marco Aurélio d’Eça recebeu vídeos de outras influencer’s digitais que também estão indo às redes sociais para desmascarar o Joguinho do Tigre e os influenciadores que ganham dinheiro para iludir seus seguidores.

– A gente ganha dinheiro pra fazer vocês jogarem e vocês não ganham nada, vocês só perdem. A gente é pago para fazer vocês perderem dinheiro – admitiu Pipokinha.

Outra influencer publicou vídeo falando da influenciadora Lindaci Luna, que, segundo ela, recusou R$ 150 mil para convencer internautas a perder dinheiro na plataforma

– Esse Tigre?!? Meu deus do céu!!! Eu nunca fui a favor desses joguinhos de apostas. Vejo muito influencer que eu admirava muito mentindo na cara dura; eu mesma deixei de seguir muitos influencer’s por causa desse joguinho – disse a companheira de Lindaci.

A revelação das influenciadoras fecha ainda mais o cerco contra as plataformas de jogos fake e os influenciadores que se deixam usar para manipular seguidores.

E pode resultar em outras operações da Polícia Civil.

Dr. Yglésio desmacara esquema de influenciadores digitais com Joguinho do Tigre

Deputado estadual se infiltrou em um dos grupos de “influencer’s” que ganham dinheiro para convencer internautas a apostar suas economias nessa plataforma – na verdade uma espécie de pirâmide financeira – e acabam perdendo até a vida por causa dos prejuízos; com login e senha dados pela plataforma para participar de falsos jogos e ter falsos ganhos, ele mostrou como agem os que são pagos para convencer terceiros

 

Fruto de investigação do seu gabinete, o trabalho de Yglésio é uma bomba contra influenciadores que enganam seguidores em troca de dinheiro

O deputado estadual Dr. Yglésio Moyses desmascarou nesta quinta-feira, 14, o esquema mantido por influenciadores digitais e a pirâmide financeira conhecida por Joguinho do Tigre, que tem levado gente a perder dinheiro, e até a vida, com apostas on-line.

Entre os influenciadores que são patrocinados pelo “Joguinho do Tigre” está o vereador de São Luís Andrey Monteiro.

Dr. Yglésio conseguiu criar um perfil e se passar por um influenciador para entrar em um dos grupos que a plataforma mantém aos que têm interesse em receber dinheiro para convencer internautas a jogar.

Yglésio vem denunciando esses joguinhos, que na verdade são pirâmides financeiras, em que o “investidor” só perde, enquanto a plataforma e os próprios influencer’s – que se vendem para convencer terceiros – ganham muito dinheiro.

– Nos infiltramos nesse grupos de influenciadores e conseguimos chegar ao cidadão que se apresenta como gerente de uma banca que recruta influenciadores para divulgar a plataforma dele. Com poucos minutos de conversa ele já mandou uma proposta de pagar R$ 1 mil a cada 100 pessoas que entrarem na plataforma pelo link que ele me deu – explicou o deputado. (Veja o vídeo acima)

O jovem da imagem acima recorreu ao suicídio após perder uma herança de R$ 50 mil apostando no joguinho do Tigre, estimulado por influenciadores

O tal gerente da banca mandou a Yglésio, também, o verdadeiro segredo da pirâmide: um link com login e senha para o deputado fazer falsas apostas, ter ganhos falsos e mostrar para os seguidores que está ganhando dinheiro.

É este mesmo login que os tais influenciadores digitais usam para enganar seus seguidores.

– Eu exibo os ganhos falsos, alugo uma Land Rover ou uma BMW e começo a pagar de bacana na redes sociais – desmascara o deputado.

Com o link e a senha dos jogos falsos, Yglésio chegou a “apostar” e “ganhou R$ 1,5 mil” bem rápido.

– Depois, é só tirar um print e mostrar pros seus seguidores e fazê-los apostar e perder dinheiro – contou.

É assim que fazem também os tais influenciadores digitais.

O deputado pretende levar a denúncia às autoridades policiais para investigar o tal Jogo do Tigrinho, já acusado por duas mortes de gente que perdeu seu dinheiro no Maranhão.

orientados, claro, pelos tais influenciadores digitais…