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Quase sem leitos na rede pública, Dino deve inaugurar hospitais de campanha

Governador deve entregar as unidades de saúde de Açailândia e de São Luís no sábado e no domingo, respectivamente, aumentando a capacidade do sistema em 220 leitos para atendimento da coVId-19

O hospital de Açailândia vai atender até 200 pacientes da região tocantina a partir deste sábado, 16

O governador Flávio Dino deve entregar neste fim de semana os dois hospitais de campanha que estão sendo construídos, um em Açailândia e outro em São Luís.

A unidade de Açailândia – construído em parceria com empresas – tem capacidade para 60 leitos, mas apenas 20 leitos serão entregues neste sábado, 16.

Já o Hospital de Campanha de São Luís, erguido no Pavilhão e Eventos do Multicenter Sebrae, tem capacidade para 200 leitos. Segundo o governador, todos serão entregues neste domingo, 17.

– Domingo estará pronto. Mais 200 leitos contra o coronavírus –  disse ele.

O Hospital de São Luís será entregue no domingo, 17, com todos os seus 200 leitos em funcionamento, segundo Flávio Dino

Os 220 novos leitos chegam no momento em que o coronavírus começa a se alastrar perigosamente pleo interior maranhense.

O hospital de Açailândia deve receber pacientes do município e de outras cidades da região tocanitna.

Ainda não há ~informação sobre a entrega dos demais 40 leitos…

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Taxa de infectados no interior dobrou em 15 dias, alerta Juscelino Filho

Deputado federal cobrou informações da Secretaria de Saúde sobre as ações do governo para os municípios fora da Grande São Luís, que tinham 17% de pacientes da coVID-19 no início de maio e hoje já representam 39% do total

 

Juscelino Filho alerta para os riscos de alastramento do coronavírus no interior maranhense, sem estrutura para tantos caos de coVID-19

O deputado federal Juscelino Filho (DEM) mostrou preocupação com o alastramento dos casos de coVID-19 no interior do Maranhão.

Segundo ele, os municípios fora da Grande São Luís representavam 17% do total de infectados no Maranhão; hoje, já são 39%, mais que o dobro do início do mês.

– Tenho acompanhado as fortes medidas do governo estadual para controlar o distanciamento social na Ilha de São Luís, para evitar a disseminação da doença, e também os esforços para ampliar a oferta de leitos clínicos e de UTI na capital. Mas preocupa o avanço da Covid-19 em todo o interior maranhense, onde os números de casos, internações e mortes aumentam rapidamente. Há municípios se preparando, comprando até respiradores, mas poucos têm condições para ter uma estrutura adequada para esse grave momento – alertou Juscelino Filho.

O blog Marco Aurélio D’Eça mostrou em dois posts ao longo desta semana, os riscos do alastramento da coVID-19 para o interior maranhense.

No primeiro post, intitulado “Flávio Dino é um Bolsonaro de sinal trocado…”, o advogado Abdon Marinho alerta para o risco de se ver na entrada de São Luís “‘procissão de ambulâncias’ de municípios sem estrutura para atender tantos pacientes”.

O segundo post, nesta quinta-feira, 14, com o título “Pico da pandemia ainda não chegou ao Maranhão…”, mostra a situação de hospitais que deveriam estar funcionando, mas que o governo Flávio Dino (PCdoB) nunca inaugurou. 

 

Boa parte dos hospitais no interior estão assim, mesmo cinco anos depois de Flávio Dino ter recebido quase todos em condições de funcionamento

Juscelino Filho encaminhou ao secretário Carlos Lula questionamentos quanto o número de unidades de saúde da rede estadual nos municípios, leitos clínicos e de UTI, se há previsão de outros hospitais de campanha e a quantidade de EPIs para profissionais de saúde, além dos testes para a coVID-19.

– São questões essenciais nesta árdua luta contra a Covid-19 – afirmou o parlamentar.

A preocupação do Governo do Estado, por enquanto, se dá mas efetivamente com a Grande São Luís.

Não há informações sobre a resposta do secretário ao deputado federal…

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Pico da pandemia ainda não chegou ao Maranhão….

Apesar da festa que o governo Flávio Dino faz da redução no número de contaminados no estado – resultado direto da falta de testes e não por causa de qualquer ação – o índice de alastramento da coVID-19 ainda está em crescimento e leva ao risco de colapso em municípios sem estrutura de saúde adequada

 

A falta de testes tem relação direta com a redução no número de contaminados pela coVID-19 no Maranhão

O governador Flávio Dino (PCdoB), seu secretário de Saúde, Carlos Eduardo Lula, e boa parte do governo e seus aliados na política e na mídia comemoram desde a terça-feira, 12, a suposta redução no número de contaminados pela coVID-19, que naquele dia foi de apenas 166.

Os números reduzidos, porém, não têm nenhuma relação com qualquer ação do governo, mas são resultado direto da falta de testes na rede pública do estado.

Com menos testes realizados, natural que o número de contaminados também diminua.

O fato é que o Maranhão ainda está na linha de subida da pandemia, cujo pico deve ocorrer  apenas no início de junho, conforme estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, já publicado no blog Marco Aurélio D’Eça. (Relembre aqui e aqui)

Vídeo distribuído pelo senador Roberto Rocha mostra hospitais fechados em plena pandemia de coronavírus em vários municípios 

Além disso, a doença já se alastra desenfreadamente pelo interior maranhense, chegando a municípios sem a menor estrutura de atendimento para a coVId-19.

Municípios como Viana, Penalva, São João Batista e Matinha – que aparecem no vídeo acima, divulgado pelo senador Roberto Rocha (PSDB) – poderiam ter esta estrutura,  

Essa estrutura não existe, porém, por que foi descontinuada pelo próprio governo Flávio Dino.

Mas esta é uma outra história…

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“Se apenas quiser atrapalhar, fique em, casa”, diz Carlos Lula, advertindo Wellington

Secretário de Saúde do estado chamou a atenção do parlamentar acusado de humilhar um médico cubano em visita à UPA da Vila Luisão, em vídeo que viralizou na internet nos últimos dias; deputado fala de “exercício ilegal da profissão”

 

Médico explica a Wellington sua situação no Maranhão; deputado informa que vai comunicar ao CRM

O secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Eduardo Lula, reagiu nesta quarta-feira, 13, ao vídeo em que o deputado Wellington do Curso (PSDB) conversa com um médico cubano, na UPA da Vila Luisão, e ameaça denunciá-lo por exercício ilegal da profissão.

O vídeo do parlamentar foi publicado primeiro em seu próprio perfil no instagram; depois espalhado, de forma negativa, em blogs e redes sociais ligados ao governo Flávio Dino (PCdoB).

Para Lula, “o deputado da ‘polêmica’ não está preocupado com a  saúde da população, muito menos com atendimento ás vítimas da coVID-19”.

– Tenha a honradez de tratar comigo. E nunca, nunca humilhe um profissional em seu local de trabalho – exigiu o secretário, em seu perfil no Twitter.

No vídeo em questão, o médico cubano, identificado por Jhoseh, aparece sentado, quando é abordado pelo deputado Wellington do Curso, que pede sua identificação. (Veja abaixo)

O médico informa que não tem Revalida (exame obrigatório para médicos formados em outros países, estrangeiros ou não), mas informa que faz apenas o acompanhamento individual do paciente, sem assinar atestados, o que é feito por outro profissional.

Sem entrar no mérito da legalidade do trabalho do médico cubano, Carlos Lula diz que agradece tanto a ele quanto a outros médicos que atenderam ao edital do governo para trabalhar nba pandemia.

– Até a sua ajuda [de Wellington] eu aceito, de bom grado. Mas se quiser só atrapalhar, fique em casa – respondeu, diretamente ao deputado.

Parte do vídeo em que o deputado Wellington conversa com o médico cubano sobre sua atuação na UPA da Vila Luisão

No vídeo, Wellington tenta ser o mais educado possível, mas insiste na apresentação de documento que garanta o exercício da profissão pelo médico Jhoseh.

Diante da não-apresentação, anuncia, que tomará providências.   

– Eu vou fazer essa reclamação diretamente ao CRM – encerra o parlamentar, no vídeo que dá a impressão de ter sido cortado abruptamente.

A polêmica vem se arrastando desde então…

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De como a negligência política tornou o carnaval foco da coVID-19…

Baseado em estudos de especialistas e ações governamentais, desde o dia 3 de fevereiro, quando o Ministério da Saúde publicou portaria com “alerta de emergência”, blog Marco Aurélio D’Eça traçou a linha do tempo da chegada da pandemia ao Brasil, agora que já se sabe que o vírus circulava no país desde janeiro, segundo estudo da FioCruz

 

Eram assim que estavam as ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval 2020, mesmo com o alerta de emergência contra o coronavírus

Reportagem especial

3 de fevereiro de 2020. O então ministro da Saúde, Henrique Mandetta, publica a Portaria nº 188/2020, que declara a “Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional”, diante da gravidade do avanço do coronavírus. (Veja aqui)

O alerta foi encaminhado a governadores, autoridades privadas de saúde e especialistas; também foi criado o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE-nCoV), mecanismo nacional para atuar no combate ao vírus. 

Em outras palavras: todos os que deveriam já sabiam dos riscos do coronavírus.

Faltavam exatos 20 dias para o carnaval.

5 de fevereiro de 2020. A rede britânica BBC publica em sua edição brasileira post com a seguinte pergunta: “Coronavírus deve cancelar o Carnaval e outros eventos que atraem multidões?”.

No longo texto, o site ressalta a força do contágio do vírus, dá voz a especialistas e autoridades sobre os riscos de proliferação da coVID-19, cita estudos e ressalta:

– No caso do Carnaval, a grande aglomeração de pessoas num espaço reduzido, inclusive trocando abraços e beijos, acaba por facilitar o alastramento de qualquer doença. (Leia a íntegra da reportagem aqui)

Faltavam 15 dias para o início do carnaval.

Já próximo do feriado da folia momesca, a Fundação Arthur Bernardes publicou entrevista com o professor Sérgio Paula, do Laboratório de Imunovirologia Molecular do Departamento de Biologia Geral da Universidade Federal de Viçosa (UFV). 

Objetivo: saber até que ponto as pessoas deveriam se preocupar com o coronavírus durante o carnaval.

O professor-doutor afirmou a reportagem da Funarbe que a preocupação deveria se dar com “outros vírus e bactérias”.

– A transmissão vai ser mais comum e eficaz em países temperados. Por causa do frio, a tendência de condensação populacional é muito grande. Elas ficam mais em locais fechados e com contato mais próximo. Entretanto, mais cedo ou mais tarde ele vai chegar aqui, mas será um caso importado de alguém – estabeleceu de Paula.

E começou o Carnaval.

O ministro Henrique Mandetta editou o “”alerta de emergência”, mas ele próprio disse não haver preocupação com o carnaval

26 de fevereiro de 2020. O mesmo Henrique Mandetta que editou a “Declaração de Emergência de Importância Nacional” afirma, em reportagem do UOL, que sua preocupação era mais com as pessoas em viagem do que com o carnaval.

– A nossa preocupação sempre foi as pessoas saírem do Brasil, porque aqui as pessoas estão dentro de um bioma em equilíbrio – afirmou o então ministro. (Leia aqui) 

E o carnaval 2020 passou…

Parte II

Cenário no Maranhão: Folia, festa e “nem aí!”

Flávio Dino curte a folia momesca no Centro Histórico de São Luís, em meio a multidão de foliões; e o vírus já circulava por aí..

No Maranhão, a preocupação com o vírus sequer existia.

A grande discussão no estado – sobretudo na capital, São Luís – era especular sobre o sucesso ou fracasso do carnaval promovido pelo poder público.

3 de fevereiro de 2020. O secretário de Saúde do Maranhão, advogado Carlos Eduardo Lula, publica artigo no Jornal Pequeno – reproduzido pelo site do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) – em que ironiza o pânico com o coronavírus e minimiza os riscos de infecção e de letalidade da coVID-19.

– Quando o carnaval chegar, não precisamos fugir para as montanhas, comprar roupa de astronauta, construir uma casa no subsolo ou nunca mais sair de casa. O coronavírus não nos renderá um apocalipse, mas toda a preocupação em torno da doença poderia nos lembrar de nossas tragédias cotidianas que teimamos em não solucionar – afirmou Lula. (Leia o artigo aqui)  

E o Maranhão se prepara para o carnaval.

7 de fevereiro de 2020. A infectologista maranhense Maria dos Remédios Branco, professora-doutora da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), declarou ao site “Nossa Ciência” não haver motivo para pânico no Brasil com o coronavírus.

– Aparentemente, a gente não teria preocupação com essa doença no carnaval. Aparentemente não se está numa situação, ainda, de se preocupar nesse nível. Mas a gente tem que lembrar da prevenção. E a prevenção desse coronavírus é muito relacionada a hábitos básicos de higiene, que a gente deveria ter em qualquer situação, independente de ter coronavírus – declarou a médica. (Leia aqui a íntegra da entrevista)

O carnaval estava a 13 dias de começar.

23 de fevereiro de 2020. O governador Flávio Dino publica artigo no site do PCdoB – ilustrado com foto do governador abraçado a foliões em meio à multidão em São Luís – em que celebra a folia momesca no Maranhão.

– As milhares de pessoas que lotaram o nosso pré-carnaval anunciaram o sucesso que temos visto no Carnaval do Maranhão 2020, consolidando-se como umas das maiores festas do país, a cada ano com maior participação popular – comemora o governador.

Carnaval era festa, folia e alegria no Brasil. 

Quase três meses após o carnaval é o coronavírus quem faz a sua festa, destruindo famílias, que não podem, sequer, se despedir de seus entes mortos pela coVID-19

12 de maio de 2020. Estudo da Fundação Oswaldo Cruz, publicado no site da instituição, confirma que o coronavírus chegou ao Brasil quatro semanas antes do carnaval, o que descarta o italiano contaminado em São Paulo como a primeira vítima no país.

– O novo coronavírus começou a se espalhar no Brasil por volta da primeira semana de fevereiro. Mais de 20 dias antes do primeiro caso ser diagnosticado em um viajante que retornou da Itália, em 26 de fevereiro, e quase 40 dias antes das primeiras confirmações oficiais de transmissão comunitária, em 13 de março – afirma o estudo, publicado também no blog Marco Aurélio D’Eça. (Reveja aqui)

Esta linha do tempo mostra que a disseminação do coronavírus pelo país ganhou força com a pouca importância dada pelas autoridades de saúde.

E confirma que o carnaval foi, sim, foco de contaminação.

E não há o que discutir quanto a isso…

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Imperatriz: Exército higieniza unidades prisionais

A pedido do Ministério Público, homens do 50º Batalhão de Infantaria de Selva fizeram a limpeza de todos os presídios e cadeias do município e de outras idades da região

 

A pedido do Ministério Público do Maranhão, o Exército Brasileiro fez a higienização da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), como forma de prevenção à Covid-19.

A ação é resultado de um pedido da 5ª Promotoria de Justiça Criminal de Imperatriz, que solicitou ao Batalhão de Infantaria e Selva a higienização de todas as unidades prisionais da comarca.

O trabalho começou na última segunda-feira, 11.

As demais unidades prisionais da região serão higienizadas, de acordo com a disponibilidade de equipes e material de higiene. A UPR de Davinópolis deve ser higienizada próxima semana e a de Imperatriz no dia 25 de maio.

“A higienização dos presídios começou nesta segunda na Apac, com o apoio do Exército Brasileiro. Temos recebido doações de empresários locais de material de limpeza, a exemplo de água sanitária e álcool em gel. Por isso agradecemos o apoio, tantos dos empresários quanto do 50 BIS”, destacou o promotor de justiça Domingos Eduardo da Silva.

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Flávio Dino é um “Bolsonaro com sinal trocado”, diz advogado…

Observador da cena política maranhense, Abdon Marinho aponta fracasso das políticas contra o coronavírus, tanto no Brasil quanto no Maranhão, critica anúncio de lockdown seguido por outro, de abertura das atividades, e alerta para o risco de procissão de ambulâncias rumo a São Luís

 

Observador da cena sócio-política no Maranhão, Abdon Marinho faz críticas duras à condução da pandemia, tanto pelo presidente Bolsonaro quanto pelo governador Flávio Dino

Em mais um dos seus contundentes artigos sobre a realidade político-social maranhense e nacional, o advogado Abdon Marinho, classificou esta semana de “Bolsonaro de sinal trocado” o governador Flávio Dino (PCdoB).

Para Marinho, assim como o presidente é responsável pelo fracasso do Brasil contra a pandemia de coronavírus, Flávio Dino também responde pelo fracasso maranhense.

E pelo mesmo motivo ideológico.

– Faço estas reflexões da minha quarentena de quase 60 dias, chegando a duas conclusões: a primeira, é que o fracasso do Brasil e do Maranhão está ai, à vista de todos; a segunda, é que a ignorância ideologizada mata. A pandemia está provando isso – afirma o advogado, exatamente na conclusão do seu artigo.

Para Abdon Marinho, o fracasso das ações de Flávio Dino se dá, em grande medida, pelo fato de o governador abdicar da luta diária contra o coronavírus para se digladiar em debates políticos com Bolsonaro.

– Enquanto em outros estados os governadores não “estavam nem aí” para o que dizia (ou diz) a Maria Antonieta do planalto, “nosso líder” [Flávio Dino], até quando não tinha nada para dizer ia atrás de quizilas – condena.

Lockdown ou retorno às atividades?!?

A procissão de ambulâncias para São Luís já é um risco real, diante do espalhamento do coronavírus para municípios sem a estrutura necessária para atendimento a pacientes de coVID-19

Capítulo especial em sua análise Abdon Marinho guarda para o lockdown decretado na Grande São Luís.

Segundo ele, as ações de Flávio Dino mostram que ele não tem roteiro algum para o combate à pandemia. Exemplo disso é a falta de sentido no anúncio de um lockdown seguido de outro anúncio, para retorno das atividades a partir do dia 21 de maio.

– Ora, se o estado já estava caminhando para o retomar a normalidade porque o governo aceitou a imposição judicial do lockdown e ainda determinou um rodízio de veículos na capital e nos municípios vizinhos? Se, por outro lado, necessárias as medidas, como falar em retorno das atividades econômicas? – questiona o advogado.

Na avaliação de Marinho, qualquer um que “coloca a cabeça para pensar – mesmo que só um pouquinho – fica com a impressão de que as autoridades maranhenses, o governador à frente, não sabem nada do que dizem.”

O advogado alerta em seu artigo para o risco de uma “procissão de ambulâncias” de todos os cantos do estado, rumo a São Luís, se não for encontrada forma eficaz de tratamento da coVId-19.

Abaixo, a íntegra do artigo de Abdon Marinho:

FRACASSAMOS. O BRASIL FRACASSOU. O MARANHÃO FRACASSOU.

Por Abdon Marinho.

PODE parecer mórbido – ainda que feito na melhor das intenções: orar pelos que partiram –, mas, quase todos os dias, antes de me recolher, dou uma última conferida no número de infectados e mortos pelo novo coronavírus.

Confiro a situação no mundo, através de um aplicativo de monitoramento, olho a situação nos mais variados países, das Américas, da Europa, da Ásia, da Oceania; depois me dedico a situação do Brasil, olhando a situação de cada estado, vejo onde aumentou, o quanto aumentou, se estabilizou – faço isso através do site G1; por fim, examino os números do Maranhão, olhando o quanto que aumentou, as mortes, o alastramento da pandemia pelo interior – geralmente alguém me encaminha o boletim epidemiológico disponibilizado pelas 21 horas.

Uma das coisas que mais me chama a atenção nas análises, antes mesmo dos números, é a posição da curva de infectados.

A do Brasil, comparada com outros países, mesmo aqueles que têm mais casos que nós, parece-me, assustadoramente, inclinada.

O mesmo ocorre com a curva do Maranhão, e os números confirmam isso, como já dissemos aqui diversas vezes.

Em relação aos nossos vizinhos, que começaram a registar casos em datas semelhantes aos registrados por aqui, a situação só encontra paralelo com o Pará.

Já o Brasil, para o desgosto de todos, tornou-se uma ameaça sanitária para os vizinhos e para o mundo, a ponto de diversos países, como, também, já frisamos aqui, mesmos quando suas situações eram desesperadoras, recomendarem que seus cidadãos deixassem o nosso país o quanto antes.

O fracasso foi anunciado desde muito tempo. Fracassamos. O Brasil e o Maranhão fracassaram na implementação de políticas de combate a pandemia do novo coronavírus.

Cada um a seu modo, mas com resultados, no fim das contas, idênticos.

As razões do fracasso estão aí materializadas nos milhares de mortos, nas milhares de famílias enlutadas.

Estão aí na maior crise econômica que se tem noticia – desde sempre.

Estão aí nos milhares de empregos já perdidos e nos que ainda serão perdidos ao longo dos próximos anos, nos seus danos colaterais.

E não é só, a falta de confiabilidade nos agentes políticos brasileiros na condução da crise do coronavírus e na reabertura do mercado, afugentará os investidores já ressabiados com o avanço dos partidos fisiológicos sobre a política econômica do governo.

Tudo isso tornará o nosso fracasso ainda mais retumbante.

O fracasso do Brasil no combate ao coronavírus e aos seus efeitos deletérios futuros podemos creditar, em grande parte, à ausência de governo.

A verdade seja dita, enquanto o mundo todo se curvava a ciência em busca de uma solução para a pandemia o nosso presidente fazia pouco caso, gripezinha, vai contaminar mesmo, desaguando, por fim, no “e, daí?”, quando o número de mortos chegou a cinco mil, e no anúncio de churrasco – depois transformado em passeio de moto-aquática –, quando os mortos atingiram a assombrosa casa dos dez mil.

Apenas para registro, o número de mortos nesta pandemia é muito superior a todas as perdas humanas sofridas pelo país – mesmo as guerras –, em mais de cem anos.

Vejam, enquanto todos os chefes de Estado do mundo constroem consensos internos para combater a pandemia, o nosso presidente busca a dissensão, o conflito com os demais poderes da República, com os governos estaduais, e semeia a discórdia entre os próprios integrantes do governo.

Quem poderia imaginar que um presidente da República poderia demitir seu ministro da saúde, em plena pandemia, só para provar que mandava?

O novo ministro, com quase um mês no cargo, não vez nada de diferente do anterior, e, além de alimentar a indústria de “memes”, não disse a que veio.

Uma semana depois foi a vez de demitir o ministro da justiça e um dos pilares do governo.

Detalhe, ambos os ministros foram demitidos justamente por estarem fazendo um trabalho, reconhecidamente, bem feito.

Mas não é só, além de não assumir o comando da nação em momento de tamanha gravidade, bem diferente do que fez a chanceler alemã, os primeiros-ministros, inglês e espanhol, os presidentes de Portugal, da França e até dos Estados Unidos, o nosso presidente se empenhou em sabotar as medidas de restrições impostas pelos governos estaduais e municipais, supostamente, em nome da causa maior da “economia”.

O resultado é desastroso para o país – para a saúde da população e para a economia.

Enquanto a maioria dos países que tomaram as medidas, a tempo e modo certos, para diminuir o contágio, depois de 60 dias começam a sair, ainda que cautelosamente, do confinamento e a retomar as atividades econômicas, o Brasil está parado pelo mesmo tempo, mas não sabe quando poderá retomar – ou retomar com segurança a atividade econômica do país, sob pena de muitas mortes, porque à falta de governo, operou um isolamento parcial e a curva de contágio ainda está ascendente.

Esta, também, uma das razões pelas quais os investidores querem tomar distância do nosso país – sem contar a grave situação de termos nos tornado uma espécie de pária global, que ninguém confia.

Qual a justificativa ou motivação o Brasil deu para desafiar o consenso global quanto a pandemia? Nenhum.

Assim como não tem qualquer plano para o retorno das atividades econômicas, aliados a isso, a profunda instabilidade política causada pelo governo.

Com declarações e medidas erráticas, supostamente para proteger a economia, o governo, que se tornou uma usina de crise, aumentou o nosso caos econômico.

A economia do país é globalizada. Você não consegue protegê-la sem a confiança dos demais países.

Essa mercadoria, confiança, é tudo que não temos mais.

Nem mesmo os Estados Unidos – para quem o atual governo fez juras de amor eterno e submeteu-se a tudo –, está do lado do Brasil.

O presidente americano quase todos os dias critica – com razão –, os rumos adotados pelo nosso pais.

Mesmo os Estados Unidos, com mais de um milhão de infectados e mais de 80 mil óbitos, dizem que o Brasil não fez o “dever de casa” corretamente.

Na defesa do presidente suas franjas saem com o discurso: “a culpa é dos estados, o governo mandou o dinheiro para combater a pandemia”.

Sem desprezar a importância dos recursos, muitas vezes mais importante do que o dinheiro em si, é a presença do governo, é discurso uniforme, são medidas coerentes. Sem isso, o que fizemos foi “jogar fora” bilhões e bilhões de reais.

Estou certo que uma parte salvou vidas, mas a maior parte dos recursos, frutos do sacrifício que estamos passando e pelos quais passarão as gerações futuras, foi e está sendo jogado fora, no lixo. Tudo pela falta de governo.

O Brasil fracassa miseravelmente no combate à pandemia e na recuperação da economia.

Quando examino os dados do Brasil, por estado, me pergunto a razão do Maranhão, ao invés de se espelhar no que vem sendo feito no Piauí, se inspirar no que acontece no Pará.

O Maranhão, decerto, não é o pior – pelos últimos dados ocupava o sétimo –, mas, não poderia estar melhor?

O Piauí, aqui do lado, faz uma politica de enfrentamento a pandemia de forma mais eficiente; o Tocantins, apesar de suas peculiaridades, a mesma coisa; Minas Gerais, a despeito de uma população três vezes maior que nossa, também; assim como diversos outros estados já citados em textos anteriores.

Claro que parte do insucesso pode ser atribuído aos desacertos do contexto nacional. Mas por que afetou mais ao Maranhão que aos demais estados citados anteriormente?

Acredito – ainda que sem qualquer amparo –, que as causas do nosso fracasso no combate à pandemia são devidas a politização da doença.

Nossos governantes ao invés de estarem focados no combate à pandemia (também) estavam na “rinha” do enfrentamento ideológico com o presidente da República.

Enquanto em outros estados os governadores não “estavam nem aí” para o que dizia (ou diz) a Maria Antonieta do planalto, “nosso líder”, até quando não tinha nada para dizer ia atrás de quizilas.

Durante essa crise pouco temos ouvido falar nos governadores e prefeitos que apresentam melhores resultados no combate a pandemia.

Já os outros todos os dias estão na “mídia”.

É o caso do Maranhão.

Desde o começo percebe-se que o governo estadual não tem um roteiro bem definido (talvez roteiro algum) para combater a pandemia.

Apesar do governador dizer que iria seguir rigorosamente as orientações da ciência, não conhecemos a equipe de cientistas que estejam orientando o governo na tomada de decisões.

E muito pior que isso, a maioria das decisões são questionadas pelos cidadãos.

Não é apenas a imprensa ou o Ministério Público que questionam a ausência de transparência das autoridades locais, mesmo para o cidadão comum elas são incompreensíveis e sem lógica.

Vejam um exemplo, uma semana depois de anunciar a medida extrema de isolamento, o tal do lockdown, leio que sua excelência informou o retorno das atividades econômicas já para o dia 21 de maio.

Ora, se o estado já estava caminhando para o retomar a normalidade porque o governo aceitou a imposição judicial do lockdown – e ainda determinou um rodízio de veículos na capital e nos municípios vizinhos?

Se, por outro lado, necessárias as medidas, como falar em retorno das atividades econômicas?

Agora dizem que fizeram um acordo judicial para levar o lockdown até o dia 17 de maio.

Quer dizer que sairemos do isolamento extremo para o retorno das atividades econômicas a “todo vapor”?

Quem coloca a cabeça para pensar – mesmo que só um pouquinho –, fica com a impressão de que as autoridades maranhenses, o governador à frente, não sabem nada do que dizem.

Uma espécie de “Bolsonaro” com o sinal trocado.

Os últimos dados coletados apontavam para um comprometimento de 97% (noventa e sete por cento) dos leitos de UTI; o governo baixava decreto para se socorrer dos leitos da rede privada; as pessoas já agonizavam nas recepções da UPAS – e morriam – enquanto aguardam por uma vaga.

Isso tudo acontecendo sem que a demanda dos pacientes do interior – para onde a pandemia começa a se alastrar –, se torne mais intensa.

Já são milhares de infectados no interior. Mesmo os menores municípios já apresentam casos de transmissão comunitária.

É quase certo que exista um número significativo de subnotificações.

A rede de saúde do interior do estado é muito precária, muitos municípios não possuem condições de fazerem um atendimento básico.

Se não encontrarmos uma forma de tratamento eficaz logo, o que vai acontecer quando a “procissão de ambulâncias”, de todos os cantos do estado, começarem a se dirigir para a capital em busca de tratamento?

Faço estas reflexões da minha quarentena de quase 60 dias, chegando a duas conclusões: a primeira, é que o fracasso do Brasil e do Maranhão está ai, à vista de todos; a segunda, é que a ignorância ideologizada mata. A pandemia está provando isso.

Abdon Marinho é advogado.

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Fila de espera em hospitais aponta para colapso na saúde de São Luís

Dias depois da ameaça do governador Flávio Dino, de confiscar leitos da rede privada para atendimento a pacientes de coVID-19, os três principais hospitais particulares da capital maranhense informam que já estão sem vagas ou no limite da lotação, tanto de leitos clínicos quanto os de UTI

 

O Hospital UDI já informou que não tem mais lugar para botar pacientes; outros particulares seguem o mesmo caminho

Praticamente não há mais vagas disponíveis para internação clínica ou de UTI na rede particular de saúde de São Luís.

Pelo menos é o que informam os três principais hospitais particulares de São Luís, que também estão atendendo pacientes de coVID-19.

No UDI Hospital já há fila de espera, tanto nos quartos quanto na UTI, onde todos os 60 leitos estão ocupados.

No São Domingos, a ocupação da UTI é de quase 100% (98,6%, para ser mais preciso); O Centro Médico apresenta a menor ocupação de UTI, com 84% dos leitos em uso.   

A lotação na rede pública, que já vem em risco há semanas, pode gerar um colapso no atendimento de saúde em São Luís

Os dados põem em iminente caos a rede de saúde, poucos dias depois de o governador Flávio Dino (PCdoB) ameaçar confiscar leitos particulares para uso de pacientes do coronavírus da rede pública, que já entrou em colapso.

Sem possibilidade de atendimento, esses hospitais terão que recusar novos pacientes.

Com informações do blog de Diego Emir e sites das instituições de saúde

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FioCruz revela que coronavírus chegou ao Brasil antes do Carnaval…

Estudo publicado na revista do instituto revela que quatro semanas antes do registro do primeiro caso – o de um italiano que chegou da Europa, em 26 de fevereiro – o vírus já se espalhava pelo país, em contaminação comunitária

 

FioCruz aponta que o coronavírus circulou no país inteiro durante o carnaval, antes do primeiro caso confirmado oficialmente

O Instituto Osvaldo Cruz (FioCruz) divulgou nesta terça-feira, 12, estudo que aponta a presença do coronavírus no Brasil já na primeira semana de fevereiro, ou quatro semanas antes do carnaval.

O primeiro caso oficial no Brasil foi registrado em 26 de fevereiro; tratava-se de um italiano que voltava do seu país para São Paulo e foi diagnosticado com a coVID-19.

Mas, segundo o trabalho, publicado na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, o vírus já estava no Brasil e atuou durante todo o carnaval, que se deu entre os dias 19 e 22 de fevereiro.

Os estudiosos classificam este período de “período de transmissão comunitária oculta” e reforçam a importância de medidas sanitárias assim que os primeiros casos importados surgirem. 

– A intensa vigilância virológica é essencial para detectar precocemente a possível reemergência do vírus, informando os sistemas de rastreamento de contatos e fornecendo evidências para realizar as medidas de controle apropriadas – diz o pesquisador do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC/Fiocruz, Gonzalo Bello, coordenador da pesquisa. 

Para chegar a estas conclusões, a Fiocruz utilizou metodologia estatística de inferência, a partir dos registros de óbitos. Isso indica que, enquanto os países monitoravam os viajantes e confirmavam os primeiros casos importados da Covid-19, a transmissão comunitária da doença já estava em curso. 

A pesquisa é a primeira a apontar o período de início da transmissão comunitária no Brasil e reforça evidências preliminares de pesquisas conduzidas na Europa a partir de análises genéticas.

Corrobora ainda achados de estudos realizados nos Estados Unidos, que indicaram começo da propagação viral na cidade de Nova Iorque entre 29 de janeiro e 26 de fevereiro. 

Entenda aqui o estudo completo…

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Prefeito Hilton Gonçalo adota protocolo com cloroquina em Santa Rita

Medicamento está sendo usado em pacientes de coVID-19 com a supervisão do prefeito Hilton Gonçalo, que é médico; segundo ele, resultados são positivos no município

 

O prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, que também é médico vem adotando um protocolo na rede municipal de saúde com intuito de promover o mais rápido estabelecimento de pacientes da covid-19, e a aplicação já vem trazendo resultados positivos, tanto que o município não registrou nenhum óbito em suas unidades de saúde. 

Hilton Gonçalo vem adotando o protocolo de medicar ivermectina e zinco para pacientes suspeitos de infecção pelo novo coronavírus. Caso seja confirmada a covid-19, o prefeito de Santa Rita adota o protocolo que é composto por hidroxicloroquina, azitromicina e zinco.

De acordo com Hilton Gonçalo, ele vem se baseando em estudos de pesquisadores norte-americanos que atestam uma maior taxa de sobrevivência em pacientes que usam os medicamentos citados.

Para garantir a medicação a população de Santa Rita, o prefeito Hilton Gonçalo cinco mil comprimidos de ivermectina, mil comprimidos de hidroxicloroquina e dois mil comprimidos de zinco. A azitromicina é um medicamento que já tinha em estoque na rede municipal por ser muito utilizado no tratamento de infecções bacterianas.

Hilton Gonçalo ainda recomenda aos suspeitos, o inicio da ivermectina e zinco antes do mesmo do resultado da testagem do novo coronavírus, ou seja, uma profilaxia, uma vez que a ação medicamentosa na opinião médico tem que ser imediata antes que ocorra um agravamento dos sintomas e como muitos exames demoram de 5 a 8 dias para sair o resultado, um retardado no inicio do tratamento pode levar a um quadro de infecção grave.

“Continuamos muito firmes no combate ao covid-19, hoje falei com vários pacientes (pelo telefone), em tratamento e que se recuperam bem, percebo que precisamos iniciar o mais precocemente possível os medicamentos e não esperar resultados de exames, para não atrasar o tratamento, estamos comprando medicamentos manipulados em grande escala, para que não falte os remédios básicos nessa etapa, ao conversar hoje com essas pessoas vi que quase todos estão evoluindo para a recuperação”, relatou Hilton Gonçalo.

Santa Rita já teve a notificação de 77 casos da doença, 38 são considerados ativos, 37 recuperados e dois óbitos registrados, porém os mesmos ocorreram em unidades hospitalares de São Luís, onde infelizmente não seguiram o protocolo recomendado por Hilton Gonçalo.