É preciso construir uma agenda permanente de desenvolvimento regional, com metas claras, orçamento definido e responsabilidade compartilhada entre governo estadual, prefeituras, deputados, senadores e sociedade civil
Por Waldir Maranhão
O avanço do Índice de Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana da Grande São Luís é uma notícia que merece ser reconhecida. Em um estado historicamente marcado por desigualdades profundas, ver a capital maranhense alcançar posição de destaque no desenvolvimento humano revela que o Maranhão tem capacidade de avançar quando há investimento público, educação, dinamismo econômico e políticas sociais bem direcionadas.
Mas toda comemoração responsável precisa vir acompanhada de uma pergunta essencial: esse bom resultado de São Luís se reflete, de fato, nos municípios que integram a região metropolitana e no restante do Maranhão?
A resposta exige prudência.
O desempenho da capital ajuda a elevar a média metropolitana, mas não pode esconder as diferenças existentes entre São Luís e cidades como Paço do Lumiar, Raposa, São José de Ribamar, Alcântara, Rosário, Bacabeira, Icatu, Morros, Axixá, Santa Rita, Presidente Juscelino e Cachoeira Grande. Uma média positiva pode revelar avanço, mas também pode ocultar desigualdades territoriais, carências sociais e diferentes níveis de acesso a serviços públicos.
- São Luís concentra hospitais, universidades, empregos, renda, equipamentos públicos, serviços especializados, atividades portuárias, logística e maior presença institucional.
- essa centralidade fortalece seus indicadores. Porém, desenvolvimento humano não pode ser privilégio de uma capital. Precisa chegar às periferias, aos municípios vizinhos.
Às cidades médias, aos povoados, às comunidades rurais e ao interior profundo do Maranhão.
O IDH não é apenas um número. Ele representa vida real. Representa criança aprendendo na escola, jovem tendo acesso à formação técnica, trabalhador com emprego digno, família atendida na saúde pública, comunidade com saneamento básico, internet, transporte e oportunidade. Portanto, quando discutimos IDH, estamos discutindo dignidade humana.
O grande desafio do Maranhão é transformar o bom resultado da capital em política de Estado. Não basta celebrar ranking. Não basta anunciar obras isoladas. É preciso construir uma agenda permanente de desenvolvimento regional, com metas claras, orçamento definido e responsabilidade compartilhada entre governo estadual, prefeituras, deputados, senadores e sociedade civil.
Essa agenda deve começar pela educação.
A interiorização do ensino técnico, das universidades, das escolas em tempo integral e da qualificação profissional é decisiva para romper o ciclo da pobreza. Também é urgente enfrentar o saneamento básico, ampliar a conectividade digital, fortalecer a saúde regionalizada e estimular vocações econômicas locais, como turismo, pesca, agricultura, bioeconomia, logística, energias renováveis e serviços.
A Região Metropolitana da Grande São Luís precisa ser vista como espaço de planejamento integrado. Mobilidade, saúde, saneamento, habitação, meio ambiente e geração de emprego não podem ser tratados de forma isolada por cada município. São problemas comuns e exigem soluções comuns.
- por isso, o debate precisa entrar na agenda dos candidatos ao governo, dos deputados estaduais, dos deputados federais e dos candidatos a senadores.
- o Maranhão precisa saber quem está disposto a defender uma política concreta para reduzir desigualdades entre a capital, a metropolitanos e o interior.
Devemos comemorar o avanço de São Luís, sim. Mas a verdadeira vitória será quando o desenvolvimento humano deixar de ser concentrado e passar a alcançar todos os maranhenses.
O Maranhão só será plenamente desenvolvido quando o progresso da capital se transformar em oportunidade para todo o estado.
Waldir Maranhão é ex-presidente da Câmara Federal, ex-reitor da Uema e membro da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura











Eles não trabalham em cima de simpatia, eles trabalham em cima de dados e indicadores. Então o crescimento do IDH e o reconhecimento do Selo Unicef foram duas importantes constatações de que o Programa Saúde é Vida foi a melhor coisa que aconteceu no estado do Maranhão nos últimos tempos”

