O IDH de São Luís e o desafio de desenvolver todo o Maranhão

É preciso construir uma agenda permanente de desenvolvimento regional, com metas claras, orçamento definido e responsabilidade compartilhada entre governo estadual, prefeituras, deputados, senadores e sociedade civil

 

Por Waldir Maranhão

O avanço do Índice de Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana da Grande São Luís é uma notícia que merece ser reconhecida. Em um estado historicamente marcado por desigualdades profundas, ver a capital maranhense alcançar posição de destaque no desenvolvimento humano revela que o Maranhão tem capacidade de avançar quando há investimento público, educação, dinamismo econômico e políticas sociais bem direcionadas.

Mas toda comemoração responsável precisa vir acompanhada de uma pergunta essencial: esse bom resultado de São Luís se reflete, de fato, nos municípios que integram a região metropolitana e no restante do Maranhão?

A resposta exige prudência.

O desempenho da capital ajuda a elevar a média metropolitana, mas não pode esconder as diferenças existentes entre São Luís e cidades como Paço do Lumiar, Raposa, São José de Ribamar, Alcântara, Rosário, Bacabeira, Icatu, Morros, Axixá, Santa Rita, Presidente Juscelino e Cachoeira Grande. Uma média positiva pode revelar avanço, mas também pode ocultar desigualdades territoriais, carências sociais e diferentes níveis de acesso a serviços públicos.

  • São Luís concentra hospitais, universidades, empregos, renda, equipamentos públicos, serviços especializados, atividades portuárias, logística e maior presença institucional.
  • essa centralidade fortalece seus indicadores. Porém, desenvolvimento humano não pode ser privilégio de uma capital. Precisa chegar às periferias, aos municípios vizinhos.

Às cidades médias, aos povoados, às comunidades rurais e ao interior profundo do Maranhão.

O IDH não é apenas um número. Ele representa vida real. Representa criança aprendendo na escola, jovem tendo acesso à formação técnica, trabalhador com emprego digno, família atendida na saúde pública, comunidade com saneamento básico, internet, transporte e oportunidade. Portanto, quando discutimos IDH, estamos discutindo dignidade humana.

O grande desafio do Maranhão é transformar o bom resultado da capital em política de Estado. Não basta celebrar ranking. Não basta anunciar obras isoladas. É preciso construir uma agenda permanente de desenvolvimento regional, com metas claras, orçamento definido e responsabilidade compartilhada entre governo estadual, prefeituras, deputados, senadores e sociedade civil.

Essa agenda deve começar pela educação.

A interiorização do ensino técnico, das universidades, das escolas em tempo integral e da qualificação profissional é decisiva para romper o ciclo da pobreza. Também é urgente enfrentar o saneamento básico, ampliar a conectividade digital, fortalecer a saúde regionalizada e estimular vocações econômicas locais, como turismo, pesca, agricultura, bioeconomia, logística, energias renováveis e serviços.

A Região Metropolitana da Grande São Luís precisa ser vista como espaço de planejamento integrado. Mobilidade, saúde, saneamento, habitação, meio ambiente e geração de emprego não podem ser tratados de forma isolada por cada município. São problemas comuns e exigem soluções comuns.

  • por isso, o debate precisa entrar na agenda dos candidatos ao governo, dos deputados estaduais, dos deputados federais e dos candidatos a senadores.
  • o Maranhão precisa saber quem está disposto a defender uma política concreta para reduzir desigualdades entre a capital, a metropolitanos e o interior.

Devemos comemorar o avanço de São Luís, sim. Mas a verdadeira vitória será quando o desenvolvimento humano deixar de ser concentrado e passar a alcançar todos os maranhenses.

O Maranhão só será plenamente desenvolvido quando o progresso da capital se transformar em oportunidade para todo o estado.

Waldir Maranhão é ex-presidente da Câmara Federal, ex-reitor da Uema e membro da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura

Brasil de volta ao mundo, Maranhão de volta ao centro

O Porto do Itaqui consolida-se como peça estratégica da nova economia global com a entrada em vigor do Acordo Mercosul- União Europeia em 1º de maio de 2026

 

Por Waldir Maranhão 

Depois de anos de retração diplomática, o Brasil voltou a ocupar as mesas onde se discutem os rumos do mundo. Sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país deixou a posição de espectador para reassumir o papel de protagonista internacional, com a presidência do BRICS em 2025, a criação da Aliança Global contra a Fome durante o G20 no Rio de Janeiro e a realização da COP30 em Belém, no coração da Amazônia.

A nova política externa brasileira tem uma diretriz clara: o chamado não alinhamento ativo. Não se trata de neutralidade passiva, mas da capacidade de dialogar com Estados Unidos, China, União Europeia e países árabes sem abrir mão dos interesses nacionais, buscando investimentos, tecnologia, comércio e oportunidades capazes de gerar emprego e desenvolvimento dentro do país.

  • no Maranhão, os reflexos dessa retomada já começam a aparecer de forma concreta.
  • o Porto do Itaqui consolida-se como peça estratégica da nova economia global.

Com a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia em 1º de maio de 2026, produtos como a soja de Balsas, o milho do sul do estado e a celulose passam a acessar o mercado europeu com tarifa zero em grande parte das exportações. É o produtor maranhense competindo em igualdade de condições nos mercados internacionais.

  • a Aliança Global contra a Fome também deixa de ser apenas discurso diplomático para se transformar em ação prática.
  • são recursos destinados à agricultura familiar, cozinhas comunitárias, assistência técnica e políticas de segurança alimentar.

“Quem tem fome tem pressa”, afirmou Lula ao lançar a iniciativa. E o Maranhão, marcado historicamente pela luta contra a insegurança alimentar, surge como um dos territórios centrais dessa agenda.

A COP30, realizada em Belém, também reposicionou o debate climático. A floresta deixou de ser vista apenas como problema ambiental e passou a ser reconhecida como ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável. Para quebradeiras de coco babaçu, extrativistas do açaí e do bacuri, cooperativas e comunidades tradicionais, isso representa novas oportunidades: pagamento por serviços ambientais, acesso a crédito, fortalecimento da bioeconomia e incentivo à pesquisa nas universidades da região.

A retomada da cooperação Sul-Sul também dialoga diretamente com a identidade maranhense.

Com suas raízes africanas e portuguesas, o Maranhão volta a ocupar posição natural de ponte com países como Angola, Moçambique e Guiné-Bissau em áreas como saúde, educação, agricultura de baixo carbono e formação técnica, abrindo novos espaços para profissionais, pesquisadores e instituições locais.

  • no Centro de Lançamento de Alcântara, a aproximação do Brasil com Índia, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos amplia as perspectivas de transferência de tecnologia, inovação e geração de empregos qualificados;
  • Alcântara deixa de ser apenas promessa e passa a ocupar posição estratégica em um setor que movimenta conhecimento, desenvolvimento e soberania tecnológica.

“O gigante saiu da arquibancada e voltou ao campo”. E quando o Brasil volta a influenciar as regras do jogo internacional, o Maranhão não fica à margem: entra em campo como protagonista, com porto estratégico, riqueza cultural, potencial econômico e vocação para liderar.

Waldir Maranhão é ex-presidente da Câmara Federal, ex-reitor da Uema e membro da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura

Inteligência Artificial e Democracia: estamos vivendo um experimento sem consentimento?!?

MEMBRO DA ABRASCI, WALDIR MARANHÃO debate os limites da Inteligência Artificial e seus impactos

Por Waldir Maranhão

A Inteligência Artificial costuma ser apresentada como uma das maiores promessas do século XXI. Ela poderá ajudar na medicina, acelerar descobertas científicas, melhorar serviços públicos, apoiar a educação e ampliar a produtividade. Mas existe outro lado dessa transformação. A mesma tecnologia que promete resolver grandes problemas também pode concentrar poder, ampliar a vigilância, manipular informações, enfraquecer democracias e tornar sociedades inteiras dependentes de sistemas que não compreendem.

  • por isso, a grande questão não é apenas o que a IA pode fazer;
  • a questão decisiva é: quem controla a Inteligência Artificial?

Uma tecnologia poderosa demais para ficar nas mãos de poucos

A IA avançada está concentrada em poucas empresas globais. Essas corporações controlam os dados, os modelos, os servidores, os investimentos e boa parte da infraestrutura necessária para desenvolver sistemas cada vez mais poderosos. Essa concentração cria uma nova forma de desigualdade.

De um lado, empresas capazes de capturar dados, conhecimento e recursos naturais. De outro, populações inteiras usando sistemas que não controlam, não auditam e muitas vezes nem compreendem. Quando uma tecnologia passa a influenciar o trabalho, a educação, a informação, a segurança e a economia, ela deixa de ser apenas uma inovação privada. Torna-se uma questão pública.

O mito de “desligar a máquina”

Muitas pessoas acreditam que, se a IA se tornar perigosa, bastaria desligá-la. Mas essa imagem é simplista. A IA já está sendo integrada a plataformas digitais, sistemas financeiros, serviços públicos, empresas, redes de comunicação e processos de decisão. Quanto mais esses sistemas se espalham, mais difícil se torna interrompê-los sem causar impactos sociais e econômicos. Além disso, a dependência tecnológica reduz a capacidade de controle democrático.

Uma sociedade que transfere funções importantes para sistemas opacos passa a depender de decisões que não consegue explicar nem contestar plenamente.

  • o problema não é apenas a possibilidade de uma IA “sair do controle”, como em filmes de ficção científica;
  • o problema mais imediato é uma sociedade perder o controle sobre tecnologias que já afetam sua vida cotidiana.

O experimento social sem consentimento

A IA é treinada com dados produzidos por pessoas. Textos, imagens, vozes, comportamentos, pesquisas, códigos e interações humanas alimentam sistemas comerciais de grande valor econômico. A maioria das pessoas, porém, nunca foi consultada de forma clara sobre esse uso. Não recebeu remuneração. Não conhece as regras do processo. Não sabe como seus dados foram utilizados nem como poderão afetar sua vida no futuro.

Nesse sentido, a expansão da IA se parece com um experimento social em larga escala. Em pesquisas científicas éticas, experimentos com seres humanos exigem consentimento, transparência, avaliação de riscos e supervisão independente. No caso da IA, bilhões de pessoas estão sendo afetadas por sistemas construídos sem um debate público suficiente. Isso deveria preocupar qualquer sociedade democrática.

Informação, manipulação e risco democrático

A democracia depende de informação confiável. A IA pode ameaçar esse princípio ao permitir a produção de textos, imagens, áudios e vídeos falsos em grande escala. Com essas ferramentas, torna-se mais fácil espalhar desinformação, manipular debates públicos, criar perfis falsos, simular apoio popular e atacar reputações.

Em períodos eleitorais, esse risco é ainda maior. A fronteira entre conteúdo humano, conteúdo automatizado e conteúdo falso pode se tornar cada vez mais difícil de identificar.

  • regular a IA, portanto, não significa censurar a inovação;
  • significa proteger a integridade do debate público.

O custo ambiental da IA

Embora pareça uma tecnologia imaterial, a Inteligência Artificial depende de uma infraestrutura pesada: data centers, energia elétrica, água para resfriamento, chips, redes e equipamentos.

Grandes centros de processamento podem consumir muita energia e água, pressionando comunidades locais e agravando desigualdades territoriais. Muitas vezes, os custos ambientais ficam com a população, enquanto os lucros se concentram nas empresas. Por isso, a IA também deve ser discutida como questão ambiental. Não basta perguntar se um sistema é eficiente. É preciso perguntar quanto ele custa ao planeta e se seu uso atende a uma finalidade social legítima.

Menos foguetes, mais bicicletas

A sociedade não precisa abandonar a Inteligência Artificial. Mas precisa mudar sua direção. Em vez de uma corrida por sistemas gigantescos, generalistas, caros e opacos, poderíamos priorizar tecnologias menores, específicas, auditáveis e socialmente úteis. A metáfora é simples: menos foguetes e mais bicicletas.

  • os “foguetes” da IA são sistemas enormes, voltados à competição corporativa e geopolítica, com alto consumo e pouca transparência.
  • as “bicicletas” da IA seriam ferramentas desenhadas para apoiar pessoas em tarefas específicas, sem substituir a deliberação humana.

Na saúde, a IA pode auxiliar diagnósticos, sempre com supervisão médica. Na educação, pode apoiar professores, sem substituí-los. No meio ambiente, pode monitorar desmatamento e emissões. Na administração pública, pode organizar dados, mas nunca eliminar o direito de revisão humana.

Uma agenda democrática para a IA

A Inteligência Artificial precisa ser regulada com base no interesse público. Isso exige transparência, auditorias independentes, proteção de dados, responsabilização por danos, avaliação ambiental, proteção de direitos autorais e participação social. Também é necessário fortalecer universidades, centros públicos de pesquisa e organizações independentes capazes de fiscalizar os impactos da tecnologia.

Não podemos depender apenas da autorregulação das empresas que lucram com a IA.

Conclusão 

A Inteligência Artificial não é apenas uma questão técnica. É uma questão de poder. Quem controla os dados controla parte da economia. Quem controla os modelos controla parte da comunicação. Quem controla os sistemas de decisão pode influenciar direitos, oportunidades e riscos sociais.

  • a sociedade não deve ser tratada como cobaia de um experimento conduzido por poucos;
  • a tecnologia deve estar a serviço da vida coletiva, da justiça social e da democracia.

O futuro da IA ainda está em disputa. E essa disputa precisa envolver todos nós.

*Waldir Maranhão é professor, ex-reitor da Uema, ex-deputado federal e membro da Academia Brasileira de Ciências, Arte, História e Literatura

A notícia volta para casa: o fim da era da “informação sem dono”…

A internet pulverizou os “meios de comunicação” e prometeu acesso democrático à informação, mas destruiu a credibilidade, fazendo renascer a busca pelo jornalismo técnico e profissional

 

A HISTÓRIA TROUXE DE VOLTA A CREDIBILIDADE DO JORNALISMO PROFISSIONAL perdida pela pulverização de blogs e influencer’s

Por Carla Ribeiro

O jornalismo vive, nas últimas duas décadas, o seu mais longo e sinuoso teste de resistência. Desde a virada do milênio, com a ascensão dos blogs, testemunhamos a quebra do monopólio da informação. O que antes era restrito às redações – o poder de narrar o cotidiano e pautar o debate público – pulverizou-se. A democratização do acesso, facilitada pela internet, trouxe consigo um efeito colateral severo: a desvalorização do preparo técnico e a erosão do espaço profissional.

Em São Luís, esse impacto foi físico e visível.

  • vimos um ecossistema que sustentava doze jornais impressos reduzir-se a apenas dois;
  • a partir de 2010, e com força total após 2015, o império dos algoritmos consolidou a era dos influenciadores digitais.
  • com audiências que superam a tiragem de grandes veículos, esses novos atores passaram a ditar o ritmo da notícia;
  • muitas vezes priorizando o “falar primeiro” em detrimento do “falar com exatidão”.

Nesse cenário, o diploma de jornalista tornou-se alvo de contestações jurídicas e políticas, enquanto instituições oficiais – do plano federal ao municipal – passaram a utilizar as redes sociais como canais diretos, contornando a mediação crítica da imprensa.

O jornalista, por um momento, pareceu um figurante em sua própria arte.

O Paradoxo da Tecnologia

Entretanto, o “pulo do gato” deste momento histórico reside justamente na ferramenta que prometia ser o golpe de misericórdia no mercado tradicional: a Inteligência Artificial. Se a internet facilitou a voz, a IA facilitou a mentira sofisticada. Vivemos hoje um festival de simulações, onde vozes e imagens são clonadas com perfeição assustadora, tornando as fake news não apenas um texto mal escrito, mas uma realidade paralela convincente.

É aqui que o público começa a despertar de uma espécie de torpor digital; diante da dúvida sistemática – “Isso aconteceu mesmo ou é IA?” – a audiência inicia um movimento de retorno à fonte. A pergunta que o cidadão se faz hoje não é mais apenas “quem disse?”, mas “quem avaliza?”.

O Selo da Verdade

  • o jornalismo profissional está pegando o caminho de volta porque ele oferece algo que o algoritmo e o influenciador, em sua maioria, não conseguem entregar com constância: a responsabilidade jurídica e ética;
  • quando uma notícia é veiculada por um profissional de trajetória firmada ou por um veículo de comunicação estabelecido, ela carrega um lastro. A credibilidade, que antes parecia diluída na massa de seguidores, volta a ser o ativo mais valioso do mercado.

O público está redescobrindo que a curadoria de um jornalista não é um obstáculo à informação, mas uma garantia de segurança.

O bordão “saiu no jornal, é verdade” – que por anos soou como um anacronismo – ressurge com um novo vigor. Não como uma obediência cega, mas como um suspiro de alívio em meio ao caos informacional.

A tecnologia que ameaçou substituir o jornalista é a mesma que agora prova a sua essencialidade.

No Maranhão e no mundo, a notícia está voltando para casa: para as mãos de quem sabe que informar exige mais do que um clique; exige critério, ética e, acima de tudo, o compromisso inegociável com o fato.

Carla Ribeiro é  jornalista profissional diplomada

Oriente Médio em Chamas: Poder, Imperialismo e a Crise da Ordem Internacional…

Ação dos Estados Unidos contra um regime teocrático e autoritário consolida uma ordem em que a vontade das grandes potências se sobrepõe às regras coletivas

 

Por Marcos Soares, professor, escritor e ativista social

A recente ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel inaugurou um novo e delicado capítulo da instabilidade no Oriente Médio. Neste último fim de semana, autoridades iranianas confirmaram a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, figura central da República Islâmica desde 1989. O episódio não apenas altera o equilíbrio regional, como simboliza o encerramento de um ciclo político marcado por tensões permanentes, autoritarismo interno e enfrentamento externo.

A morte de Khamenei representa mais do que a perda de uma liderança longeva.

  • ela escancara as fragilidades de um regime fortemente centralizado e aprofunda as incertezas sobre o futuro político do Irã e da região.
  • Trata-se de um fato que exige leitura histórica e política, articulando democracia, direito internacional, fundamentalismo religioso e a política externa das grandes potências.

Em suas análises sobre o Oriente Médio, Leonardo Trevissam aponta para o esgotamento da chamada ordem liberal internacional.

Para ele, o discurso da defesa da democracia e dos direitos humanos tem sido reiteradamente instrumentalizado para legitimar ações militares unilaterais, enquanto normas básicas do direito internacional são relativizadas diante dos interesses estratégicos das superpotências. A guerra deixa de ser exceção e passa a integrar o cotidiano da política externa global.

Essa leitura dialoga com Jayme Brener, autor de “Ferida Aberta: O Oriente Médio e a nova ordem mundial”, ao evidenciar que a região permanece submetida a uma lógica de instabilidade estrutural, produzida por décadas de intervenções externas, disputas geopolíticas e controle de recursos estratégicos.

  • Oriente Médio não é apenas cenário de conflitos, mas elemento central de uma engrenagem internacional marcada pela assimetria de poder.
  • no plano interno iraniano, a obra de Osvaldo Coggiola, “A Revolução Iraniana”, ajuda a compreender os paradoxos do regime.

A revolução de 1979 nasceu como reação ao autoritarismo do xá Reza Pahlevi e ao imperialismo ocidental, mas resultou na consolidação de uma teocracia que restringiu liberdades civis, cerceou a liberdade de expressão e fundiu religião e Estado de forma autoritária. O fundamentalismo religioso, quando convertido em projeto político, tende a sufocar o pluralismo e a criminalizar o dissenso.

A ausência de Khamenei aprofunda essas contradições. Sua liderança simbolizou, simultaneamente, resistência ao domínio externo e repressão interna. O vácuo político que se abre amplia o risco de disputas internas, radicalização e prolongamento da instabilidade, com impactos diretos sobre o Oriente Médio e o sistema internacional.

No plano externo, a atuação norte-americana reafirma um padrão de política externa beligerante.

  • a orientação adotada por Donald Trump expressa uma concepção de mundo baseada no unilateralismo, na imposição da força e no enfraquecimento dos organismos multilaterais;
  • como observa Trevissam, essa prática corrói os fundamentos do direito internacional e consolida uma ordem em que a vontade das potências se impõe sobre regras coletivas.

Os efeitos dessa instabilidade extrapolam o campo político e alcançam a economia global.

O Oriente Médio concentra rotas estratégicas do comércio internacional e parcela significativa da produção e do escoamento de energia. A intensificação do conflito amplia a volatilidade dos mercados, pressiona cadeias logísticas, eleva riscos inflacionários e aprofunda incertezas em um cenário econômico mundial já fragilizado.

Nesse contexto, a posição do Brasil assume relevância.

  • ao condenar os ataques, defender a soberania do Irã e pedir prudência às nações envolvidas, o país reafirma uma tradição diplomática baseada no multilateralismo, na solução pacífica dos conflitos e no respeito ao direito internacional;
  • trata-se de uma postura coerente com os interesses nacionais e com o papel histórico do Brasil como ator moderador em um sistema internacional tensionado pela lógica da força.

O Oriente Médio segue, assim, como uma ferida aberta da política mundial.

Entre fundamentalismos religiosos, autoritarismos internos e interesses imperialistas externos, a população civil continua sendo a principal vítima.

A história demonstra que a força militar não constrói democracia nem estabilidade duradoura. Sem diplomacia, respeito às normas internacionais e compromisso real com a autodeterminação dos povos, a guerra tende a se normalizar como método de organização da ordem global.

Os dois de 2026!!!

Eleitor maranhense tem a oportunidade de mesclar opções de experiências e jovens talentos na disputa pelo Senado Federal, contando com a certeza de que o governador Carlos Brandão fique no cargo até o fim do mandato

 

FORÇA JOVEM. André Fufuca e Pedro Lucas representam a juventude na disputa pelo Senado, na visão de Stênio Rezende

Por Stenio Rezende*

A disputa pelas vagas ao Senado Federal em todo o Brasil é sempre tema que movimenta os bastidores da política de maneira destacada, especialmente pela sua importância nas articulações dos partidos e ou federações partidárias.

No cenário do Maranhão, se apresentam até o momento os senadores investidos em mandato Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), ambos há quase oito anos nos cargo, além do ex-senador Roberto Rocha (PR).

  • A população acompanha atentamente a movimentação das candidaturas dos jovens deputados André Fufuca (PP) e Pedro Lucas (União Brasil), assim como os nomes do ex-deputado estadual César Pires (Partido Novo) e do ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza).

A VOZ DA EXPERIÊNCIA. Para Rezende, o eleitor maranhense tem opções de nomes experientes na política

A pretensão eleitoral dos concorrentes está bem distribuída, em função da representatividade na vida pública e capacidade de trabalho entre esses nomes, que até agora acenam e articulam para viabilizar suas candidaturas. A lista oferecida até agora ao povo maranhense é de políticos preparados e comprometidos com os interesses do Estado.

  • Cabe destacar, por exemplo, a trajetória do jovem Ministro dos Esportes, André Fufuca, deputado mais jovem da história a assumir a presidência da Câmara dos deputados. Fortemente apoiado pela classe política do Estado, desponta como preferido do eleitorado de Imperatriz, Caxias, Santa Inês, Balsas, Barra do Corda, Lago da Pedra, Santa Luzia e centenas de outras cidades maranhenses.

A eleição para as vagas do Senado em 2026, promete ser bem disputada pelos nomes que se apresentam.

E assim sendo, quem ganha é o eleitor maranhense, que tem a oportunidade de escolha entre vários nomes qualificados ao Senado Federal.

Contando, por óbvio, com a permanência do Governador Carlos Brandão até o último dia do mandato.

Stenio Rezende, médico ex-Deputado Estadual e Agropecuarista

Uma nova lógica política no Maranhão…

As forças progressistas no estado estarão face a uma dificílima opção em 2026: abraçar o candidato de cada um, com todas suas fragilidades, ou assumir como prioridade absoluta o fortalecimento da candidatura do presidente Lula

 

PRIORIDADE NACIONAL. Lula com Brandão e Dino: projetos de cada um não podem sobrepor-se à necessidade de fortalecimento do palanque presidencial

Por Haroldo Saboia

Dois blocos apoiam o governo federal e reivindicam o apoio do Presidente Lula na disputa pelos Leões, em 2026, no Maranhão: um liderado pelo governador Carlos Brandão (PSB), outro aglutinado em torno da anunciada candidatura de Felipe Camarão (PT). Cada um dos grupos com seu dilema:

  • Brandão permanecerá no governo para lançar candidato próprio à sua sucessão?
  • A candidatura de Felipe Camarão terá fôlego para se manter, caso ele não assuma o governo e não dispute as eleições no cargo?
  • Ambos os grupos estariam dispostos a “conceder” ao presidente Lula o “direito” de indicar os nomes dos dois candidatos ao Senado?

Ousaria afirmar que tal equação não é capaz de superar as dificuldades impostas pelo cerco político e midiático ao governo Lula III.

Nas eleições anteriores – em que conquistou a presidência – o apoio de Lula aos candidatos aos governos estaduais (sobretudo no Nordeste) era, em muitos ou na maioria dos casos, suficiente para alçá-los ao segundo turno com maior facilidade. E – lembremos: a candidatura a governador que chegasse em primeiro lugar ao 2º turno, regra geral, já teria elegido seus candidatos ao Senado.

Em 2026, tudo indica, não será assim.

Com o hiper acirramento da disputa presidencial novas lógicas irão exigir novos comportamentos das bases estaduais do Presidente Lula. Estas terão que indicar  candidatos efetivamente competitivos capazes de:

  • 1 – ampliar a força eleitoral do Lula em seus Estados;
  • 2 – levar o candidato a governador ao 2º turno, e em primeiro lugar, condição necessária mas não suficiente para:
  • 3 – eleger os dois candidatos ao Senado.

No caso concreto do Maranhão, quatro candidaturas estão colocadas:

Duas da base do governo Lula, o vice-governador Felipe Camarão e a do sobrinho do governador, secretário Orleans Brandão (MDB);

Uma terceira, bolsonarista, de Lahésio Bonfim (Novo);

E, finalmente, a do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, reeleito em 2024 e recém filiado ao PSD, de Kassab.

Ocorre que – sem entrar no mérito de suas qualidades pessoais – Felipe Camarão e Orleans Brandão não possuem, nem um nem outro, força e competitividade para manter e, sobretudo, ampliar a força de Lula no Estado.

Por melhores e mais fortes que sejam seus eventuais candidatos aos Senado, o mais provável é que a debilidade de suas candidaturas “contamine” não apenas o desempenho dos postulantes à Câmara Alta, como a própria performance de Lula.

Eduardo Braide e Lahésio Bonfim, claramente à frente nas mais diversas pesquisas, possuem força política eleitoral difícil de ser contestada e enfrentada.

  • Eduardo Braide reeleito com 70 % dos votos, em 2024, prefeito de São Luís em decorrência de seu desempenho administrativo, tem feito uma carreira política praticamente solo. Sua recente filiação ao PSD o torna objeto do desejo, ainda “inconfessável”, tanto de parcelas dos apoiadores de Camarão como de parte do grupo de Brandão;

  • Já Lahésio Bonfim, ao ultrapassar em 2022 o senador Weverton Rocha (PDT) na disputa pelo Governo do Estado, conquistou, além de uma liderança inconteste junto ao eleitorado bolsonarista no Estado, uma posição recorrente de segundo colocado em várias pesquisa de intenção de voto para o próximo ano.

O fato é que as forças progressistas no Estado estarão face a uma dificílima opção: abraçar o candidato do grupo de cada um, com todas suas fragilidades, ou optar por assumir como prioridade absoluta o fortalecimento da candidatura do Presidente Lula no Estado.

  • por exemplo, se o Governador Carlos Brandão conseguir atrair o Prefeito do PSD da Capital e articular uma chapa Braide, governador, e Orleans Brandão, vice;
  • terá muitíssimas chances de vitória já no primeiro turno, e, também, de eleger mais facilmente os dois novos senadores do Maranhão, tão imprescindíveis à governabilidade do governo Lula IV.

Nesse cenário Lula terá uma votação nunca vista no Maranhão.

O governador Brandão estará, assim, ajudando o PT a atrair, nacionalmente, o PSD a apoiar a reeleição de Lula a exemplo da governadora Raquel Lyra, em Pernambuco, e do Ministro Alexandre Silveira, em Minas Gerais.

Compreender essa lógica, e aplicá-la aqui, será uma enorme contribuição do Maranhão na tentativa tão necessária de quebrar a unidade das forças do centrão e dividir o PSD, partido do centro/centro direita que mais cresce no país.

Há que entender que só faremos a maioria do Senado com candidaturas fortes e competitivas aos governos estaduais.

Dar absoluta prioridade à reeleição de Luís Inácio Lula da Silva é o melhor caminho para derrotar a extrema direita bolsonarista e avançar na defesa da Soberania Nacional, no combate as desigualdades e injustiças sociais!

Haroldo Saboia foi deputado federal Constituinte

Em resposta a Márcio Jerry, Yglésio diz que Flávio Dino não soube preparar um novo ciclo

Em artigo encaminhado a este blog Marco Aurélio d’Eça, deputado estadual reconhece os fundamentos da era dinista, mas entende que o grupo do ex-governador se perdeu no caminho e hoje briga por um projeto sem pernas

 

PRESOS AO PASSADO. Dr. Yglésio entende que os dinistas precisam se desconectar das lembranças de um governo que já não existe mais

Em contundente artigo-resposta ao deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), o deputado estadual Dr. Yglésio Moyses (PRTB) fez um apanhado histórico do governo Flávio Dino e chegou à conclusão que essa era “perdeu o vínculo com a população e transformou a máquina pública em palanque permanente de manutenção de cargos, não de ideias”.

“Flávio Dino foi, sem dúvida, um personagem de ruptura em 2014. Mas o tempo passou. A liderança que soube chegar não soube sair, e muito menos preparar um novo ciclo. O que vemos hoje não é um grupo que anda pra frente. É um espólio órfão de rumos, onde a velha guarda tenta empurrar com os ombros um projeto sem pernas” afirmou Yglésio, em artigo intitulado “Pra frente é que se deve andar? – ou a marcha lenta do espólio de Flávio Dino”.

  • para Yglésio, Márcio Jerry e aliados, erram ao não reconhecer os limites do ciclo dinista;
  • reconhecendo os avanços deste tempo, Yglésio diz que é preciso se desamarrar do passado.

O artigo de Márcio Jerry confrontado por Yglésio foi publicado neste blog Marco Aurélio d’Eça em post com o título “O passado derrotado pelo povo não pode ressuscitar…”. Nele, Jerry faz uma espécie de alerta aos brandonistas – e aos próprios dinistas – sobre os riscos da ruptura com o lego do governo Flávio Dino. Sobre isso, Yglésio é duro:

“Jerry lista iniciativas relevantes do período em que Dino foi governador. Algumas dessas ações, de fato, lançaram fundamentos importantes, como a expansão da rede educacional e a interiorização de serviços de saúde. Mas não se pode confundir estrutura com vitalidade. Muito do que foi implantado precisa ser continuamente renovado, e isso só ocorre quando há liderança conectada com o presente – e não presa ao passado”, diz o deputado estadual.

  • Yglésio lembra em seu texto que o discurso dos dinistas segue o mesmo, mas o Maranhão mudou;
  • o erro deles, destaca o parlamentar, foi ter se desconectado da base social e não cultivar lideranças.

Dr. Yglésio conclui apontando que, sob o comando de Carlos Brnadão, o Maranhão avançou em indicadores como emprego, alfabetização e gestão fiscal, mas esses progresso, afirma, nãos e devem à herança estática de 2014. A conclusão do parlamentar, é ainda mais contundente;

“Sim, o Maranhão precisa seguir em frente. Mas talvez isso só seja possível depois que o espólio de Flávio Dino aceitar que já não é mais motor de nada ; é apenas bagagem pesada”.

Leia abaixo a íntegra do artigo de Dr. Yglésio:

 

“Pra frente é que se deve andar?” – ou a marcha lenta do espólio de Flávio Dino

O deputado federal Márcio Jerry, fiel escudeiro de Flávio Dino, publicou recentemente um artigo exaltando o legado do hoje ministro do STF como se ainda estivéssemos em 2014. O texto, impregnado de saudosismo, tenta manter viva uma narrativa que já não dialoga com a realidade política, administrativa e social do Maranhão de 2025. A pergunta que não quer calar: quem é que realmente anda pra frente?

Em vez de reconhecer os limites do ciclo dinista, Jerry tenta resgatar sua mística revolucionária como se estivéssemos às vésperas de uma nova primavera. Ignora, porém, o óbvio: o grupo político liderado por Dino estagnou, perdeu o vínculo com a população e transformou a máquina pública em palanque permanente de manutenção de cargos – e não de ideias.

Flávio Dino foi, sem dúvida, um personagem de ruptura em 2014. Mas o tempo passou. A liderança que soube chegar não soube sair, e muito menos preparar um novo ciclo. O que vemos hoje não é um grupo que anda pra frente. É um espólio órfão de rumos, onde a velha guarda tenta empurrar com os ombros um projeto sem pernas.

Jerry lista iniciativas relevantes do período em que Dino foi governador. Algumas dessas ações, de fato, lançaram fundamentos importantes, como a expansão da rede educacional e a interiorização de serviços de saúde. Mas não se pode confundir estrutura com vitalidade. Muito do que foi implantado precisa ser continuamente renovado, e isso só ocorre quando há liderança conectada com o presente – e não presa ao passado.

Nos últimos anos, o Maranhão avançou em indicadores como emprego, alfabetização e gestão fiscal, especialmente sob o comando do atual governador. Esses progressos, contudo, não se devem à herança estática de 2014, mas à capacidade de adaptar a máquina pública aos desafios atuais – coisa que o espólio político de Dino parece incapaz de fazer.

Pra frente é que se anda, diz Jerry. Mas o que temos visto é justamente o contrário: o grupo que se dizia sinônimo de mudança hoje se comporta como guardião de um legado cada vez mais distante da realidade. O discurso é o mesmo; o Maranhão, não.

Enquanto Jerry e sua turma vivem do passado, o povo clama por um novo futuro. E esse futuro não será construído pelos mesmos que, ao longo dos últimos anos, perderam a capacidade de escutar a base social, cultivar lideranças novas ou renovar o projeto político com autenticidade.

Sim, o Maranhão precisa seguir em frente. Mas talvez isso só seja possível depois que o espólio de Flávio Dino aceitar que já não é mais motor de nada – é apenas bagagem pesada.

Editorial: Brandão para um lado, Camarão pra outro…

Mas ao contrário do que imaginam a classe política, os torcedores de lado a lado e os observadores da cena política, os movimentos de cada um tendem a convergir para o mesmo objetivo em 2026

 

ENCONTROS OU DESENCONTROS?!? O aparente distanciamento entre governador e vice deve convergir para os mesmos interesses em 2026

Editorial

O governador Carlos Brandão protagonizou neste sábado, 26, o Encontro do PSB maranhense, sem a presença do vice-governador Felipe Camarão (PT), que estava em outro evento; na sexta-feira, 25, foi Camarão quem protagonizou encontro de parlamentares do PT, sem a presença de Brandão, que atendia prefeitos em palácio.

  • nos últimos dias, as idas e vindas de governador e vice geraram fortes especulações;
  • torcedores de um e de outro ora mostram otimismo, ora pessimismo sobre 2026.

“É claro que há, de lado a lado, quem não tenha interesse na unidade entre governador e vice – por causa dos próprios interesses pessoais – e  isso é natural; esse jogo de pressão e contrapressão vai existir até o dia da decisão final, gerando angústia e disse-me-disse”, responde o titular deste blog sempre que chamado a resenhar sobre o tema 2026.

Este blog Marco Aurélio d’Eça tem observado há tempos que muito da percepção da base brandonista e camaronista é construída pelas narrativas da mídia, sobretudo a blogosfera – este blog incluído, sem falsa modéstia.

Mas o fato é que, tanto Brandão quanto Camarão estão exercendo perfeitamente os seus papeis institucionais neste período eleitoral.

  • Brandão é o governador e será governador pelo menos até abril de 2026, quando, só então, vai dizer se sai ou não;
  • Camarão é o vice-governador que pode ou não assumir o governo, mas isso não o impede de se movimentar até lá.

“É óbvio que se Brandão disser agora que deixará o governo para ser candidato a senador estará decretando o fim do seu governo; da mesma forma, é bastante óbvio que, se Camarão ficar parado esperando a hora, a onda vai levá-lo – com perdão do trocadilho – por que não haverá tempo de se viabilizar”, é o que entende o titular deste blog em sus conversas.

Assim será até 2026, quando chegar a hora da decisão; lembrando que o jogo de pressão e contrapressão também continuará.

E os que têm coração fraco que lute…

Braide cresce enquanto Brandão patina na indecisão

Sem uma definição clara do governador, a falta de rumo político do seu grupo e a indefinição quanto ter como candidato o vice Felipe Camarão favorece claramente o prefeito de São Luís

 

RISCOS ELEITORAIS. Simplicio Araújo aponta riscos para o governo Brnadão com a presença de Braide na disputa

Por Simplicio Araújo*

Faltando poucos meses para o primeiro turno das eleições de 2026, a corrida pelo governo do Maranhão parece estar em câmera lenta. Oficialmente, apenas o ex-prefeito e médico Lahesio Bonfim (Novo) já se lançou como candidato. Enquanto isso, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, reeleito com folga, evita falar sobre uma possível candidatura ao governo.

Braide, no entanto, se fortalece mesmo sem dizer uma palavra. Sua maior barreira não é a falta de intenção, mas sim o dilema de abandonar a prefeitura da capital, onde vem desempenhando um bom trabalho, para enfrentar a máquina pesada do Palácio dos Leões.

E por que o nome de Braide cresce?

  • Simples: pela completa inércia do governador Carlos Brandão;
  • Até agora, Brandão não deu um rumo claro ao seu grupo político.

Ele não promoveu a reunificação da base que o elegeu e ainda não deixou claro se vai ou não romper com a fórmula que o levou ao poder, ou seja, apoiar seu vice, Felipe Camarão. O resultado? Um vácuo que favorece Braide e abre espaço para o surgimento de outros nomes na disputa pelo governo do Maranhão.

O grupo de Brandão e os remanescentes do governo Flávio Dino já sabem da realidade: divididos, caminham para uma derrota desastrosa.

Não é segredo para ninguém a relação estremecida entre Brandão e Dino. Também não é mistério que o atual governador deseja manter o controle sobre seu sucessor. Mas, se a prioridade fosse a sobrevivência política do grupo, Brandão deveria agir como líder maior, reunificando sua base, em vez de se preocupar com eventuais dissidentes – algo natural em qualquer governo. Flávio Dino, por exemplo, enfrentou três dissidentes dentro do próprio grupo e soube lidar com isso. O foco deveria estar em buscar figuras neutras, sem ambições eleitorais, para construir uma ponte de convergência, e não em apostar em nomes que aprofundem ainda mais as divisões.

O erro de insistir na cisão pode custar caro. A vitória de Brandão em 2022 foi apertada — apenas 51% dos votos no primeiro turno. Um cálculo malfeito pode levar a eleição para o segundo turno, onde o governo perderia completamente o controle do jogo, deixando a população decidir sem qualquer amarra política.

Mais que isso: no cenário atual, já parece inevitável que uma das vagas para o Senado fique com o grupo de Braide, caso ele entre na disputa. Isso significa que boa parte da classe política começa a enxergar nele uma alternativa real de poder, capaz de formar uma bancada estadual e federal expressiva.

Brandão, por sua vez, tenta reagir.

  • Em entrevistas, afirmou que seu governo “vai começar agora”, com anúncios e entregas de obras. Mas esperar tanto para agir pode ter um custo alto;
  • Se demorar demais para definir seu caminho e consolidar alianças, corre o risco de ver sua base política evaporar e perder o controle da sucessão.

Diante desse cenário, fica a pergunta: Braide teria coragem de renunciar à prefeitura para disputar o governo, enfrentando um ambiente onde o apoio político tem sido negociado a preço altíssimo? Ele entraria na corrida apenas para plantar uma semente para o futuro?

E Brandão? Vai “terminar” seu mandato e implodir de vez o que chamava de “nosso governo”? Se continuar adiando uma decisão clara, pode acabar sem governo, sem senador e sem bancada?

Como a política é algo muito dinâmico, muda como o vento, essas perguntas e reflexões servem para o hoje, o amanhã a Deus e as boas decisões pertencem.

*Simplício Araújo é ex-secretário de Indústria e Comércio