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De como Flávio Dino empacotou Brandão à esquerda e entregou votos significativos a Weverton

Ideologicamente extremista, ex-governador tirou o sucessor da direita em que sempre esteve, mas não conseguiu convencer o campo progressista, majoritariamente a favor do senador pedetista, que abriu frentes importantes no centro e no eleitorado mais conservador

 

Flávio Dino tenta construir uma agenda de esquerda para Brandão, mas a falta de identidade do sucessor-tampão com este campo dificulta o avanço

Para tentar construir a viabilidade de sua “escolha pessoal” pelo sucessor-tampão Carlos Brandão (PSB), o ex-governador Flávio Dino (PSB) cometeu dois erros políticos que podem custar a participação do Palácio dos Leões em um eventual segundo turno das eleições maranhenses.

Ao empacotar Brandão como candidato de esquerda, Dino não conseguiu convencer o campo progressista a abrigar seu sucessor, historicamente vinculado às pautas da direita conservadora.

Ao tentar rotular o senador Weverton Rocha (PDT) como candidato de Bolsonaro, Dino e o Palácio jogam no colo do pedetista – historicamente ligado à esquerda e consolidado como opção do campo progressista – setores importantes do eleitorado conservador e de centro-direita, ampliando sua base eleitoral.

Em uma síntese: o comunista fracassou em convencer a esquerda sobre Brandão e nem conseguiu afastar de Weverton o campo progressista.

O resultado é o amplo avanço de Weverton nas pesquisas e na construção de uma base sólida como candidato.

Sem as amarras ideológicas que Flávio Dino impôs a Brandão, Weverton ficou livre para buscar alianças importantes, como a do prefeito de São Luís Eduardo Braide (sem partido) e a da prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (PSDB), ambos de postura mais conservadora.

Além de perder os votos conservadores por causa de Flávio Dino, Brandão não aumentou em nem um milímetro a sua participação no segmento mais progressista; neste campo, estão com Weverton todos os setores da classe trabalhadora, dos sindicatos, das centrais sindicais e do campo. 

Agora, Brandão vê crescendo na direita o candidato bolsonarista Dr. Lahésio (PSC), que pode, inclusive, tirá-lo do segundo turno.

E trudo por que foi empacotado por Flávio Dino…

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Lideranças já articulam aliança entre Weverton, Edivaldo e Lahésio no segundo turno

Senador Roberto Rocha, deputados federais Edilázio Júnior, Josimar Maranhãozinho e Aluisio Mendes, prefeitos Erlânio Xavier e Maura Jorge já entraram em campo para buscar formas de garantir a qualquer um dos três candidatos que estiver no segundo turno o apoio de todo o grupo dos demais

 

Os partidos que fecham com todos os candidatos a governador estão discutindo formas de estarem no mesmo palanque no segundo turno

Uma operação de blindagem dos adversários do projeto de poder do ex-governador Flávio Dino (PSB) começou a ser operada esta semana, em busca de unidade de toda a oposição em um eventual segundo turno.

A articulação, que envolve o senador Roberto Rocha, os deputados federais Aluisio Mendes (PSC), Edilázio Júnior (PSD) e Josimar Maranhãozinho (PL), os prefeitos Erlânio Xavier (PDT) e Maura Jorge (PSDB), visa fazer contraponto à tentativa do Palácio dos Leões de promover o racha entre seus adversários.

Flávio Dino sabe que são diminutas as chances de Carlos Brandão em um eventual segundo turno – seja contra Weverton Rocha (PDT), contra Dr. Lahésio (PSC) ou mesmo contra Edivaldo Júnior (PSD) –  por isso trabalha usando a mídia controlada pelo Palácio para gerar crises, principalmente, entre Weverton e Lahésio.

Os agentes articuladores de ambos os lados já começaram a operar a blindagem das duas campanhas; e mantêm diálogo aberto com o deputado Edilázio Júnior, principal articulador da campanha de Edivaldo Júnior.

A ideia é firmar um pacto de não-agressão e um compromisso de que todos estejam no mesmo palanque em um eventual segundo turno, caso o candidato do Palácio dos Leões consiga superar a primeira etapa de votação.

Juntos, de acordo com pesquisa Exata, Weverton, Lahésio e Edivaldo reúnem nada menos que 54% dos votos do Maranhão, um patamar quase impossível de ser batido, mesmo com toda a estrutura do governo.

É para preservar esse eleitorado que os agentes das três candidaturas começaram a trabalhar a blindagem contra as artimanhas do Palácio dos Leões…

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De como o Palácio dos Leões transformou Lahésio em laranja de Brandão…

Com o controle de Flávio Dino, secretário Ricardo Capelli cria narrativa nas redes sociais que são espalhadas para jornalistas e blogueiros alinhados e ganha forte repercussão na TV Mirante, do Grupo Sarney, que abre espaços quase diários para o ex-prefeito que o governo quer ter como adversário no segundo turno

 

Laranja, Lahésio seguiu logo cedo o roteiro traçado pelo Palácio dos Leões, sentando praça na TV Mirante, aliada de Brandão

Análise da notícia

O blog Marco Aurélio D’Eça foi o primeiro a alertar – ainda em abril – que o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Dr. Lahésio Bonfim (PSC) assumiria o papel de laranja do governador-tampão Carlos Brandão (PSB) nesta campanha eleitoral.

Lahésio foi transformando – com anuência dele mesmo – por que o governo quer tê-lo na disputa de um eventual segundo turno; e ele, mais preocupado em se viabilizar para as eleições municipais de Imperatriz, em 2024, está aceitando o papel, que tem um script desenhado e articulado no Palácio dos Leões, com apoio da mídia controlada e da TV Mirante, apoiadora de Brandão.

O secretário de Comunicação Ricardo Capelli é o responsável por criar as narrativas sobre uma tal ameaça de Lahésio ao senador Weverton Rocha (PDT) – que lidera com folga as pesquisas. Esta narrativa é pautada em blogs controlados pelo Palácio, com textos muitas vezes produzidos no próprio Palácio, disseminando a ideia de força eleitoral de Lahésio.

No dia seguinte, o candidato do PSC – cujo presidente é o sarneysista Aluisio Mendes – aparece em algum dos veículos do Grupo Mirante, geralmente na TV, mas também nas rádios e no portal do conglomerado.

Observe que a história da inacreditável Escutec/Grupo Mirante atendeu exatamente a este script.

Primeiro, a pesquisa mostrou um estratosférico crescimento de Brandão, mesmo internasdo há 30 dias; em seguida, Cappeli passou a narrar em suas redes sociais a tal ameaça de Lahésio a Weverton, reproduzida em seguida nos vários blogs controlados pelo Palácio dos Leões.

E nesta sexta-feira, 17, quem aparece na TV Mirante logo cedo? Exatamente o laranja Lahésio.

O que o palácio dos Leões não previu com esta estratégia é que, do outro lado, estaria um adversário como Weverton, já passado na casca de alho dessas artimanhas e com poder de fogo para enfrentar não apenas o governo, mas também o Grupo Sarney e a própria Mirante.

Weverton se preparou lá atrás para o que viria.

A construção da candidatura em meio ao povo, desde 2018, deu a Weverton uma sólida base de votos, bem distante de ser ameaçada pelo laranja Lahésio.

E este – o Lahésio – aceita o papel de laranja por que tem outros interesses.

Para além de 2022…